segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A bela festa de um time que não mereceu

D'Alessandro, o novo homem Gre-Nal? (GloboEsporte.com)

Francisco Luz, @franciscoluz
De Novo Hamburgo, o fim do mundo-RS

Inter
O ano
Se 2011 não foi o ano mais estranho e anticlimático dos 102 que o Internacional registra na sua história, bem, aí eu não sei de nada. Só sei que, das 26 temporadas que vivi como colorado, essa foi de longe a que menos me empolgou. E, no fim, ela termina muito bem, e com um bom cartel de jogos memoráveis para se guardar na memória, além da perspectiva de uma Libertadores pela frente –  e, graças ao agora pentacampeão Corinthians, não corremos o risco de inaugurar um vexame em pré-Libertadores, o que é sempre um alento para quem proporcionou o Mazembaço.

Porque, obviamente, a esdrúxula derrota na semifinal do Mundial de Clubes do ano passado foi o grande NORTEADOR da época vermelha. Foi o Mazembe que fez o Inter iniciar tarde o ano; foi o Mazembe, no fim das contas e com atraso, que tirou Celso Roth do Beira-Rio; e foi o Mazembe o time lembrado pelo Grêmio antes dos dois principais Gre-Nais de 2011, e ambos terminaram com o Internacional triunfante.

A questão toda é a seguinte: se não fosse por Leandro Damião, de longe o jogador mais decisivo que eu já vi vestindo a camiseta encarnada, 2011 seria em tudo ridículo e lamentável. Não bastassem os erros da direção dentro de campo – que chegou ao ápice de se DIVORCIAR simplesmente de Paulo Roberto Falcão, o maior de todos os colorados –, ainda houve o fator REFORMA DO BEIRA-RIO. Isso é o que de mais grave fica, e é o mais preocupante também, já que a classificação à Libertadores vai servir para mascarar a vergonha que é ter iniciado a destruição de parte do estádio antes de saber como ele seria reerguido; e, depois, simplesmente não conseguir explicação nenhuma sobre o porquê de as malditas reformas não começarem.

2011 é, portanto, o ano em que o Inter perdeu o Beira-Rio. Sem o Beira-Rio, perdeu em casa a Libertadores nas oitavas de final, perdeu em casa um Gre-Nal de final do Gauchão e perdeu em casa os pontos que poderiam ter levado o time a brigar por mais, muito mais. Sem o Beira-Rio, a direção também perdeu os critérios e não teve a capacidade de buscar jogadores nas poucas posições em que o Internacional é carente, reforçando de verdade a equipe.

2011 é, também, o ano em que eu menos consegui acompanhar o Inter como colorado, o que deve apenas aumentar daqui para a frente, devido ao meu trabalho – sou editor de Esporte do Jornal NH. Fui em apenas um jogo na arquibancada no ano, e mesmo assim a sensação de ver um time sem coração permanecia. E, claro, tudo isso influenciou para o aspecto negativo que a temporada teve em mim, mesmo que para a história fiquem os títulos gaúcho e da Recopa. Sem o Beira-Rio, eu perdi um pouco do Internacional de sempre que eu tive comigo.

O dérbi
Mas, como havia Damião, e como sempre há D'Alessandro em Gre-Nais, o ano termina bem: com o Estadual conquistado no Olímpico (algo que não acontecia desde 1982), de virada, em dois grandes jogos e com Falcão superando Renato Portaluppi. E, ontem, após o casamento quase eterno com o sétimo lugar do Brasileirão, o Colorado finalmente desencantou e, com a ajuda do seu principal escudeiro neste Nacional – o Resultado Paralelo – conseguiu vencer o rival de sempre e selar a vaga para lutar pelo tri da América.

O jogo foi protocolar, um clássico de cartilha: pegado, com o underdog melhor no primeiro tempo e dando a impressão de que poderia mais uma vez selar a incompetência vermelha, até que D'Alessandro tomou as rédeas do jogo na etapa final e complementou sua relação de puro amor com o Gre-Nal ao marcar o pênalti libertador. O Grêmio até tentou, e foi digno, mas a diferença de qualidade e a motivação entre os dois times foi determinante para a vitória vermelha.

A esperança para um 2012 vencedor deveria existir, mas sem o Beira-Rio inteiro é complicado pensar em algo melhor do que vimos neste ano. Porque, sem a sua casa, o Internacional é não é o Colorado na sua essência – e isso sempre acaba cobrando um preço caro.


Victor Lucena, @victorlucena
De Porto Alegre-RS


Grêmio
O ano

Impossível falar do 2011 do Grêmio sem lembrar do segundo semestre de 2010. O Grêmio, até então comandado por Silas, patinava no Brasileirão e flertava com a zona do rebaixamento. Silas logo foi ceifado, para sua vaga, o maior ídolo da história tricolor: Renato Portaluppi.

Renato chegou e logo arrumou a casa. Afastou, quase imediatamente, a possibilidade de rebaixamento. O time encaixou de uma maneira avassaladora. Vitórias e mais vitórias. Até o acaso – mais conhecido nessa altura como Independiente de Avellaneda ajudou, ganhando do Goiás na final da Copa Sulamericana e confirmando a vaga do Grêmio pra Libertadores da América 2011.

Tudo era promissor. O maior ídolo da história do clube na casamata, um time que brilhou no segundo semestre de 2010 e o sonho da terceira libertação da América. Aí veio a novela Ronaldinho.

Não satisfeito em tomar um “chapéu” de Ronaldinho lá em 2001, o Grêmio fez por onde levar um segundo. A diretoria acreditou na palavra do Assis. Até caixas de som foram alugadas para a apresentação do R10. O resto, vocês já sabem. Ronaldinho foi pro Flamengo, nas bandas da Azenha, só sobrou a vergonha.

Não bastando tudo isso, enquanto a direção oferecia o que tinha e o que não tinha para trazer Ronaldinho, esqueceu do grande destaque de 2010: Jonas. Com a velocidade de um Sebastian Vettel, Jonas juntou suas malas e rumou à Valência. O Grêmio, no fim das contas, ficou sem Ronaldinho e sem Jonas.

A partir daí, o desastre estava desenhado. Renato já não conseguia fazer o time render. Sem Jonas, o Grêmio perdeu a referência no ataque, o jogador que decidiu várias vezes, sozinho jogos em 2010.
O Grêmio bateu cabeça e não demorou muito para cair da Libertadores.  Começou o Brasileirão e... pimba! 

A zona do rebaixamento era um risco eminente e lá se foi Renato. Veio Julinho Camargo. Junto com ele, boas ideias e bons conceitos. Porém, só isso não bastava. O Grêmio tinha um time caro e cheio de medalhões, Julinho não conseguia tirar o Grêmio da lama. Logo foi demitido.

Aí veio o sargentão Celso Juarez Roth. Sua missão: botar ordem na casa e tirar o time da ameaça do rebaixamento. Olhando friamente suas metas, Celso Roth foi um sucesso. Ficou devendo um algo mais, com o campeonato louco do jeito que foi, uma série de três ou quatro vitórias seguidas colocaria o time na briga por uma vaga na Libertadores 2012.

Tudo ok, o time já não tinha chances de rebaixamento, muito menos, de conseguir uma vaga na Libertadores. Mas aí, num roteiro digno de Alfred Hitchcock, ainda tinha um Grenal.

O dérbi
O Grenal foi pragmático. A diretoria do Grêmio já tinha anunciado que esse seria o último jogo de Roth como comandante tricolor. De um lado, a ambição colorada de vencer e ir à Libertadores, do outro, um Grêmio desinteressado.

Mas, perdoando o clichê, Gre-nal é Gre-nal, amigos. Quando azuis e vermelhos entram em campo, nada mais importa. O Rio Grande para por 90 minutos. Uma famosa pichação no centro de Porto Alegre diz que “enquanto te roubam, tu grita gol!”. Uma verdade que dói. Triste realidade. Porém, não vai ser logo num clássico que vamos parar de gritar gol.

O Beira-Rio estava lotado. A torcida colorada lotou o estádio e bradava que queria a vaga na competição continental. Dois mil tricolores também estavam lá. Mesmo não almejando mais nada no certame, o Grêmio começou bem o clássico. Atacou bastante, buscou o gol, principalmente pelos pés de Marquinhos, que era o melhor jogador gremista no setor ofensivo. Lá atrás, Saimon e Vilson anulavam o melhor nove do país: Leandro Damião. Fernando marcava D’Alessandro com uma garra e perícia invejáveis.

Apesar das tentativas tricolores, o primeiro tempo logo acabou: 0 a 0.

No segundo tempo a coisa mudou de figura. O Internacional foi a frente. Tentou o gol a todo custo. Até que numa jogada Oscar dominou a bola e foi pra cima do peso-pesado Fábio Rochemback. Pênalti. Não há o que se discutir no lance. D’Alessandro bateu e fez. Victor ainda triscara na bola. Maldito Hitchcock!

O Inter passou a administrar o resultado. Celso Roth, de uma forma desesperada se lançou ao ataque. Entraram Miralles e Leandro. Nada adiantou. Venceu e se classificou à Libertadores; o Grêmio perdeu e anunciou seu novo treinador, Caio Júnior.

A torcida tricolor lamenta a derrota e imagina um 2012 melhor. A colorada regozija-se com a possibilidade do tri da América. O campeonato brasileiro acabou. 2012 se mostra promissor para as duas equipes. Seguiremos gritando gol e torcendo para não sermos mais roubados.

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