quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Craques: Kenny Dalglish

Maior ídolo da história do Liverpool, Dalglish voltou ao time
 principal dos Reds como técnico (Foto: Daily Mail)
Dalglish marcou época como símbolo do Liverpool que ganhou tudo na Europa nas décadas de 1970 e 80: vindo do Celtic, é tido por muitos como a maior lenda que já pisou em Anfield

Kenneth Mathieson Dalglish era só um escocês baixinho nos idos de 1968, quando virou profissional no Celtic. Reza a lenda que na ocasião em que o técnico dos bhoys foi até a residência dos Dalglish, na vizinhança de Dalmarnock, em Glasgow para conversar sobre o futuro do pequeno Kenny. Na oportunidade, a criança correu para o seu quarto, no afã de retirar o pôster dos Rangers que tinha em sua parede. 

Assinando com os hoops, foi inicialmente emprestado ao Cumbernauld United, onde faria um ano bom, voltando em 1969 ao Celtic Park para enfim começar sua trajetória gloriosa no clube. 69, diga-se de passagem, foi um ano decisivo pelos lados de Liverpool, quando os quatro rapazes mais famosos da cidade decidiram por se separar como uma banda, gravando seu último disco, o Abbey Road. 

Foto: Hoops fan club
O Kenny dos Hoops
Kenny esperou até 1970 para virar titular e não fez pouco em seus primeiros anos. Somou 88 tentos em três temporadas, se tornando um dos maiores atletas do clube em curto espaço de tempo. Venceu quatro Campeonatos escoceses (1972, 73, 74 e 77), quatro Copas escocesas (1972, 74, 75 e 77) além de uma Copa da liga escocesa em 1974. 

Também não demorou até que fosse chamado para a seleção escocesa, o que aconteceu pela primeira vez em 1971, contra a Bélgica, em partida vencida pelos homens de kilt por 1-0, nas Eliminatórias para a Euro 72, que foi sediado em território belga.

Após uma era completamente bem sucedida no Celtic, Kenny foi contratado pelo Liverpool para substituir Kevin Keegan, de partida para o Hamburgo. Nunca que os dirigentes dos Reds imaginariam que aquela contratação, ainda que fosse caríssima para os padrões da época (440 mil libras) fosse dar tanto resultado. O treinador Bob Paisley começava uma caminhada impressionante no comando da equipe, que conquistaria a Europa durante a década de 80.
Foto: The hard tackle

Uma era de absoluto sucesso em Anfield
Sua estreia foi no dia 13 de agosto de 77, contra o Manchester United, durante o Charity Shield. Marcou um gol e precisou de poucas atuações para conquistar a confiança da torcida, que não teve tempo de sentir saudades de Keegan. Aquele escocês de baixa estatura faria seu melhor, o que nunca foi pouco durante 13 anos como jogador profissional.

Foi importante para a vitória na Supercopa UEFA, em cima do Hamburgo de Keegan, com direito a um 6-0 na segunda partida realizada no Wembley. E naquele ano em especial, o Liverpool foi brilhante em cima do M´Gladbach, levantando sua primeira taça europeia no Olímpico de Roma.

Participou de forma efusiva das Copas de 1974, 78 e 82, com amplo destaque para 74, onde os scots venceram a Holanda por 2-1 na primeira fase, ainda que não avançassem no certame. Entrou em campo oito vezes ao todo pela seleção escocesa em Mundiais.

Mais do que os seis campeonatos ingleses vencidos à frente dos Reds, (1979, 80, 82, 83, 84 e 86), Kenny foi um marco de talento e vitórias no ataque do Liverpool, principalmente depois de formada a dupla com Ian Rush. Era realmente difícil impedir o camisa 7 de progredir no campo. Rápido, com passes conscientes e finalização quase perfeita, acostumou os torcedores a gritar seu nome, inflamados pelos seus incontáveis gols.

Foto: Telegraph
Taça atrás de taça
Os anos 80 consolidaram o Liverpool como grande time da década, além de Dalglish, Rush, Souness e Hansen como principais nomes no futebol internacional. Outro momento memorável daquele grupo foi na Copa dos Campeões da Europa em 1984, no mesmo Olímpico de Roma. Um dramático empate no tempo normal frente a equipe da casa, uma decisão por penalidades e a mitificação de Grobelaar, que abusou da malemolência para intimidar os romanistas.

Eleito como Futebolista do ano em 1979 e 83, King Kenny virou a maior referência do clube, fora da Inglaterra. Capaz das jogadas mais espetaculares e de propiciar vitórias inacreditáveis, o atacante passou a assumir o cargo de treinador/jogador do Liverpool em 1985, depois da demissão de Joe Fagan, dias após o desastre de Heysel na final da CCE, contra a Juventus.

Multi-Kenny
Até 1990 ele acumulou as tarefas de treinador e jogador, se desligando como técnico apenas no ano seguinte, por coincidência em virtude de outro desastre, o de Hillsborough. 96 pessoas morreram no meio do caos instaurado minutos antes da partida do Liverpool contra o Nottingham Forest, pela semifinal da F.A Cup. Em 1991, assumiu o Blackburn e venceu a Premier League de 1995, com destaque para a artilharia de Alan Shearer, uma emergente estrela inglesa.

De volta ao antigo trabalho em Anfield, em 2010, demorou para fazer o plantel deslanchar, fato este que só foi visto na segunda metade de 2011, ainda com certo esforço para manter a regularidade. Levantando a taça da Copa da Liga inglesa em 2012, Dalglish se despediu mais uma vez com um título, sendo sucedido por Brendan Rodgers. Por essas e por outras que é rei, e sempre deverá ser única majestade em Anfield. Porque só há um King Kenny...

Felipe Portes é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é redator na Trivela, além de ser o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol.

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic.

Nenhum comentário: