quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Breitner, 60

Foto: Bundesliga.de
Por Felipe Portes

Poucos jogadores foram tão marcantes para o futebol de um país quanto Paul Breitner. Aniversariante desta segunda-feira, fazendo 60 anos e com o mesmo olhar de quando tinha 30, o ex-meia de Bayern, Real Madrid e Eintracht Braunschweig não mais ostenta o penteado famoso que lhe rendeu a alcunha de Afro-Paule, um blackpower chamativo na era da discoteca.

Nascido em 5 de setembro de 1951 em Kolbermoor, Paul era um talentoso lateral-esquerdo que também fazia as vezes de volante. Em 13 anos de carreira profissional, jogou por oito deles no Bayern, em períodos distintos. (1970-74 e 1979-83) Sua passagem de três anos pelo Real Madrid não foi menos memorável, de 1974 a 77, época de domínio madridista no território espanhol. Breitner teve a companhia de seu conterrâneo Günter Netzer na sua fase no Real. 

Sua fase de ouro inegavelmente aconteceu em 1981/82. Vencedor da Bola de Ouro da France Football em 81 e peça essencial no esquema da seleção alemã de 1982, derrotada pela Itália na final do Mundial na Espanha, Paul fazia o estilo clássico de volante. Com boa chegada, passe fino e agilidade, descobriu talento para marcar em sua derradeira fase no Bayern. Dados apontam que em 146 jogos, Breitner deixou sua marca 66 vezes. Diriam os antigos que era um jogador completo, um cracaço de bola dos mais incríveis, comentaria meu pai, fã confesso de um atleta que compensava com excelente futebol a sua imensa e evidente feiura. 

Foto: Twofootedtackle.com
Fora das quatro linhas
O lado polêmico de Breitner é um dos aspectos mais interessantes de sua vida. Alinhado com movimentos socialistas e tido como rebelde dentro da seleção alemã, pouco jogou pela Nationalmannschaft em função de sua conduta combativa e explosiva. Após insultar o então técnico Helmut Schön e até mesmo seus companheiros, ficou fora dos quadros internacionais da DFB por sete anos, até ser chamado em 1980 e passar mais dois anos vestindo a camisa da Alemanha. Apontado por antigos colegas de profissão como beberrão, Paul também foi comentarista televisivo.

Na mesma linha de comentaristas como Neto, Breitner era objetivo e crítico severo de tendências inovadoras no futebol alemão, assim como fez com o treinador Erick Ribbeck do comando da Alemanha no início da década de 2000. Sem poupar Ribbeck de comentários mais ácidos, frequentemente o ofendia em rede nacional. 

Um dos episódios particulares mais lembrados na carreira de Afro-Paule foi o atrito com Harald Schumacher, ex-lenda no gol da Nationalmannschaft. Schumacher acusou Breitner de exagerar na sua relação com a bebida, o que rendeu uma réplica nada agradável por parte do barbudo, que alegou existirem casos de doping na seleção. 

Títulos
Breitner não é considerado um dos nomes mais importantes da Bundesliga e da seleção germânica à toa. Vencedor da Eurocopa de 1972 e da Copa de 74, não precisou de muitos anos para chegar à glória internacional. Pelo Bayern, conquistou cinco nacionais, duas Copas da Alemanha e uma Liga dos Campeões.  No Real, dois Espanhóis e uma Copa do Rei. 

Aposentado em 1983, Breitner ficará eternamente marcado por seu talento e seu visual de lenhador bávaro. 

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