segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Um outro texto™

Foto:GloboEsporte.com
José, @zenascimento

Este texto não era pra existir, não da forma como está existindo. Seria apenas uma egotrip com piadas sem graça, às quais vocês já estão acostumados, temperadas com um pouco mais de desgosto pela frustração com o meu time. Aquela frustração do futebol, de chegar em casa cabisbaixo, chutando portas, tendo que ouvir “mas isso é apenas futebol” e coisas do tipo. Seria. Porque a rodada do fim de semana não foi apenas futebol, como é possível perceber aqui http://grem.io/bZo , aqui http://grem.io/bZn e aqui http://grem.io/bZp .


Desse jeito, fica impossível tentar fazer uma gracinha, algum trocadilho com uma chance que se vai, caso do Grêmio – que empatou em casa (1-1) com o Santos, ou com uma esperança que ressurge, como o Palmeiras – que venceu (3-0) a Ponte Preta e pode sair da ZONA já na próxima rodada. Fica impossível de cornetear a pelada que foi Cruzeiro e Internacional (0-0) – me disseram que foi um jogo cretino, não vi. Aliás, o sábado foi pródigo em partidas com árbitros fanfarrões, parece. Porque teve esse evento no Recife, que antecedeu a vitória do Náutico diante do Atlético Goianiense (2-0), mas também teve, no jogo de Varginha, juizão mandando voltar pênalti – aparentemente mal marcado – por “invasão”. Legalistas provavelmente dirão que “a regra é clara”, e que tinha que mandar voltar mesmo.

Provavelmente, esses legalistas também dirão que a Milena, que foi ao Couto assistir ao empate entre Coritiba e São Paulo (1-1), é a culpada pela confusão ocorrida ao final do jogo, aquela confusão da camisa que vocês puderam ler nos links acima. Ou, ainda, reclamarão que foi “bem feito” pro escocês de verde e branco do Pacaembu, que foi assistir à vitória do Corinthians contra o Sport (3-0). “Quem mandou usar as cores do Palmeiras num jogo do Coringão?” Em outro contexto, creio que esse tipo de pensamento “legalista” transforma-se apenas no raciocínio babaca que culpa uma mulher de minissaia pelo estupro sofrido, ou que repreende, sempre sob a máscara da “rivalidade sadia”, um gremista por usar vermelho. Talvez seja mais complexo – na verdade, é; talvez esteja um pouco confuso. Mas, intuitivamente, me parece um caminho comum, todas essas manifestações. Não é algo raro, creio que todos fomos, em algum momento, mais fanáticos, mais intolerantes. Mas tergiverso.

Esses três casos foram os mais gritantes, extremos, do final de semana. Não tivemos notícias – ou, pelo menos, eu não tive conhecimento – de reações exacerbadas em Bahia e Botafogo (2-0), nem em Vasco e Figueirense (3-1), tampouco no Fla-Flu vencido pelo tricolor carioca (0-1). Clássico que, aliás, fez o Flu livrar seis pontos de um Atlético Mineiro que, no sábado, apenas empatou com a Portuguesa (1-1). Menos mal.

Houve uma época, acho que ali por 1996, em que as torcidas organizadas eram as inimigas. A Placar chegou a lançar um CD com os hinos dos clubes. Nele, antes da música começar, ídolos pediam paz nos estádios e etc. Hoje não há para quem apontar, os “inimigos” estão individualizados. Pode sobrar para qualquer um. Mas tergiverso novamente. 

Ainda pipocam algumas idéias relativamente a esse que me parece ser um período de conservadorismo e tensão velados, abafados por uma artificial sensação de festa e brincadeira. Mas são opiniões, intuições, impressões que não são exatamente científicas, e que, portanto, são capazes de gerar discussões praticamente infinitas e serão sempre passíveis de crítica da parte desses que chamei de legalistas – invariavelmente, eles terão um exemplo de como as coisas estão bem.

Troféu HEBE CAMARGO: Fred, que fez um golaço, é artilheiro do campeonato e seu time lidera com bastante vantagem;

Troféu APITO PAVÃO: os eventos do final de semana listados nos links lá do início.



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