domingo, 11 de dezembro de 2011

Craques: Carlos Alberto Gamarra

Monstro da zaga por onde passou, Gamarra deixou
 saudades na zaga corintiana nos anos 90 (Bettor)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP, capital mundial da chuva de verão

Para ser zagueiro e ganhar reconhecimento mundial pelo seu trabalho, é preciso ser exímio na função, ter um diferencial e um currículo invejável. Com incrível técnica, capacidade de marcação e desarme, Carlos Gamarra marcou época na seleção paraguaia e em muitos clubes por onde passou ao longo de 16 anos como profissional. Em especial o ano de 1998 em que esteve no Corinthians, sendo capitão na campanha do título alvinegro no Brasileirão.

Lá no Cerro Porteño em 1991, fez um bom primeiro ano no Ciclón e em 1992 levantou a taça do Campeonato Paraguaio em 1992. Foi negociado com o Independiente da Argentina, o famoso Rey de Copas. Sem grande sequência de jogos e amargando o banco do Rojo até decidir por retornar a Asunción.

1993 foi o ano de se consolidar no setor defensivo do Cerro e da seleção paraguaia. As primeiras convocações para a albirroja vieram com naturalidade e Gamarra tinha segurança de sobra para executar a função. Venceu mais um campeonato paraguaio em 1994 e em 1995 foi contratado junto ao Internacional.

Em especial a década de 1990 abriu as portas para atletas paraguaios no futebol brasileiro. Arce e Rivarola foram para o Grêmio e posteriormente para o Palmeiras. O exemplo de Carlos talvez tenha sido um dos mais bem sucedidos em relação ao apreço da torcida.

De imediata identificação com a torcida colorada, Gamarra foi a personificação da raça, do futebol aguerrido praticado no Sul. Não bastasse sua perseverança, ainda aliava a força com uma precisão incomparável. Por essas e outras qualidades, virou um dos pilares na campanha do Campeonato Gaúcho de 1997, afinal, um grande time começa por uma grande defesa.

Gamarra nos seus tempos alvinegros: faixa de capitão e títulos brasileiros em 1998/99
(Gazeta)
Teve rápida passagem pelo Benfica, no segundo semestre de 1997 onde ficou por meia temporada, até voltar ao Brasil, desta vez em São Paulo. Em 1998 chegou a peso de ouro no Corinthians, que ostentava parceria milionária com o Banco Excel, que por sua vez enchia o plantel corintiano com estrelas do futebol brasileiro. Gamarra foi o capitão do combalido grupo do Timão, campeão nacional em cima do Cruzeiro. Desnecessário dizer que seu estilo xerifão conquistou de pronto o coração da Fiel.

Um momento memorável de Gamarra na seleção paraguaia foi o duelo contra a França nas oitavas de final da Copa do Mundo. Sem cometer uma falta durante toda a sua participação no Mundial, lesionou o ombro e jogou durante todo o segundo tempo e a prorrogação imobilizado. Nem mesmo debilitado ele fez alguma infração, tendo feito o cotejo mais memorável por um paraguaio na história do evento FIFA. O duelo terminou 1-0 para os franceses, tento marcado por Blanc na prorrogação, sendo o primeiro gol de ouro da história das Copas.

Para 99, a mesma tendência vitoriosa, comandando a cozinha alvinegra campeã paulista e brasileira, em cima do Atlético Mineiro, sendo colocado como um dos maiores jogadores da posição em toda a história do clube paulista.

Continuando com a tendência nômade, foi vendido para o Atlético de Madrid ao fim de 1999 e esteve presente no rebaixamento colchonero em La Liga. Tratou de assinar com o Flamengo para 2000, que montava grande elenco para os torneios nacionais. Ficou por dois anos na Gávea, sem muito brilho como em dias passados. Levantou um Carioca e uma Copa dos Campeões em 2001.

De partida para a Grécia em 2001, ficou no AEK e conquistou uma Copa da Grécia no mesmo ano, mas já em franca decadência técnica. Ainda sim, sem mostrar o mesmo futebol de antes, virou ídolo absoluto da torcida ateniense. Conseguiu uma transferência para a Internazionale, em 2002, às vésperas da Copa no Japão/Coreia. Fez outro Mundial exuberante, apesar da frustrante campanha paraguaia. Venceu uma Coppa Italia em sua passagem pela agremiação milanesa.

Amargou o banco de reservas em três anos de nerazzurri, sem chances de competir com atletas como Córdoba, Materazzi, entre outros. Gamarra mal entrou em campo, apenas 27 aparições em três temporadas, somadas às lesões que teve neste período. Em 2005, cansado de ser mero esquenta bancos, assinou com o Palmeiras, onde chegaria com status de lenda e para organizar um setor tão carente no clube da Barra Funda.

Foto: Welt.de
Rapidamente assumiu a titularidade do time alviverde e a faixa de capitão, já que Marcos estava lesionado na oportunidade. Longe dos tempos de muralha defensiva e já prejudicado pela idade avançada (35 anos) e problemas com sua forma física, Gamarra demonstrou ter deixado para trás os seus anos corintianos, criticando o rival antes de um clássico no Campeonato Paulista, vencido pelos alvinegros com gol de Tévez, curiosamente em lance ganho em cima do mesmo Gamarra.

Ficou até o fim da disputa da Libertadores de 2006 no Palestra Itália, disputou o Mundial da Alemanha (fazendo inclusive um gol contra na partida frente à Inglaterra) e depois rescindiu contrato. Ficou sem clube até o início de 2007, quando optou por encerrar a carreira no grande oponente do Cerro, o Olímpia.

Por sete temporadas no futebol brasileiro, levou quatro premiações de Bola de Prata (1995, 1996, 1998 e 2005) e ficará lembrado em todas as equipes que passou como exemplo de dedicação, profissionalismo e acima de tudo pelos seus desarmes e jogadas que só um grande craque na zaga poderia proporcionar. Integrando muitas seleções de melhores atletas que os anos 90 tiveram, Gamarra é imortal nos corações paraguaios, alvinegros, colorados, palestrinos e rubronegros.


Um comentário:

Alexandre Perin disse...

Faltaram dois comentários sobre sua passagem no Beira-Rio: ganhou duas vezes a Bola de Prata jogando pelo medíocre Inter e também levou quase OITENTA MIL PESSOAS em sua estréia contra o Goiás, um 1x1 no qual ele deu um desarme antológico de carrinho sem derrubar o adversário, e saiu jogando.