terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ceará, tua glória é lutar

Osvaldo em partida contra o Grêmio no Presidente Vargas: grande talento do Vozão (Lancenet)
Sérgio Botarelli, @SBotarelli
De São Paulo-SP

O final de 2010 foi satisfatório. O Ceará cumpriu o que pretendia e terminou um campeonato bom, para quem acabara de subir. Isto já anunciou o início espetacular de 2011. Campeão da primeira fase do Cearense invicto, o Ceará já tinha se classificado para a finalíssima, contra o campeão do segundo turno. Como não poderia ser contra o próprio, o Vozão levou o Cearense do modo que o povo local gosta de dizer: arrastão. Campeão do primeiro e do segundo turno com autonomia e goleada na final: 5 a 0 sobre o Guarany de Juazeiro.

Sob comando de Vagner Mancini e os veteranos Geraldo, Fernando Henrique e Iarley dentro de campo, o Ceará fez uma campanha surpreendente na Copa do Brasil. A alma do time se mostrou forte na vitória sofrida e no último minuto sobre o Brasiliense, no ainda ativo Castelão. O gol? Foi do, até então, xodó da Cearamor: Nicácio.

Depois de eliminar o Flamengo, o Ceará chegou à sua 2ª melhor campanha em Copas do Brasil (na melhor perdeu a final para o Gremio) e tinha pela frente um time que vinha destruindo desde o estadual, o Coritiba. Um empate em Fortaleza e uma derrota em Curitiba eliminaram o Vozão da Copa do Brasil...sob aplausos de todos.

Mas algumas coisas mexeram no time do Ceará, algumas despensas. Iarley perdeu espaço no time e preferiu sair, voltou para o Goiás. Geraldo ficou no banco até onde agüentou e partiu para o Vitória. Nicácio teve desavenças e foi afastado por um grande período. Não condeno o Mancini, por compreender a má fase dos três jogadores. Mas houve sim uma desestabilização no time, que tinha os três como os alicerces, mesmo no banco, por incrível que pareça.

Entre vitórias e derrotas, o Ceará ia se mantendo na 12ª colocação, nada mais que isso. Para o presidente, insuficiente. Mancini demitido. A maior besteira feita sob comando de Evandro Leitão, por ingenuidade e não por incompetência. Por pressão de uma torcida exigente e não por sacanagem. O ano do Ceará acabara ali. A contratação do já desgastado Estevam Soares (que já tinha uma passagem pífia e derrotada pelo Ceará) só piorou as coisas em Porangabuçu. Derrotas atrás de derrotas levaram o time à zona de rebaixamento. A dependência de um só jogador, Osvaldo, fez do Ceará um time previsível e presa fácil para os adversários. A vitória sobre o Gremio, no Olímpico, reascendeu a força que precisava para escapar.

Mas como “adversário de fuga” tinha um grande do futebol brasileiro. E o empate em casa com o Cruzeiro rebaixou, moralmente, o Vozão para a série B. Já que, meio anunciada, a entrega do jogo (digo com a boca cheia: ENTREGA DO JOGO) ao Cruzeiro por parte do Atlético-MG, na última rodada, só consolidou aquilo que já vinha sendo anunciada a muitos jogos, sendo fortalecido com a derrota para o Bahia, no Pituaçu.

É triste ver uma torcida apaixonada, que ama, que acompanha, que não desiste e que não abandona chorar por uma queda. Mas a Cearamor não vai largar o osso tão fácil. O Ceará, agora, já tem experiência suficiente para fazer com que o ano de 2012 prometa muito para a torcida. O ano acaba triste, porém confiante para o futuro. Ceará tua glória é lutar!

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