quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Descraques: Osmar

Cena frequente de Osmar no Palmeiras: a cambalhota (Lancenet)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Seria mais um jogador normal de clubes do interior paulista, não fossem os gols feitos no Palmeiras na fatídica Copa do Brasil de 2004, pelo Santo André. Natural de Marília, cidade mais próxima de Oriente, terra natal de um certo Marcos Roberto Silveira Reis, Osmar começou sua carreira como atleta do quadro profissional do Rio Branco em 2000. Fazia seus gols vez ou outra, dentro dos padrões do Tigre. 

De baixa estatura, o atacante ganhou destaque por sua velocidade e posicionamento. Era aquele baixinho que  sempre estava no lugar certo para cabecear, tocar de canela ou de bico para dentro das redes. Negociado com o União São João em 2001, fez bons Campeonatos Paulistas até 2004, quando assinou com o Ramalhão, que teria uma temporada incrível naquele ano.

Na Copa do Brasil, o brilho do Santo André seria a maior surpresa das Américas em muito tempo. A equipe andreense deixou o Novo Horizonte, Atlético-MG e Guarani pelo caminho até alcançar o Palmeiras, na fase de quartas de final, um ponto decisivo na história do time do ABC paulista. Valendo pelo confronto de ida, no estádio Bruno José Daniel, um empate eletrizante por 3-3. Tentando se reconstruir do vexame na mesma competição em 2003, frente o Vitória, o alviverde contava com as novas esperanças do retorno à Série A. 

Era uma parada difícil, especialmente para o clube da capital, que tinha sim muito mais a perder do que uma vaga na semifinal do certame. Valia a honra de se classificar em cima de uma grata surpresa. No dia 20 de maio de 2004, em pleno Palestra Itália, Tássio, Sandro Gaúcho(2) e Osmar marcaram os gols do Ramalhão em cima do reformulado alviverde. Marcinho, Correa, Vágner Love e Marcinho bem que tentaram diminuir o estrago, mas a vitória era o único resultado que interessava. 

Foto: R7
Ao fim da partida, Marcos deu suas declarações habituais, criticando a postura do elenco diante do revés. O tímido Osmar foi destaque e bastante procurado pela imprensa, especialmente por ser amigo do goleiro palmeirense. Se ouviu depois um bochicho de que o mariliense ganharia uma chance de figurar ao lado de jogadores como Vágner Love, Diego Souza, Lúcio, Baiano, Nen e Leonardo. Era uma época de vacas magras pelos lados do Palestra Itália e então um dos algozes naquela noite do dia 20 de repente virou solução para formar a dupla de ataque escalada por Jair Picerni. 

Se apresentou no CT da Barra Funda após a Copa do Brasil, vencida pelo Santo André de forma épica em cima do Flamengo, no Maracanã. Os louros da vitória caíram sobre os ombros do veteraníssimo Sandro Gaúcho. Além do título inédito, os andreenses se credenciaram para disputar a Libertadores de 2005, por um acaso caindo no mesmo grupo dos palmeirenses.

Osmar então iniciou sua trajetória num time grande. No meio de um plantel limitadíssimo, conseguiu a titularidade e mostrar o seu valor. Ao final de 2004, entretanto, já contestado, foi tentar a sorte no Grêmio, coincidentemente também se reestruturando após a queda para a Série B. Sem conseguir uma mínima sequência no tricolor gaúcho, foi repassado ao Monarcas Morelia. Mostrou que aquelas atuações na Copa do Brasil eram mera faísca.

Como no México é mais fácil virar lenda (que dirá Lúcio Flávio, o Pelé branco do Atlas), o nosso descraque de hoje aprontou das suas e deitou e rolou no FLORINDÃO por um ano. Passou pelo Oita Trinita em 2006 e por lá foi ídolo antes de voltar ao Palmeiras, onde teria uma chance real de mostrar que não era mais um sonho de verão. A redenção não viria tão rápido, Osmar ainda foi emprestado ao Fortaleza até que pudesse reintegrar o grupo do Palmeiras. 2007 seria um ano complicado pelos lados da Barra Funda. 

Foto: IG
O setor ofensivo palmeirense estava assaz inchado naquele ano. Edmundo, Osmar (titulares) alternavam com Florentín, Max, Cláudio, Luis, Cristiano, Alemão (que faleceria num acidente de carro em meados de julho), Alex Afonso, Luis Henrique, Rodrigão (!) e Beto, jovem da base. Se a torcida teve alguma felicidade naquele ano foi a vitória no clássico sobre o Corinthians, por 3-0, com atuação fenomenal de Edmundo. De resto, tudo descarrilhou num grande desastre.

A começar pela morte de Alemão, o 2007 foi nebuloso. Perdendo a vaga nas semifinais do Paulista para o Bragantino, no respiro final, a equipe de Palestra Itália ainda perdeu a chance de disputar a Libertadores de 2008, escorregando por dois pontos e deixando o Cruzeiro como último qualificado. Osmar embarcou na onda de azar e se lesionou pouco depois de Alemão, em maio. Os dois conviviam bem no Departamento médico e em meados de junho, nosso Descraque cometeu a maior gafe de sua carreira. Em entrevista, afirmou que travaria uma "competição sadia" com o amigo afim de retornar antes aos gramados, e que certamente poderia jogar antes. Bem, o desenrolar vocês já sabem, Alemão nunca mais vestiu a camisa de um clube profissional...

Osmar, bem vivo, graças a James Brown, voltou em 2008. E no ano do primeiro título estadual, taça que o Palmeiras não levantava desde 1996. Para o atacante, a temporada poderia ser resumida em banco, banco, banco, 5 minutos finais, gols cagados e cambalhotas, sua marca registrada. Sem impressionar ninguém da alta cúpula, foi emprestado ao Vitória, ao fim de 2008. Encostado em sua passagem pela Bahia, retornou à São Paulo para 2009 e amargou não ser relacionado para nenhuma partida pelo Palmeiras.

Desde 2010 transita entre clubes menores do interior de São Paulo, entre eles o União São João, Americana e Marília. Atualmente joga pelo mesmo União São João, talvez o único clube de todos que realmente precisou dos seus serviços. Não há registro de nenhum palmeirense, baiano, japonês, mexicano ou andreense que sinta a sua falta. É, Osmar, a vida não é só cambalhotas.



*Sim, Osmar está dando uma cambalhota na imagem, mas quem entenderia se a figurinha viesse de cabeça para baixo?

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