sábado, 25 de fevereiro de 2012

Craques: Ole Gunnar Solskjaer

Cara de garoto e futebol de veterano: o norueguês faz parte de um dos períodos
mais memoráveis da história do Manchester United (Eircom.net)
Felipe Portes, @portesovic
De não sei montar um armário, mas sou dono e redator de blog-SP

Conhecido como talismã no Manchester United, o norueguês Ole Gunnar Solskjaer, dono da infame alcunha de "baby face assassin" foi um dos mais célebres atletas da recente história do clube mancuniano. Brilhando em momentos decisivos como na final da Liga dos Campeões em 1999 contra o Bayern, Ole era sempre a opção de Alex Ferguson para entrar no segundo tempo, aposta que quase sempre dava certo e resultava em gols.

Muito veloz e com finalização apurada, sempre conseguia tirar o máximo de cada lance, com inteligência e elegância. Querido pela torcida dos Red Devils, Solskjaer esbanjava talento e carisma, somados ao fato de sua fisionomia lembrar a de um garoto qualquer. Com o tempo e as ótimas companhias de elenco, os gols passaram a sair com naturalidade, em sua maioria com chutes fortes e/ou indefensáveis para os arqueiros rivais.

Iniciou sua carreira em 1990 no acanhado Clausenengen, da sua cidade natal, Kristiansund. O clube era da terceira divisão local e somente quatro anos depois o jovem Ole despertaria o interesse das principais forças norueguesas. Na sua passagem pelo Clausenengen, somou assustadores 115 gols em 109 jogos, mais um ano sem disputar títulos relevantes dentro de seu país seria mesmo uma tragédia. Como destino na elite nacional, escolheu o Molde. Lá, notabilizou-se pela sua ótima média como atacante (31 tentos em 42 partidas). 

Em sua fase de Molde, o talento já derrubava várias barreiras (Wikimedia)
O menino tímido e dedicado ganhou uma chance na seleção da Noruega logo em seu segundo ano de Molde.  A brilhante campanha de uma equipe considerada média se comparada a Rosenborg, Válerénga e até mesmo o Stabaek foi quase em sua totalidade devida ao grande futebol apresentado pelo garoto de Kristiansund. Vice-campeão com dez pontos atrás do sempre campeão Rosenborg, o MFK contava com nomes como Kjetil Rekdal (já veterano e constante presença na seleção), Petter Rudi e o arqueiro Morten Bakke. 

Sem mesmo completar dois anos na Tippeligaen, na metade de 1996 veio a proposta que mudaria a sua vida. Sir Alex Ferguson, ainda não tão lendário à época, queria contar com o futebol da maior revelação do país nos últimos anos. Era mesmo questão de tempo para que arrumasse sua vida nos grandes centros. A vida em Manchester foi muito melhor do que esperava. Convivendo com David Beckham (em início de carreira), Eric Cantona, Roy Keane, Paul Scholes, Ryan Giggs e Peter Schmeichel. Orientado por seu compatriota Ronny Johnsen, se adaptou rapidamente ao clima inglês.

Os primeiros passos no United foram incriveis. 33 jogos e 18 gols marcados e o apelido de "matador com cara de bebê" como o primeiro parágrafo indica. Um raro exemplo de jogador que conquista a torcida por suas capacidades de forma quase que instantânea. A excelente fase e participação no elenco renderam uma convocação para fazer parte dos atletas que iriam para a Copa de 1998 na França. 

Maior momento da carreira de Ole: o gol na final da LC de 1999 (UEFA)
A consagração veio um ano após o Mundial. No Camp Nou, a grande final da Liga dos Campeões do ano de 99 colocou frente a frente Manchester e Bayern. Aos cinco minutos iniciais os germânicos abriram o placar com Basler, de falta, assustando o lado inglês. A vitória estaria próxima, já que a defesa bávara funcionava muito bem, o meio campo conseguia manter a posse e o ataque jogou duas vezes na trave de Schmeichel. 

Aos 45, Giggs pega da entrada da área e chuta. A bola vai torta e encontra Sheringham, que desvia e marca o gol de empate, dando sobrevida ao Manchester no duelo. Nem um minuto depois, Beckham cobra escanteio, o mesmo Sheringham cabeceia e mais uma vez um pé desvia para o gol. Era o de Solskjaer, sempre bem posicionado para vencer Kahn. Uma virada inesquecível, num dos mais épicos encerramentos que a LC já teve. 

No auge, o jovem norueguês desfrutava da fama e do sucesso. Seguia como peça importante no esquema armado por Ferguson e sempre fazendo belos gols. Foi uma grande era para o United, que só seria superada anos depois, com Cristiano Ronaldo no comando. Ole, por sua vez, teve como último brilho a temporada de 2001/02, quando balançou as redes por 17 vezes em 30 oportunidades. 

Assolado por lesões, passou os anos seguintes alternando entre o banco de reservas e o departamento médico. Ficou assim, fazendo raras aparições. Seu último ano com mais de dez jogos foi 2007, justamente quando se aposentou do futebol profissional para assumir o comando técnico das camadas jovens do United. Assinou com o Molde em 2011, para ser treinador da equipe que o revelou. Operando novo milagre, levou o MFK ao seu primeiro título da elite norueguesa, quando comemorava o seu centenário. 


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