quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Equilíbrio

Chiqui Arce tem futuro promissor como técnico da seleção paraguaia (El Comercio)

Por Tiago de Melo Gomes

As duas primeiras rodadas das eliminatórias sul-americanas para o mundial do Brasil tiveram o equilíbrio como marca. Das sete equipes que atuaram duas vezes (são nove países, de forma que sempre uma seleção irá folgar), apenas o Uruguai não perdeu, e lidera a competição com 4 pontos. Argentina, Peru, Chile e Venezuela estão em segundo com 3 pontos (uma vitória e uma derrota), ao lado de Equador e Colômbia, que venceram a única partida que disputaram. Apenas Paraguai e Bolívia ainda não venceram.

A boa largada uruguaia não surpreende, já que a Celeste foi a melhor seleção do continente no último mundial e venceu a Copa América. No entanto, é preciso tomar cuidado. A verdade é que a seleção uruguaia não teve boas atuações nas primeiras partidas. Contra a fragilíssima Bolívia os charruas chegaram a sofrer antes de deslanchar, e contra os paraguaios a equipe foi dominada na maior parte do jogo, ainda que quase tenha vencido a partida.

A questão é que o treinador Oscar Tabarez insiste em jogar de forma mais agressiva, seja utilizando apenas 3 defensores, seja marcando por pressão, com as peças avançadas. E o fato é que o Uruguai não tem os jogadores adequados para a tarefa, em especial os zagueiros, que são lentos, e se saem bem quando protegidos, mas se vêem em apuros quando necessitam sair da área. No entanto, a tendência é que Tabarez se renda e volte ao sistema mais cauteloso, com o qual o Uruguai conquistou os bons resultados recentes. Com isso, a Celeste é uma das favoritas para a conquista de uma vaga.

Os argentinos aproveitaram os espaços na defesa chilena para vencer com sobras uma partida que teve momentos de dificuldade. Mas sucumbiram frente a uma limitada Venezuela, evidenciando que Sabella está longe de encontrar a equipe e o sistema ideais. Messi está longe do gol, Higuaín isolado na frente, Di Maria não pode ser volante e Pastore ser reserva de Sosa é incompreensível. A albiceleste segue sendo a prova de que uma grande equipe é muito mais do que um amontoado de grandes jogadores.

O Chile de Claudio Borghi mantém a característica essencial dos tempos de Marcelo Bielsa, enfrentando os adversários de peito aberto. Normalmente vence as equipes mais fracas e é goleado pelas mais fortes. O que pode ser o suficiente para se classificar para o Mundial, e proporciona partidas empolgantes, como o sensacional confronto contra o Peru na noite de terça-feira.

Para muitos a Venezuela era a grande favorita a ser a zebra do torneio. Ainda que não tenha jogadores de alta qualidade, a equipe é muito bem comandada por Cesar Farias e de fato pode surpreender. No entanto, essa primeira sessão mostrou uma excelente novidade: o Peru. Comandados pelo excelente Sergio Markarian, e contando com jogadores de respeito no setor ofensivo (Farfán, Guerrero, Pizarro), os peruanos simplesmente atropelaram os paraguaios na estréia, e fizeram o melhor jogo entre seleções de 2011 contra o Chile, perdendo por 4 a 2 em Santiago em uma partida em que chutaram QUATRO bolas na trave. Uma equipe que merece ser vista e se candidata a uma vaga no Mundial, façanha que não consegue desde 1982. Naquela ocasião, com o brasileiro Tim no comando, os peruanos eliminaram os uruguaios em Montevidéu.

Por outro lado, a grande decepção até agora foi o Paraguai. Mesmo mantendo a mesma base dos tempos de Gerardo Martino, o novo treinador, Francisco Arce (ex-lateral de Grêmio e Palmeiras) viu sua equipe ser completamente subjugada pelo Peru em Lima, e empatar nos descontos uma partida praticamente perdida para o Uruguai. Mas é preciso ter cautela na avaliação. Para começar, a seleção paraguaia, começando um trabalho, enfrentou duas equipes que tem treinadores com mais tempo de trabalho à frente de suas seleções.

O mais importante é que Chiqui Arce está tentando mudar o estilo de jogo da seleção guarani. O objetivo é fazer com que o Paraguai abandone o estilo muito defensivo dos tempos de Tata Martino e atue com mais iniciativa e protagonismo. No entanto, é uma mudança lenta, que certamente terá percalços, já que é natural que os atletas se sintam inseguros ao atuar de uma nova maneira.
            
A Colombia teve ótima estreia, batendo a Bolívia na altitude de La Paz. Tem uma ótima geração de atletas, como Falcão Garcia, James Rodriguez e Guarín, mas é preciso esperar para ver até onde pode chegar. O mesmo vale para os equatorianos, que também só atuaram uma vez, vencendo os venezuelanos em casa. Já a Bolívia infelizmente parece destinada a ser a lanterna, destoando em um torneio de muito equilíbrio. Com uma equipe mediana do meio para frente mas muito fraca defensivamente, a Bolívia deverá sofrer muitas dificuldades para vencer, mesmo na altitude.

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