terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Desafortunados: Yegor Titov

Titov era talentoso, porém causou muitos problemas extra-campo por onde passou
(Gol atan kaleye)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Na União Soviética, a sua equipe te deixa para ficar com a mulher em estado final da gestação, diriam os mais ligados em memes internéticos. É com essa premissa que começamos a contar a história de mais um Desafortunado, o russo Yegor Titov, diversas vezes convocado para a seleção russa e de currículo dedicado quase que inteiramente ao Spartak Moscou.

Pois bem, Titov iniciou sua caminhada nas camadas jovens do Spartak em 1993. Passou dois anos dando o seu melhor até chamar a atenção de Oleg Romantsev, treinador da equipe principal dos moscovitas. Era responsável por ser o enganche, o trequartista, ou meia atacantevski dos krasno-belye (alvirrubros em russo) além de marcar muitos gols. Para alguns, tinha grande visão de jogo e sempre sabia o momento certo de dar um drible ou arriscar à baliza adversária. 

Na prática, ao menos até a metade dos anos 2000, era isso que ocorria com Yegor em campo. Determinado e forte nas divididas, capitaneou o lado spartachi durante o período supracitado. Todos o viam como um astro em ascensão, um talento para colocar o selecionado russo dentre as seleções do topo. Na prática não foi bem isso que aconteceu. Chamado por 41 vezes para envergar o manto da Mãe Rússia, disputou sem brilho o Mundial de 2002, além das Eliminatórias para a Euro 2004, ambos sem muito impacto. 

Impacto causou quando foi pego no doping depois de um confronto contra País de Gales nestas mesmas Eliminatórias. Ficou um ano na geladeira (sem jogar no futebol russo, entenderam? hã hã hã? -apaga essa-) e até apareceu como figura constante em reality shows russos. Quer dizer, as pessoas tem de manter sua renda, ora bolas. 

Chegando às vésperas da Euro 2008, em mais um episódio envolvendo a qualificação para o certame, Titov abortou a missão de encarar a Estônia, alegando que precisava ficar perto de sua esposa, até então gestante e prestes a colocar no mundo um pequeno herdeiro. Daí pra frente, só derrota, diriam os amigos @mlklaser, @zenascimento, @zezinhodudu, @tiagofeldens e @Borgo_. Nem é preciso dizer que nunca mais retornou a representar seu país. Fora de forma, entrou em nítida decadência técnica e deixou o quadro de atletas do Spartak na metade do mesmo ano. 

Acertou com o Khimki, pequenucho clube da Premier League russa, que sempre alternava entre a zona intermediária e a briga para escapar do rebaixamento. Terminaram na antepenúltima colocação naquela temporada,  o que fez Titov mudar de ares mais uma vez, optando por encerrar sua carreira no Astana, do Cazaquistão. 

Seu legado como um dos principais armadores do futebol russo ficará pelos próximos anos e na lembrança dos torcedores as boas apresentações são eternas, só que ao contrário.




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