sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Craques: Grzegorz Lato

Com ele não era brincadeira: Lato foi genial em sua trajetória
Foto: My football facts
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

A década de 1970 foi assaz brilhante no que se diz formação e desfile de talentos no futebol. Pelé, Rivellino, Zico, Cruyff, Beckenbauer, Breitner, Kempes e Lato. É exatamente do último que a TF trata em mais uma breve conferida no passado do esporte.

Alheio aos mais populares e midiáticos estava um polonês atarracado, que jogava como ponta e sabia como poucos de um seleto grupo de estrelas o caminho mais curto para o gol, a glória e a vibração. Arisco e veloz, tinha uma leitura incrível do jogo adversário e acima de tudo consciência nas decisões que tomava com a bola nos pés, naquela fração de segundos vital para determinar o destino da jogada.

Nascido em 1950, na cidade de Malbark na Polônia, Lato iniciou sua trajetória muito jovem, aos 16 anos, no Stal Mielec, clube polaco em que permaneceu por toda a fase em que esteve no topo de sua forma física e talento. Mesmo fazendo parte de um elenco que era médio, Grzegorz conduziu o tímido esquadrão do bialo-niebiescy (alvi azuis em polonês) a duas conquistas nacionais em 1973 e 76.

Pela seleção, um monstro absoluto, maior de todos que já vestiram o manto vermelho. Campeão Olímpico em 1972, medalha de prata em 1976 e terceiro colocado nos Mundiais de 1974 e 82, o baixinho não se cansava de superar barreiras e liderar o seus companheiros à glória, que para alguém que nunca foi potência internacional foi um marco, os tempos mais dourados que o futebol polonês teve notícia.

Lato em partida no Mundial de 1974, frente o Haiti, quando marcou dois gols
 (Interia)
Não lhe bastavam os prêmios individuais, ele buscava algo maior. Artilheiro da Copa de 1974, na Alemanha e indiscutível integrante da seleção dos melhores pelas duas edições seguintes, Lato carecia mostrar seu magistral futebol em outro centro que não a amada Polônia.

Impedido de deixar a liga de seu país antes de completar 30 anos, uma regra que forçou o reconhecimento do futebol polaco em cenário europeu, teve de esperar até 1980 para vestir a camisa de alguma outra agremiação. Escolheu o Lokeren da Bélgica, onde ficou por duas temporadas. Passou em branco nas conquistas coletivas e em 1982 partiu para o emergente (que até hoje ainda tenta ser visto como potência) futebol mexicano, no Atlante. 

Aos 32 anos, sem a mesma agilidade, mas com a perícia que sempre lhe foi característica, Grzegorz levantou a taça da Champions da CONCACAF, em cima do Robinhood do Suriname (o nome claramente foi inspirado no lendário arqueiro de Nottingham), no ano de 1983. Terminou a temporada de 1984 e decidiu por não mais voltar aos gramados como profissional. 

Foi o fim da linha para um dos mais subestimados futebolistas da história, que encantou a plateia muito mais do que vários campeões do mundo jamais conseguiriam. Um raro maestro para equipes lendárias que jogavam por música. O gênio que pintou e bordou nos gramados mundo afora. 



Um comentário:

    disse...

Jogaria fácil em qualquer time de hoje.