sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Craques: Robert Prosinecki

Foto: Dasbiber.at
Sempre lembrado como o cérebro da Croácia na espetacular campanha da Copa de 1998, Prosinecki precisou lutar muito para mostrar seu valor nos clubes que passou

Dos fantásticos atletas que surgiram na seleção croata nos anos 1990, Robert Prosinecki é talvez o mais talentoso da sua geração. Filho de um casal iugoslavo instalado na Alemanha em 1969, é de uma das milhares de famílias que ingressaram no país a partir do programa gastarbeiter, uma iniciativa criada pelo governo local para oferecer empregos aos imigrantes. 

Mudou-se para a Croácia, aos dez anos, e pouco depois passou a figurar nas camadas jovens do Dinamo Zagreb, seu primeiro clube como profissional. O debut profissional poderia ter sido melhor aproveitado, não fosse a implicância do até então treinador Miroslav Blazevic.

Dispensado da equipe croata, foi incentivado por parentes a tentar a sorte no Estrela Vermelha. Após conversas sobre o futuro do menino Robert, o tio resolveu juntamente com o diretor do clube, Dragan Dzajic, que levaria o jovem para fazer alguns testes em Belgrado.

Foto: Net.hr
Sem muitas perspectivas no Dinamo e ansioso por mostrar aos críticos que era sim um grande valor no futebol eslavo, Prosinecki encantou os dirigentes e tão logo foi contratado sem que os sérvios pagassem qualquer quantia ao antigo empregador, visto que o contrato havia sido rescindido por vontade do turrão Blazevic, dias antes.

A fulgurante Iugoslávia sub-20
O sucesso não demorou a vir, e em 1987 Robert já era parte essencial de um plantel que cresceu de forma espantosa nos anos seguintes. A primeira grande glória do meia foi justamente no Mundial Sub-20, vencido pela até então Iugoslávia frente a Alemanha, antigo lar. Além da conquista coletiva, foi o Bola de Ouro da competição, coroando uma atuação impecável durante o certame, conferindo um gol e outras tantas assistências e jogadas de efeito.

Prosinecki mostrou cedo a que veio. De perfil clássico, dominava e conduzia a bola como poucos. A facilidade para ludibriar o marcador era evidente. Nos seus anos iniciais, fazia o que queria com a redonda, que a ele obedecia como um filho.

Vencendo três títulos do campeonato iugoslavo e uma Liga dos Campeões em 1991, Robert saiu de Belgrado como uma das maiores promessas do continente para as temporadas que viriam. Ainda em 1991, foi contratado pelo Real Madrid, encantado com os seus serviços na gloriosa caminhada do Estrela Vermelha ao título europeu.

Foto: Fanatik
Decepção na Espanha
Sem muito brilho no clube madrilenho, conviveu com lesões durante três épocas. Apenas 10 gols marcados fizeram com que a diretoria tivesse se arrependido do investimento no croata. Repassado ao Oviedo em 1994, voltou a chamar a atenção dos grandes clubes e em 1995 tomou os rumos do Barcelona.

Pouco decisivo, ficou apenas um ano no Camp Nou antes de escolher o Sevilla como seu último lar na Espanha. Muitos o deram como promessa que não vingou, mas a verdade viria logo depois. Assinando com o Croatia Zagreb (antiga nomenclatura do Dinamo Zagreb) em 1997, teria sua melhor fase adiante.

Uma Croácia assustadora
A base daquele time campeão mundial sub-20 foi a pedra fundamental na belíssima Copa do Mundo feita pela Croácia em 1998. Uma equipe consistente, com muita técnica e um grande artilheiro como Davor Suker. O terceiro lugar na França foi o ponto mais alto já alcançado por alguma seleção que surgiu da dissolução iugoslava. Aliás, a própria Iugoslávia também esteve no torneio e parou nas quartas de final.

Em 2000 deixou o Dinamo e partiu para o Standard Liège, onde não obteve muito sucesso na empreitada e resolveu aceitar o convite do Portsmouth, onde seria lenda uma vez mais antes da aposentadoria. Já aos 32 anos e longe de sua forma ideal, foi crucial para que o Pompey escapasse do rebaixamento em 2001/02. Até hoje é lembrado com honras de herói no Fratton Park.

Desfilou também pelo Olimpija Ljubljana e NK Zagreb, quando em 2004 anunciou que não mais seria um jogador profissional. Tomou o rumo mais comum para ex-jogadores e assumiu o cargo de assistente técnico da seleção croata, em 2006. Em 2010 assumiu a posição de treinador do Estrela Vermelha, onde outrora se consagrou e lá segue até hoje.

Felipe Portes é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é redator na Trivela, além de ser o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol.

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic.

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