segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Ano perdido, ano ganho


João Paulo Borgonove, @Borgo_
De Pedreira-SP

Corinthians

O ano
Como sempre, foi bem difícil. O gordo, no fim do ano passado, falou que não era um problema. Mas foi. Foi um problemão. Tolima. Colômbia. Repescagem. Zero a zero em casa. Pior que o resultado, só o jogo. Pior que o jogo, o gordo. Dois a zero pra eles lá nas ricas terras do café que é melhor que o nosso. Já era o ano. Acabou.

Não. O ano seguiu. Paulistão. Um bom Paulistão. Derrubamos todos. Quase todos. Faltou o time do menino de ouro. Não deu. Perdemos a competição, mas perdemos de cabeça erguida. Foi bonito. São Jorge Henrique jogou mais que podia. Ronaldo jogou menos que se podia imaginar. Aposentou. Tirou um peso inimaginável das costas do time. Do Tite.

Campeonato nacional de futebol do Brasil, o Brasileirão. Dez jogos. Um empate. NOVE VITÓRIAS. Nove vitórias. Cinco a zero no segundo maior rival. Quebra de invencibilidade. São Paulo tava voando. E voou a invencibilidade deles.  Éramos imbatíveis. Éramos.

Décima segunda rodada. Cruzeiro. Pacaembu. Rodamos. Deu TILTE nas asas. Aí começou a fase nebulosa. Júlio Cesar trincando o dedo, guerreiro. Seguiu no tal jogo. Saiu. Renan não aguentou o baque. Danilo deu conta. Voltou o GUERREIRO DOS BRAÇOS CURTOS. O único curintiano do time.

Mais lesões vieram. E de tropeço em tropeço nóis ficamo em pé, sempre lá no alto. Sempre lá na dianteira. E sempre estivemos lá por jogos épicos. Duas viradas em cima do galo de Minas. Duas viradas lindas, bem curintias. Dois a zero pros caras lá em Minas. Acaba o primeiro tempo. Volta. Diminui. Empata. VIRA. Coisa linda. Coisa espetacular.

Chicão em má fase. Tite peitou e afastou. Problema resolvido.Reta final. O time a ser batido. A caça. Maioria dos jogos contra times que lutam pra poder continuar lutando no próximo ano.

GRANDE AMÉRICA DE MINAS COELHÃO DO MAL. Perdemos. Mas ainda estávamos na dianteira. Atlético do Paraná. XEIQUE DAS ARÁBIAS TERRAS LONGÍNGUAS Ceará. Gol no final. Muito no final. CATITO RAMIRES IMPERADOR INCA. Segunda virada no Galo. IMPERADOR REDONDO PAPUDO AMOR. PAULINHO, O MESTRE SUPREMO DA VOLÂNCIA OFENSIVA. Figueira. Nova vitória. De ALEX CZAR MOSCOVITA pra LEVEZINHO O DELÍRIO DA FIEL.

É CAMPEÃO PORRA. 

Era campeão, porra. Gol do time das caravelas no final do final, lá no MAR AZUL. Ficou pra última rodada.

Semana tensa, demorada. Semana que passou. Domingo, dia mundial do futebol. Domingo é dia de título, bebê. Domingo que começou com tristeza. Foi-se o ídolo, foi-se o VERDADEIRO JOGADOR DIFERENCIADO. A vida cobra caro pelo passado. Mas quanto mais caro ela cobra, mais valiosa é. O Corinthians, a partir das quatro e pouco da matina, tinha a OBRIGAÇÃO MORAL E HISTÓRIA E HONROSA de ser campeão. A obrigação esportiva já tinha desde aquele monte de jogo invicto. 

O dérbi
O ALVIVERDE EX-IMPONENTE tava babando pra jogar uma pedra de gelo em nosso mais puro uísque. (E quem coloca gelo em uísque é tudo filho da puta.) Quase chegou lá por várias vezes. Deve ter matado meia dúzia de fiéis. O coração já tava baqueado e foi cada susto que, minha nossa, foi TENSO. Mas MAGO VALDIVIA, O ÍDOLO INJUSTIFICÁVEL, ajudou. Deu uma de Valdivia e foi expulso após uma chegada mais forte no SÃO JORGE HENRIQUE. Aliás, como os ponta-esquerdas do Corinthians apanham, heim? 

Depois saiu mais treta, teve mais jogador expulso -- coisa de jogador (e não time) pequeno que não sabe perder -- e assim foi. O jogo de cá nem tinha acabado e o bando de loco já comemorava o penta. O jogo de lá já tinha acabado -- e em empate. É CAMPEÃO PORRA. Festa linda, enredo triste. DOUTOR SÓCRATES DEMOCRATA BRASILEIRO, esse foi pro senhor. Em sua honra, copos ao alto e uns goles pra comemorar. Muitos goles pra comemorar. 

E chute no ar dá ÁGUA NO JOELHO, só pra avisar. 

Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Palmeiras
O ano
Foi um ano de merda pro Palmeiras. Do começo ao fim. Lá nos idos de fevereiro, eu dizia que seria um 2011 tenebroso. Poucos escutaram. O Paulistão foi a primeira prova de que Felipão não conseguiria ir longe com um elenco mais limitado que perneta em São Silvestre. Perdemos até de forma honrosa nos penais pro Corinthians, mas perder com honra nunca apagou nenhuma derrota na história da humanidade. O perdedor sempre foi só o perdedor.

O início no Brasileiro foi completamente ilusório. Resultados até que expressivos para um grupo desunido e que estava às beiras do caos, uma morte anunciada. A morte veio nas picuinhas criadas por Kléber, que procurou a todo momento se desvencilhar do manto alviverde e fez por onde. Nisso, descobriram que ele já foi integrante da Gaviões, que forçou lesões (até inventou algumas) em prol de uma transferência que ele devia fomentar há algum tempo.

Kléber à parte, o resto também não era no mínimo aceitável. Passamos por maus bocados na Copa do Brasil diante do histórico Coritiba e fraquejamos rodada a rodada com esse bando de jacarés sedentos por dinheiro. Pouquíssimos podem ser lembrados como exemplos de hombridade, como Deola, Assunção, Henrique e claro, São Marcos. Márcio Araújo até tentou figurar neste seleto grupo, mas demonstrou ser fraco de espírito, ao menos por agora.

O Palmeiras se acostumou a ser um time mediano, que se contentava com empates contra equipes mal posicionadas na tabela, perder jogos contra grandes e tentar encontrar razões para o insucesso, a vergonha. Incrível associar a tão irrelevante personalidade, mas fato é que o Verdão melhorou após a saída do traidor #30. As rusgas com Filippone cessaram e se vê que os atletas parecem mais leves, mais focados. 

A reta final desse campeonato mostra que o espírito é outro, veja só, ganhamos até do Bahia. O dérbi contra o São Paulo era um duelo de derrotados em que nós obtivemos êxito. Contudo, o que importa mesmo pra fechar 2011 é esse clássico contra o possível campeão...

O dérbi
Nos últimos minutos do Brasileirão, a tendência de um ano desgraçado se repetiu. Palmeiras dominou, teve posse de bola superior, até deu bons passes, mas pecou nas finalizações. Gerley não conseguia segurar a redonda na esquerda, Valdívia fez totalmente o contrário e Patrik se encarregou de chutar ao gol.

Logo cedo no domingo ficou difícil pensar nas palavras que eu escolheria para o texto, com o baque da partida do Magrão. De alguma forma que ainda não sei explicar, aquilo me afetou bastante, mesmo sempre tendo sido palmeirense. Justamente por não ter nenhuma palavra em especial, sinto que o título está nas mãos certas, afinal. Doutor era uma figura importante, não só um mero jogador.

Não dá pra dizer que deu desgosto. Foi um jogo interessante, apesar de não valer nada além de uma possível carimbada na faixa corintiana. Bem verdade que a frustração de não ter saído de campo com a vitória dói. Mais verdade ainda é que ela não adiantaria de nada para impedir o triunfo alvinegro. Contudo, do fundo do coração, parabenizo os rivais do Parque São Jorge. Sem mais.

2 comentários:

Edno Franco disse...

Muito bom.

Só uma observação: O IMPERADOR REDONDO PAPUDO AMOR fez o gol da virada contra o Atlético de Minas, não contra o do Paraná, como ficou sub-(?)entendido.

Felipe Portes disse...

opa, devidamente corrigido, Edno! Agradeço!