sábado, 24 de março de 2012

Craques: Ahn Jung Hwan

Ahn no momento mais marcante da sua vida, comemorando o gol contra a Itália na Copa de 2002 
Caio Dellagiustina, @caio03
De Itu-SP

Um gol pode mudar a carreira de um jogador, para melhor ou para pior. Ahn Jung Hwan teve esse (des)gosto na Copa do Mundo de 2002. Um dos principais nomes da surpreendente seleção sul-coreana era o destaque do modesto Perugia, da Itália. Ao final da temporada 2001-02 terminou a Serie A na oitava colocação, três pontos atrás da Lazio, conseguindo vaga na antiga Copa UEFA. Porém, desde a Copa-2002 sua carreira jamais se acertou.

Oitavas de finais do Mundial. A Itália, que não tinha lá um grande time, mas é sempre favorita, enfrentava a surpresa Coréia do Sul. Os comandados do técnico Guus Hiddink já faziam uma grandiosa campanha, passando de forma inédita da primeira fase. Qualquer coisa além disso já seria espetacular. Um gol de Vieri logo no início da peleja deixou silenciado o caldeirão que estava o estádio de Daejeon. Mas um tento de Seol Ki-Hyeon, já no final do tempo normal deu novas esperanças aos asiáticos. Restando menos de cinco minutos para o final da prorrogação, todos esperavam os pênaltis. Eis que Jung Hwan acerta um lindo cabeceio que elimina a Squadra Azzurra da Copa.

Nem mesmo a péssima e controversa arbitragem do equatoriano Byron Moreno fez com que o orgulhoso presidente do Perugia, Luciano Gaucci, mudasse de idéia de simplesmente dispensar Ahn após dois anos de serviços prestados.

Antes de chegar à Itália, o sul coreano havia se destacado tardiamente com seus 22 anos no Busan I´Park, de sua terra natal. A ida para a velha bota era a abertura para jogadores sul-coreanos no futebol europeu. Durante os dois anos em que permaneceu no Perugia, Ahn teve certo destaque. Após sua dispensa, escolheu o Japão para recuperar a sua motivação, em 2002.

Durante os quatro anos em que ficou na terra do sol nascente, Ahn viveu uma fase de artilheiro, primeiro no Shimizu S-Pulse e depois no Yokohama Marinos (2004). Perto dos 30 anos, outra chance de brilhar no velho continente apareceu. O “senhor do anel”, como é conhecido, pelo fato de beijar seu anel de casamento a cada gol marcado, acertou um contrato de um ano com o Metz, em 2005.

Todavia, a decepcionante campanha que culminou no rebaixamento da equipe não deixou portas fechadas para o sul-coreano. Apesar de um convite do Blackburn, preferiu a Bundesliga e assinou com o Duisburg. Talvez com o intuito de se ambientar para a Copa do Mundo de 2006.

Pinta de craque na chegada ao Duisburg

Novamente rebaixado, o jogador já não era unanimidade na Europa e retornou novamente à Ásia, em 2007 após a pífia passagem da Coréia do Sul pelo Mundial. Mas ao invés do Japão, ele retornou à sua terra mãe para jogar pelo Suwon Bluewings. A passagem por lá durou apenas um ano e sem muito brilho, mas suficiente para ficar de fora da seleção, pela primeira vez desde que estreou, em 1997, como parte do projeto de renovação do então técnico Pim Verbeek.

Já com 32 anos e cogitando encerrar a carreira, retorna ao Busan, seu clube de origem. Sua influência e liderança chamaram a atenção do Dalian Shide, da China, que dava início ao processo de transformação do futebol chinês, hoje completamente endinheirado. No país do espetinho de cachorro, Ahn teve o prazer (?) de jogar ao lado do grande Adriano Michael Jackson.

Ao final do primeiro mês de 2012 e depois de três anos na China, já com 36 anos, decidiu, emocionado, que era a hora de se aposentar. Não por problemas físicos ou técnicos, mas pelo simples fato de querer curtir a vida ao lado dos familiares. O mais promissor jogador sul coreano teve tudo para brilhar na Europa, mas por um acaso, não engrenou. Ainda assim, sua história não deve ser desmerecida por isso. O herói da Copa do Mundo de 2002 sempre será lembrado por seu gol contra a Itália, que segundo ele foi o momento mais marcante de sua caminhada como atleta..

Um comentário:

Anônimo disse...

Lembro do Ahn.Sempre admirei seu futebol era um atacante bom que de direita não errava nada.No Yokohama se não me engano chegou a atuar como meia.
Acho que Ahn fez escolhas erradas em sua carreira pois era um bom jogador e um líder em campo.Jogar na Europa não foi um erro mas ele deveria ter jogado na Inglaterra pois no meu ponto de vista o futebol inglês seria perfeito para seu estilo de jogo.Na J-League ele foi bem porém até eu sairia do futebol japonês, apesar de ser organizado e ter belos clubes falta mais paixão e vibração na J-League.Jogar na china foi só pra encher o bolso.Apesar que ele realmente estava dando seu máximo pelo Dalian.
Contínuo sendo fã do Ahn pois ele é honesto reconhecendo que sua maior Vitória foi um gol.E muito gente boa por comentar sobre sua carreira e família.Vi isso em uma entrevista.