domingo, 18 de dezembro de 2011

Descraques: Kily González

Você acha que Kily pensa na jogada, mas ele está bolando
um plano para quebrar o adversário (Hinchas Rosario Central)
Murillo Moret, @moret_
De São Paulo-SP

Ter triênios vitoriosos no Valencia e na Internazionale no currículo é louvável. E não? Jogar ao lado de Aimar, Ayala, Vicente e Cañizares até a chegar à decisão da Liga dos Campeões. Ou então de Zanetti, Gamarra, Emre, Recoba, Figo e Adriano e conquistar quatro títulos na Itália. Só que estamos falando de um descraque, e ele é Cristian González.
Kily saiu da mesma categoria de base que Mario Kempes, bomber que foi artilheiro do Mundial vencido pela Argentina em 1978 e fez história no Valencia no início da década de 80. Apesar disso, seu grande ídolo sempre foi Omar Palma, exímio meio-campista histórico do Rosario Central. Com 19 anos fez sua estreia como profissional n’Academia rosarina. Depois da derrota no debute para o Gimnasia por 2 a 0, foram mais 50 partidas e sete gols. Boa média para um meio-campista com duas décadas de vida.
Em 1995, Jorge Valdano estava em sua segunda temporada como técnico do Real Madrid. O futuro diretor geral do clube merengue tentou fechar com aquele argentino rápido e incisivo. O problema é que Valdano bateu de frente com o interesse de Diego Maradona – e do treinador Carlos Bilardo -, que gostaria de Kily no Boca Juniors. E foi exatamente por Pibe que o jogador assinou com o time da capital. Uma temporada depois, no entanto, 375 milhões de pesetas (2,25 milhões de euros) levou o meia ao Real Zaragoza.
Na região de Aragón, Kily González se tornou um dos melhores pontas canhoto da Liga. Ele sabia nada sobre o futebol espanhol – nem mesmo sobre o Real Madrid – quando firmou contrato com o Zaragoza. Em três anos, os 15 gols não foram suficientes para ganhar o primeiro título da carreira. Felizmente, para o argentino, ele estava chegando. Foi na temporada de 2001-02, quando se juntou com Aimar, Ayala e Cañizares, que Kily venceu a Primeira Divisão. Temporada sem goleadas, mas regularíssima: 75 pontos contra 68 do vice-líder La Coruña. A Liga dos Campeões ficou no quase, pois o Valencia foi eliminado nas quartas pela Internazionale.
O único título consolidou Kily González como o que já era – um dos melhores pontas-esquerdas. O problema do jogador é que ele podia iniciar uma jogada brilhante e terminar com uma confusão que, muito provavelmente, receberia um cartão vermelho. Ágil, inteligente, agressivo. Uma bomba prestes a estourar.
Mesmo assim ele foi à Copa do Mundo de 2002 e ainda ganhou – no campo – a medalha de ouro com a Argentina em 2004, nos Jogos Olímpicos de Atenas. À época, o hermanito já atuava em solos italianos. Hector Cuper, ex-técnico do Valencia, resolveu levá-lo para a Inter. O tempo do treinador foi curto: demitido em outubro, foi precedido por Alberto Zaccheroni. O comando foi trocado na temporada seguinte, Roberto Mancini preteria Kily e ele voltou à Argentina em 2006.
Teve tempo de atuar pelo Rosario na primeira divisão, antes de rumar ao San Lorenzo. Voltou ao clube do coração na Segundona, mas uma lesão quase o fez pendurar as chuteiras neste ano de 2011. Ainda não o fez. Estaria este fato próximo de acontecer? Em abril último, Cristian González foi afastado do time principal. Prelúdio.

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