quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Desafortunados: Adrianinho

Foto: Olheiros
Felipe Portes, @portesovic

Adrianinho era um meia dos ariscos, revelado na Ponte Preta em meados de 1998. Neste ano, a Macaca montava um elenco repleto de futuras promessas do futebol nacional, tal qual Luís Fabiano, Fábio Luciano, Mineiro, Washington e Regis Pitbull (só que não), além de figurões do passado. Para se ter uma noção, Sergio Baresi, Ronaldão, Ezequiel (ex-Corinthians), Wagner Mancini e Sandro Gaúcho também foram contemporâneos do rapazote protagonista desse texto. Falta de referências na carreira não pode ter sido a razão para tamanho insucesso.

Sondado para defender a seleção austríaca (seu pai é nascido lá), chegou a aceitar o convite da federação, mas sabe James Brown por qual razão nunca disputou uma partida pelos conterrâneos do Schwarzenegger, mas enfim. Despontou no clube campineiro como bom valor do meio campo. Aquele lance lá de ter boa visão de jogo, passe preciso, agilidade e boa condução de bola. 

Fato é que Adrianinho tinha a receita para ser um jogador de sucesso, mas não foi bem assim que procedeu. Ficou na Ponte até 2003, quando já não podia mais permanecer em um clube considerado médio no cenário brasileiro. Era a hora de tentar a sorte nos titãs nacionais, e foi o Corinthians quem fez a proposta para tirar o nanico do Moisés Lucarelli. 

O ano de 2004 seria assaz estranho para a equipe de Pq. São Jorge no Paulistão, a competição que marcaria a chegada de pequeno Adriano ao Timão. Derrotas inexplicáveis, atuações horrendas e o quase rebaixamento, evitado ironicamente pelo São Paulo, que venceu o Juventus na rodada final e mandou o Moleque Travesso para a segundona estadual ao invés do alvinegro.

Fábio Costa, Dinelson, Regis Pitbull e Adrianinho: promessas,
 só que ao contrário (UOL)
Com as pompas de um plantel que na teoria seria competitivo, aqueles vinte ou mais nomes que prometiam alçar altos vôos, acabaram por naufragar e até pior, cada um dos que foram tidos como talentos para o futuro nunca mais conseguiram ser reconhecidos na carreira. 

Adrianinho não ficou nem seis meses no Corinthians e arrumou suas malas rumo ao Pará, para jogar pelo Paysandu. Se fosse possível descrever a sensação do torcedor corintiano ao vê-lo em campo, ela seria mais ou menos assim: sai daí, menino, sai daí! Toca essa bola, olha o ladrão, faz o g... SAI DAÍ, MENINO! - isso para não citar os palavrões, claro.

Renegado, Adriano foi tentar a sorte no Papão. Não deu. Voltou a ter uma chance em um time das massas e acertou com o Flamengo, em 2005. Nem. Aí rolou uma tentativa no Vila Nova, ainda no mesmo ano. É... não. Como medida desesperada, assinou com o OFI da Grécia. Pooooxa, não foi dessa vez.

2006, ano de Copa, aquela coisa bonita, vamos tentar achar um rumo novo pra carreira desse garoto, pensaram os empresários. Voltou à Goiânia para jogar pelo Vila Nova. Deu não, meu nego. Resolveu então ir para o Ipatinga. Mas como assim, não deu certo de novo? Ah, danado. Daí vamos então tentar colocar ele no Vozão. Ceará 2007 era o projeto de redenção do moço de Jundiaí.

Agora vai! Não foi. Repassado ao Brasiliense, finalmente pequeno Adriano encontrou o seu lar. Finalmente "casou" com o Jacaré e por lá se instalou. Referência no meio campo do clube candango, é presença constante na equipe titular e não pensa em deixar a cidade tão cedo, já que Brasília lhe acolheu como nenhuma outra antes quis. Aos 31 anos, sem 10% da fama que poderia ter se tivesse desempenhado bom papel em Corinthians ou Flamengo, o meia finalmente está em paz. Paz demorada essa, heinhô Batista?

Nenhum comentário: