terça-feira, 11 de junho de 2013

Ídolo de várias torcidas

Foto: Taringa
Ele foi o ídolo da minha, da sua, da nossa torcida. Balançou as redes dos nossos times em muitas Master Ligas. Como centroavante ou segundo atacante, Castolo ajudou muita gente a ganhar títulos no videogame, tardes adentro ou esquecendo da vida rodando lá fora

Quem começava com a equipe default na Master Liga, corria o risco de ter de contar por uma temporada inteira com os serviços do atacante Castolo. O brasileiro baixinho, rápido nos dribles e com bom poder de finalização geralmente era o camisa 9 da maioria dos jogadores que optavam em mantê-lo como titular.

Nem sempre era possível contratar alguém na primeira janela (ou nem sempre era possível ter janela, como no PES 2008, 2009 e 2010), e daí o time tinha de ir aos trancos e barrancos com aquela clássica formação. Vamos lá, comigo: Ivarov, Valeny, Stremer, Jaric, Dodo (RESERVA DI RUSKIN), Iouga, Ximeles, Minanda, Espimas, Ordaz e Castolo. Com eles você sofreu, tomou gols bestas em bolas paradas, no último minuto e brigou por títulos improváveis. Mas foi feliz.

A alegria de conduzir o time default da Master Liga, ainda que por clubes grandes e usando estes operários da bola, era inigualável. Vencer com um elenco sofrível em mãos é algo que poucos podem desfrutar. Afinal, ganhar uma Copa da Liga ou até mesmo subir para a primeira divisão com um gol no último minuto, uma canelada, um desvio ou uma cabeçada no cantinho do gol... não tem nada igual. Você corre mesmo pela casa como se o seu time de verdade tivesse levado o caneco da Libertadores. Sua família pensa que você está sob efeito de fortes drogas, mas é só a Master Liga. Quem nunca?

Foto: Taringa
O artilheiro dos gols importantes
Castolo brilhou demais em 2008 pelo [inserir seu time]. Marcou 20 gols na caminhada ao acesso do time, que precisou esperar até a penúltima rodada para comemorar a promoção. Pela Copa da Liga também foi longe, quando perdeu apenas na semifinal para o Panathinaikos de Ivanschitz, um exímio cobrador de faltas que definiu aos 40 do segundo tempo a vaga dos gregos na decisão.

O atacante brasileiro não se abalou e por vezes usou a braçadeira de capitão quando Stremer estava fora, poupado após lesões. Castolo também teve alguns problemas na primeira metade, quando encarou um jejum de 10 gols sem marcar, sempre em condições pobres de jogo (entenda setinha azul).

Já que o substituto Burchet não dava jeito na coisa quando fazia suas aparições no segundo tempo e fez apenas um gol em 11 partidas, restou ao treinador manter o talento do brasileiro, mesmo em má fase.

A missão principal nos cinco jogos decisivos era pelo menos conseguir nove pontos diante de Fenerbahçe, Rosenborg, AIK Solna, Dinamo Zagreb e Estrela Vermelha, três dos quais Castolo tirou de letra ao estufar as redes quando era chamado. Foram três vitórias bem magras por 1 a 0, mas com a marca do goleador que chamou a responsabilidade para si.

Aos 80 minutos do duelo contra o Estrela Vermelha, que selou o título, uma vitória parcial dos sérvios, a situação do [inserir seu time] ficou arriscada e numa falta cavada por Castolo, o empate se aproximou. Ele segurou a bola, fez o pivô e foi derrubado por Mijailovic. Minanda tomou distância e chutou no travessão. No rebote, o próprio Castolo correu na bola e completou de cabeça.

Castolo é daqueles talentos que pode fazer um gol de bicicleta num jogo e sair desmaiado numa ambulância do SAMU por uma lesão que ele teve após uma dividida. Cobiçado por clubes da primeira divisão, o atacante rechaçou propostas e continuou no [inserir seu time] até sua aposentadoria, em 2015, quando deixou o campo ovacionado e aos prantos por encerrar seu ciclo. É um dos raros exemplos de atletas que por toda a carreira defenderam as mesmas cores.

Felipe Portes é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é redator na Trivela, além de ser o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol.

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic.

Um comentário:

Anônimo disse...

Verdade, gostei muito da sua biografia sobre Castolo, e realmente é um grande jogador do PES e de ML.