sexta-feira, 17 de maio de 2013

Fomos Campeões: A maldição veste roxo

Foto: footbezgranits
Terceiro título europeu do Anderlecht veio com vitórias imponentes contra grandes adversários e numa decisão frente o amaldiçoado Benfica de Fernando Chalana

No início da década de 1980, o Anderlecht representou a Bélgica com honras ao vencer a Copa UEFA em 1983, diante do amaldiçoado Benfica do técnico Sven Goran Eriksson e do meia Fernando Chalana, estrela portuguesa naqueles tempos. Foi o terceiro título europeu do clube, que havia conquistado anos antes a Taça das Taças UEFA (1976 e 78).

Fazendo da sua força o estádio Constant Vanden Stock, o Anderlecht permaneceu invicto em Bruxelas, passando por todos os rivais em seus compromissos realizados lá, quase sempre com uma margem de dois gols.
Foto: Old School Panini
O elenco tinha um leve toque estrangeiro por parte dos dinamarqueses Morten Olsen e Kenneth Brylle, do zagueiro iugoslavo Luka Peruzovic e do traiçoeiro atacante espanhol Juan Lozano. Da parte local que era base da seleção belga que brilharia em 1986, estavam Franky Vercauteren, Ludo Coeck, Erwin Vandenbergh e Alex Czerniatynski. Vercauteren, aliás, era o grande pensador do meio campo de Paul Van Himst. Com ele, o treinador sabia que a tarefa da criação estaria sempre em boas mãos.  

O primeiro desafio do Anderlecht naquela edição da Copa UEFA foi o KuPS, da Finlândia, que nunca teve lá muita tradição no esporte nem mesmo na época de Jari Litmanen. Em dois duelos, os belgas marcaram seis vezes, sendo um 3-0 em Bruxelas e um 3-1 em Kuopio. A partir daí se viu que o elenco de Van Himst entraria para esmagar os adversários jogando diante de sua torcida.

Van Himst conversa com assistente durante treinamento
Foto: UEFA
Massacres em Bruxelas
Pela frente veio o Porto, na segunda rodada. Em ascensão no futebol europeu, os Dragões não foram páreo para o Anderlecht. Sem um padrão definido de jogo e despreparado para lidar com os belgas, a equipe portista apanhou de 4-0 no Constant Vanden Stock, antecipando seu adeus antes mesmo de realizar o confronto de volta, no Estádio das Antas.

Demolido pelo adversário e com uma missão quase impossível de desfazer o desastre, o Porto deixaram o torneio de forma honrosa, batendo os belgas por 3-2, animando sua torcida para os anos que viriam.

Na terceira rodada, o FK Sarajevo de Faruk Hadzibezic, Davor Jozic e Predrag Pasic. E novo massacre belga: 6-1 em Bruxelas, com atuação brilhante de Vandenbergh. Em apenas 90 dos 180 minutos do playoff o Anderlecht liquidou o seu oponente.

Tchau, tchau, Valencia
As quartas de final também representavam grande perigo aos belgas, posto que o Valencia de Mario Kempes e Frank Arnesen seria o adversário nesta fase. Num duro confronto dentro do Mestalla, o Anderlecht saiu com uma vitória de 2-1 e a confiança lá em cima para decidir sua vida em Bruxelas.

Com a corda toda, os meninos de Van Himst impuseram mais uma derrota a Los Che, por 3-1 e assegurando a presença nas semifinais daquela Copa UEFA. A se lamentar pelo lado valenciano, que já tinha deixado o Manchester United, Banik Ostrava e o Spartak Moscou pelo caminho.

Outro concorrente que poderia ter sido duríssimo para os belgas foi o Bohemians Praga, mas os violetas deram cabo dos tchecoeslovacos sem muita cerimônia. Em Praga, no Dolicek, vitória dos visitantes pelo placar mínimo, o que por si já era uma façanha, levando em conta o alto poder defensivo do Bohemians, que levaram apenas oito gols em 10 compromissos.

Sabendo que teria problemas também na volta, em Bruxelas, o Anderlecht tratou de se lançar ao ataque e conseguiu 3 gols num curto espaço de tempo. No apito final, o placar marcava 3-1 para os mandantes, que chegavam a mais uma final continental.

(Fotos: Old School Panini)

Uma final; uma maldição
O Benfica ainda deve enfrentar 50 anos da maldição de Béla Guttmann. E em 1983 isso parecia bem pior. Na sombra de seus grandes anos com Eusébio e Coluna, os Encarnados tinham em Chalana o principal astro de um time equilibrado e que venceu cinco campeonatos portugueses durante a década de 80. Mas na Europa...

O Heysel recebeu a primeira partida da decisão, onde o Anderlecht venceu com um gol salvador de Brylle, de cabeça, aos 29 do primeiro tempo. Bem postado em campo, o Benfica segurou o ímpeto dos mandantes e parecia ser o desafio mais delicado entre os enfrentados pela rapaziada dos Países-baixos.

Com a vantagem mínima para a volta no Estádio da Luz, o desfecho prometia ser com momentos de puro drama. Pressionando como nunca, o Benfica apertou a defesa adversária e chegou ao gol inaugural com Shéu, aos 30 iniciais. Na iminência dos penais, a tensão e a empolgação dos portugueses durou apenas oito minutos.

Juan Lozano empatou aos 38 e sacramentou a conquista do Anderlecht, enterrando os sonhos lusitanos de voltar a erguer um troféu na Europa. 20 anos depois, os Encarnados seguem com a mesma barreira intransponível: a barreira da má sorte.

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3 comentários:

felipe disse...

Amigo Portes, bom texto. Mas explique algo a esse conhecedor raso do futebol europeu: se nessas épocas só o campeão de cada país o representava em nível europeu, como a Liga teve Benfica e Porto nessa temporada?

Abs

Felipe Portes disse...

Fala, Felipe!
Então, o campeão português de 1981-82 foi o Sporting, não Benfica e Porto, respectivamente segundo e terceiro colocados. Aliás, os Leões levaram aquele campeonato por apenas dois pontos de diferença.
Abraços!

Felipe Portes disse...

*Esqueci de fazer o adendo. Logo, Sporting estava na Copa dos Campeões e os outros dois foram para a Copa UEFA.