sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Mais que um ídolo

(Foto: SporTV)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Você aí que chegou agora, já vem com olhos e mente armados com rivalidade e possíveis rancores com a figura da foto acima: pare. Você que já traz consigo o ideal de que cada clube deve ter o seu ídolo e que jamais devemos reverenciar jogadores dos rivais, também pode parar por aí. 

Para qualquer torcedor comum, que não o palmeirense, Marcos Roberto Silveira Reis foi um grande goleiro, cidadão pacato do interior de São Paulo (Oriente, cidade acanhada perto de Marília, a capital do biscoito), além de figura dotada de sinceridade e acidez que estão cada vez mais raras no esporte, tamanha -e irreversível- comercialização do mesmo. 

No entanto, para a massa palestrina (que está se diminuindo cada vez mais com os protestos infames e nojentos de uma organizada qualquer), SÃO MARCOS representa muito mais do que uma camisa 12 imortalizada na sala de troféus do clube, inativa e sedenta por novas glórias. Era um estandarte dos tempos que mais pudemos comemorar, uma figura que representava o espírito aguerrido e vencedor que um dia tivemos. Original como sempre ousou ser, o goleiro permaneceu inabalável e absoluto como referência nos elencos que passaram pelo Palmeiras durante estes últimos dez anos.

Com ele ali debaixo das traves, aprendemos a confiar de que não tomaríamos tantos gols, que todo jogo teria um milagre e por vezes até um cafezinho. Durante a fase mais lamentável da história do clube, Marcos soube se portar como um ícone que se importava com a crise, que tinha o necessário para ajudar o Palmeiras a sair da lama. Acima de tudo, personalidade. Dá para frisar que nenhum outro atleta que passou pelo Palestra nos últimos 40 anos teve tanto carisma e prestígio, figurando ao lado de gênios como Ademir, Dudu, Leivinha, César, Luis Pereira, que foram soberanos num tempo em que poucos ousavam desafiar o Santos de Pelé, o Inter de Falcão ou o Flu de Rivellino. 

Ele estava lá, o tempo todo. Não se abateu com um 7-2 humilhante em que falhou de forma memorável, com um Mundial perdido, um ASA surpreendente, dentre outras partidas que o palmeirense tenta esquecer sem sucesso. Ultimamente, as lesões foram cada vez mais cruéis com o homem que não media esforços para continuar em campo, diante de várias adversidades.

Marcos ensinou que ficar onde você ganhou notoriedade e fazer história é mais importante do que ser seduzido pelos milhões que a Europa e Ásia oferecem. E exatamente por sua fidelidade e dedicação ao escudo palestrino que virou Santo, mais ainda do que pelos milagres realizados dentro de campo. 

A tristeza da torcida não se deve somente ao fato de Marcos estar se retirando da profissão que o consagrou. Até mesmo porque eles já estavam se preparando para essa ocasião desde 2008, quando o arqueiro acenou a primeira vez com a possibilidade da aposentadoria. O que dói mesmo é saber que nenhum outro que vá chegar no futuro vai corresponder de forma satisfatória o papel que ele prestou todos estes anos. 

Ao insubstituível dono da meta alviverde, o doloroso adeus e o muito obrigado por todas as alegrias.




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