sexta-feira, 18 de maio de 2012

Craques: Giuseppe Giannini

Foto: Goal.com
Giannini cresceu entre os melhores e se tornou um deles quando a Roma passou pelo período de transição mais tedioso de sua história. Ídolo do maior ídolo romanista, Il Principe gastou a bola e foi o ícone de um time que acumulou insucessos

O Príncipe não era daqueles atletas que só passavam grandes períodos numa equipe só. Giuseppe Giannini teve na Roma o seu lar e palco durante 16 anos. Pouco depois de completar os mesmos 16 anos de idade, foi contratado pelo clube no qual foi bandeira, ídolo e alinhou com os grandes nomes de uma geração que para muitos foi a melhor de toda a história giallorossi. 

Extremamente técnico, carismático e identificado com a torcida, o jovem nascido em Roma respirava os ares do Olímpico quando jovem, aprendia como o futebol funcionava antes de fazer parte daquela sinfonia em que os maestros Falcão, Bruno Conti, Agostino Di Bartolomei e Roberto Pruzzo ditavam as notas. Na posição de trequartista, também conhecida como regista, Giuseppe entrou no compasso vitorioso dos seus mestres e deles absorveu a sabedoria necessária. 

Teve sua estreia definitiva como titular em 1984-85, quando disputou 37 partidas. Já campeão da Serie A e da Coppa Italia, teve autoridade suficiente para se estabelecer na meia cancha romanista. Com excepcional consciência tática e classe com a bola nos pés, viveu o auge e o princípio de decadência da Roma no fim da década de 1980 e começo dos anos 90. A partir de 1987 também passou a integrar as convocações da seleção italiana, onde brilharia no mundial seguinte.

Il Principe após o gol frente os EUA (SKY Sports)
Il Principe na Copa de 90
O Mundial de 1990 teve participação espetacular de Giannini. Autor de um belo gol contra os EUA, contando com uma deixadinha de Gianluca Vialli, o romanista passou por dois defensores e bateu rasteiro para vencer Tony Meola. Contudo, o grande número daquela competição ainda viria em fases seguintes.

Os fãs hão de lembrar daquele jogo de semifinal entre Itália-Argentina onde Vialli, Fernando Di Napoli, Salvatore Schillaci e o próprio Giannini (chapelou o marcador e tocou de cabeça para Vialli) fizeram grande jogada na área albiceleste, numa tabelinha crucial que parou na defesa de Sergio Goycochea, mas que para a alegria local, Schillaci completou. Não fosse o gol de Claudio Caniggia na metade do segundo tempo, aquele teria sido o retrato de um merecido finalista, de uma Itália que unia a qualidade com a eficiência, passando por um atacante em grande fase.

Uma Roma carente
Exímio cobrador de faltas, constantemente fazia vítimas em tiros de 20-30 metros, além dos dribles rápidos e mortais. Como capitão e sucessor de Bruno Conti, reinou numa época de vacas magras pela Roma. Levantou a Coppa Italia em 1991, quase repetindo o feito em 1993. A derrota contra o Torino, no agregado, após tentar reverter o 3-0 fora de casa, doeu na alma dos que estiveram em campo. Para a segunda perna da decisão, no Olimpico, a giallorossa não tinha muito o que perder. Só um milagre traria a taça novamente, após dois anos. 

(Foto: ASR talenti)
Com um hat-trick, Giannini trouxe a Roma de volta ao páreo. Ruggiero Rizzitelli e Sinisa Mihajlovic ainda marcaram pelo time da casa, Andrea Silenzi deixou dois, matando as esperanças de que uma virada histórica aconteceria. Não daquela vez, Torino campeão. 

Três anos depois, em 1996, Giuseppe viu que seu ciclo havia se encerrado e foi para o Sturm Graz. Sem muito sucesso fora da Itália, retornou ao seu país natal, só que desta vez pelo Napoli, com uma Copa da Áustria na bagagem. Seis meses de San Paolo depois, resolveu aceitar o convite do Lecce, onde jogaria por mais duas temporadas antes de se aposentar. 

Para os romanistas, fica o reconhecimento de um craque que nos seus tempos mais áureos não tinha ao seu lado nomes que pudessem levar a títulos. Acima de tudo há o conhecimento de que nenhum exército de um homem só vence nenhuma guerra. Pela bravura, Giannini ficará marcado. E qualquer comparação com um outro camisa 10 que veio logo depois se faz justa. 

Felipe Portes é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é redator na Trivela, além de ser o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol.

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic.

Um comentário:

Anônimo disse...

Aprendendo com mestre Paulo Roberto Falcão , facilitou né ?