segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Craques: Allan Simonsen

Simonsen elevou o futebol dinamarquês no cenário internacional
(Foto: UEFA)
O único dinamarquês a ter conquistado o troféu de Bola de Ouro não é um dos irmãos Laudrup, por incrível que pareça. Na década de 1970, um furacão chamado Allan Simonsen passou por Vejle, Borussia Mönchengladbach, Barcelona e Charlton

Allan era apenas um jovem nanico quando em 1971 começou sua carreira no Vejle. O futebol dinamarquês não era nem de longe o celeiro de talentos como foi na década de 1990. Aquele pequeno menino, de apenas 1,65m despontava como um talento incrível, elevando o status daquela equipe que estava nas cabeças danesas desde a década de 1950, com a conquista da liga nacional em 58. Allan era apenas uma criança, quando viu o primeiro Vejle campeão, mas superaria este feito de seus ídolos quando chegasse a sua hora.

Logo no início de sua curta estadia no clube, Simonsen conquistou o campeonato dinamarquês em 1971 e 1972, além da Copa dinamarquesa em 72, como coadjuvante de um forte elenco que poderia facilmente começar uma hegemonia local. No segundo ano como profissional, já estourou para os grandes centros. O seu estilo de jogo muito lembrava o de Kenny Dalglish, combinando velocidade com excelente controle da bola e claro, dribles curtos e letais.

Assinou já em 1972 com o Mönchengladbach e teve dificuldades para se adaptar ao elenco dos potros. Ganhou notoriedade e uma vaga nos 11 iniciais apenas em 1974, aproveitando cada minuto que tinha em campo. Em 34 aparições, marcou 18 gols e deu assistência para muitos outros. Ganhou sua primeira convocação para a seleção da Dinamarca ainda em 1972.

Foto: Lvironpigs.com
Os potros de Simonsen
Conquistou a Copa da Alemanha pelo Borussia em 1973, fazendo por merecer o ingresso para figurar no quadro principal de atletas. Já em 1975 conduziu o M'gladbach ao título da Bundesliga. A força dos germânicos era tanta que também levantaram uma Copa UEFA, vencendo a final por 5-1 em cima do Twente.

Inevitavelmente Allan se tornou o principal nome da Dinamarca naquela e na outra década que viria. Nenhum outro (além dos Laudrup) conseguiria fazer surgir mais uma potência no cenário europeu. E com muita competência, ele deu o primeiro passo no longo trabalho que resultaria na conquista continental dos daneses em 92, sobre a Alemanha.

Derrota dolorida para o Liverpool na Copa dos Campeões
O biênio de 1976/77 foi certamente o mais glorioso que Simonsen poderia ter na vida. O Borussia alcançou a final da Copa dos Campeões contra o Liverpool, aquele lendário grupo que dominaria a Europa nos anos 80. O dinamarquês foi valente, mas ao lado de seus colegas, não conseguiu resistir aos poderosos Reds. O 3-1 dos ingleses foi fatal para as esperanças dos alemães.

Mais do que os troféus no museu do clube, Simonsen foi contemplado com a honraria maior para um jogador de futebol. O prêmio de Futebolista do ano de 1977 foi o único que um atleta dinamarquês conseguiu em toda a história, o que ajuda a dimensionar um pouco a importância que ele tinha para o crescimento e a popularização do esporte em seu país. Era um talento quase que pioneiro, batendo os lendários Kevin Keegan e Michel Platini na votação final para a condecoração. Nessa época ficou conhecido como El Simonet, numa alusão a Claude Monet, pintor impressionista francês.

O primeiro dinamarquês em Barcelona
Foram dois anos mais para que ele se decidisse por deixar os potros, numa transferência para o Barcelona. Deixou no M'gladbach a herança de três salvas de prata, em 1975, 76 e 77, sem falar nas duas Copas UEFA em 75 e 79. No Camp Nou, foi imediatamente um sucesso, com a artilharia dos blaugrana em 1980, quando ficaram num frustrante quarto lugar em La Liga. Ajudou os culès a vencer a Copa do Rei em 1981.

Allan em sua rápida passagem pelo Charlton
(Foto: CAFC Digital.co.uk)
Chegado ano de 1982, o Barcelona investiu em Diego Maradona e o número limitado de três estrangeiros (com apenas dois podendo ser relacionados), Simonsen sentiu que perderia espaço e preferiu procurar outro lugar para seguir sua carreira.

O primeiro flop
Chocando a todos, escolheu o Charlton, que estava na segunda divisão. Lesionou-se e teve problemas com salário, além de desentendimentos com a diretoria e voltou ao Vejle, menos de seis meses depois de jogar nos Addicks.


O ponto de ruptura aconteceu em 1984, durante a Eurocopa. Simonsen quebrou a perna numa dividida com Le Roux, da França. Os daneses ainda foram para as semifinais, onde perderam para a Espanha, finalista e vice-campeã do certame.

Pelo seu tão adorado Vejle, assistiu quase que do lado de fora a campanha do título nacional. Permaneceu lá até 1989, quando aos 37 anos abandonou o esporte. Até foi convocado para a Copa de 1986, mas mal entrou, passando o bastão para uma geração genial que conquistou aquilo que ele sempre almejou...

Felipe Portes é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é redator na Trivela, além de ser o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol.

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic.

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