quarta-feira, 12 de março de 2014

Aquele: Paulo Nunes no Corinthians

Foto: Band
Por Luiz Domingues

Multicampeão em vários clubes brasileiros, Paulo Nunes foi reforço improvável do Corinthians em janeiro de 2001. Ídolo do rival Palmeiras, o Diabo Loiro chegou para compor um elenco que já tinha Muller, Luizão, Fernando Baiano e os recém-promovidos da base Gil e Ewerthon.

Arílson de Paula Nunes passou por Flamengo, Grêmio, Benfica e Palmeiras antes de chegar ao Corinthians. No alviverde o atacante venceu a primeira (e única até o momento) Libertadores da América da história do clube, e foi o protagonista palestrino da fase de maior acirramento da rivalidade entre alviverdes e alvinegros nos últimos tempos.

Em 1999, os rivais se enfrentaram sete vezes pela Libertadores da América e pelo Campeonato Paulista, incluindo a batalha campal na decisão do Estadual, após as embaixadinhas de outro demônio, o capetinha Edílson. A partida terminou em chutes, pontapés e muitas provocações. Mas quiseram os Deuses do Futebol que o último título e (único Paulistão) da carreira de Paulo Nunes fosse conquistado com a camisa do Timão.

Com o fracasso do Palmeiras contra o Manchester United no Mundial Interclubes, Paulo Nunes voltou ao Grêmio no ano seguinte, onde não teve o mesmo sucesso. No início de 2001 foi envolvido numa negociação com o Corinthians, conduzida pelo folclórico Roque Citadini. O clube paulista cedeu o atacante Luiz Mário e liquidou uma dívida gremista de R$ 1 milhão pela transferência do zagueiro Nenê. A transação irritou a torcida organizada e o treinador Dario Pereyra, que criticou a forma de Paulo Nunes publicamente.

Mesmo assim o atacante foi recebido pela diretoria com pompas. A tradicional sirene do Parque São Jorge foi acionada no dia da apresentação, o que não acontecia desde a chegada do atacante Edmundo em 1996.

Foto: Gazeta Esportiva
Mas em campo, Paulo Nunes pouco fez. Teve um início pavoroso no Estadual e o perigo da zona de rebaixamento. Nos primeiros sete jogos foram quatro derrotas, dois empates e apenas uma vitória, contra o rival Palmeiras. Em fevereiro Dario Pereyra foi demitido e Vanderlei Luxemburgo assumiu o comando técnico alvinegro.

Sob o “pojeto do pofexô” o time engrenou e chegou a golear o Santos por 5 a 0 na primeira fase do Estadual. O Diabo Loiro chegou a sofrer um pênalti, convertido por Marcelinho, mas deixou o campo no intervalo para a entrada do jovem Ewerthon, que marcou um golaço no segundo tempo.

Luxa passou a dar preferência aos pratas-da-casa Ewerthon e Gil, moldando o que seria chamado em 2002 por Carlos Alberto Parreira de “melhor lado esquerdo do Mundo”, com Kléber na lateral, Ricardinho no meio e Gil no ataque.

Foi contra aquele mesmo Santos, de Rincón, Deivid, Caio Ribeiro e Dodô, a “final antecipada” do Estadual, vencida pelo Corinthians por 2 a 1. Paulo Nunes atuou nessa partida, mas perdeu tantos gols que foi substituído aos 10 do segundo tempo por Gil, o construtor da jogada que terminou na pintura de Ricardinho já nos acréscimos. O título veio fácil nas finais contra o Botafogo de Ribeirão Preto, um 3 a 0 e um 0 a 0.

Mesmo com a lesão de Luizão em abril, e com a saída de Ewerthon para o Dortmund após a final do Paulistão, Paulo Nunes não inspirava confiança, já que até ali só havia marcado um gol, contra o fraco Goiânia pela Copa do Brasil. O Corinthians trouxe então outros dois homens de frente: Leandro “Gianecchini” (revelação do Botafogo de Ribeirão Preto vice-campeão Paulista) e Deivid (ex-Santos).

Na Copa do Brasil o Timão foi superado na final pelo Grêmio (e pela crise que culminou na saída de Marcelinho Carioca do clube). Paulo Nunes não chegou a atuar nas semifinais contra a Ponte Preta, nem na decisão contra os gaúchos por conta de uma lesão no joelho direito. Luiz Mário, em contrapartida, fez os dois gols do Grêmio na primeira partida.

A participação no movimento liderado por Ricardinho para o afastamento do Pé de Anjo também não foi perdoado pela torcida organizada, o que fez a pressão aumentar. Ainda assim, o atacante começou o Brasileirão com tudo. Atuou em três jogos em uma semana e marcou três vezes. O que parecia ser uma volta por cima foi somente um último lampejo na carreira de Paulo Nunes.

Sua última atuação pelo Corinthians foi na derrota por 1 a 0 contra o Bahia no dia 26 de agosto de 2001. Após ser barrado pelo treinador o atacante não jogou no empate contra o Gama. Mesmo assim foi hostilizado pela torcida e decidiu anunciar sua saída após 25 jogos e 4 gols. De lá ainda perambulou por Gama, Al-Nassr (Arábia Saudita) e Mogi Mirim, onde pendurou as chuteiras em 2003.

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