quarta-feira, 26 de junho de 2013

Os cinco finais de partida mais emocionantes

Fonte: Who ate all the pies
Essas partidas vão ficar para sempre na memória dos torcedores e de quem teve a sorte de estar acompanhando pela TV. Em dias como estes, o futebol se supera no quesito emoção. Veja cinco gols na conta do chá que mudaram (ou não) a história dos campeonatos na Europa

5°- Watford 3-1 Leicester - 12 de maio de 2013
O gol: Deeney, aos 98 minutos
O que valia: vaga na final da Championship

O Watford ganhava por 2 a 1 e garantia vaga na final da Championship, a segunda divisão inglesa. Nos acréscimos, o sonho foi ameaçado pelo som do apito do juizão, que apontou para a marca de cal e indicou pênalti para o Leicester. Se Knockaert fizesse, "adeus, decisão" para o time da casa. Mas Almunia (aquele, ex-Arsenal) defendeu a cobrança, pegou o rebote e ainda puxou o contra-ataque que levou ao terceiro gol dos anfitriões, marcado por Deeney, sacramentando a classificação. O Watford, no entanto, perdeu a final para o Crystal Palace por 1 a 0  e não conseguiu uma vaga para a Premier League. Mas a imagem que fica é a da torcida invadindo o gramado após o terceiro gol contra o Leicester.


4º - Chelsea 1-1 Barcelona - 6 de maio de 2009
O gol: Iniesta, aos 93 minutos
O que valia: vaga na final da Champions League

Em 2012, o árbitro norueguês Tom Henning declarou que ainda recebia ameaças de morte de torcedores do Chelsea. O juiz passou a ser odiado pelos blues desde que deixou de marcar ao menos dois pênaltis claros para os ingleses durante aquela partida decisiva contra o Barcelona em 2009. Alguns juram que foram mais que dois - a conta dos mais indignados chega a cinco. No jogo, os ingleses conseguiram se impor desde o início e marcaram logo aos 8 minutos do primeiro tempo, com Essien. Outras chances foram criadas, mas todas elas esbarraram em empurrões e faltas dentro da área que Henning interpretou como lances normais do jogo. 

A superioridade só serviu mesmo para intensificar o sentimento de frustração que tomou conta do Stamford Bridge após o gol de empate. Andrés Iniesta acertou o ângulo em um chute tão bonito quanto o de Essien e pegou de surpresa até mesmo o novato Pep Guardiola, que já havia admitido a derrota ao cumprimentar o técnico dos blues, Guus Hiddink, pela então classificação. A partida, mais uma das tantas semifinais perdidas por Hiddink na carreira, marcou o início de uma era vitoriosa de Guardiola - que, ironicamente, só terminaria em outra semifinal decidida nos últimos minutos contra o Chelsea. Em 2012, Fernando Torres marcou aos 46 minutos do segundo tempo no Camp Nou, eliminando o Barcelona e sacramentando o pedido de demissão do técnico blaugrana. Desde então, Henning pôde dormir mais sossegado. 


3º - Real Madrid 2-2 Real Zaragoza - 10 de junho de 2007
O gol: Van Nistelrooy, aos 43 minutos
O que valia: título espanhol antecipado

Quando alguém te disser que campeonato de pontos corridos não tem emoção, fale desta partida. O título espanhol do Real Madrid naquele ano foi duplamente emocionante. Se não bastasse o gol de cabeça de Ruud Van Nistelrooy aos 43 minutos contra o bom Zaragoza de Diego Milito, o título só veio após o gol de Tamudo sobre o Barcelona em pleno Camp Nou, trinta segundos depois. Um dos minutos certamente mais felizes da vida de qualquer torcedor blanco. Pois, como o vídeo mostra, ainda melhor do que ser campeão é ganhar vendo o seu maior rival se lamentando simultaneamente.


2º - Manchester City 3-2 Queens Park Rangers - 13 de maio de 2012
O gol: Agüero, aos 49 minutos do segundo tempo
O que valia: o título da Premier League

Não é absurdo dizer que a partida foi uma das melhores de todos os tempos. Tivemos de tudo no cenário do City of Manchester Stadium: gol do time da casa logo no início (Zabaleta), expulsão dos visitantes (sim, Joey Barton apareceu como é do seu costume), virada do QPR, silêncio da torcida do City, gol do rival Manchester United contra o Sunderland, novamente silêncio dos donos da casa. Aos 46 minutos, Dzeko marcou de cabeça e empatou a partida. Ainda não era suficiente. Três minutos depois, quando os torcedores se misturavam à frente dos lugares numerados e acompanhavam em pé todos os lances, Mario Balotelli (que havia entrado no segundo tempo) fez a parede para Sergio Agüero dominar, driblar um zagueiro e fuzilar, quase sem ângulo, a meta do goleiro Kenny. Hoje, a explosão de vozes dos fanáticos pelo citizens parecem sincronizados com o chute do argentino. Era o grito de campeão.


1°- Manchester United 2-1 Bayern de Munique - 26 de maio de  1999
O(s) gol(s): Sheringham, aos 45 minutos, e Solskjaer, aos 47 minutos
O que valia: o título da Champions League

Gol de título no último minuto vale mais. Principalmente quando a conquista é da Champions League, após 30 anos sem ganhar a competição. Os dois gols em cima do Bayern representam um período de reconstrução do Manchester United. A grande virada dos Red devils começara, na verdade, quando Alex Ferguson assumiu o posto de treinador da equipe, em 1986. Após campanhas medianas, o treinador conseguiu fazer o clube ser grande novamente com a criação da Premier League e a chegada do craque Eric Cantona, que abandonou o futebol pouco antes da final. A promissora geração de Beckham e Giggs chegou à decisão com favoritismo, mas sem poder contar com os suspensos Roy Keane e Paul Scholes. 

O time sentiu a falta dos seus titulares no meio de campo no primeiro tempo e foi dominado pelos alemães, que marcaram na cobrança de falta de Basler. O Manchester foi tomando conta do jogo, mas sofria na saída de jogo. Restava apelar para os cruzamentos de Beckham. O que deu certo, embora tenha demorado. Nos acréscimos, após um escanteio cobrado pelo galã, Giggs aproveitou o rebote e chutou para dentro da área. Sheringham, o eterno reserva decisivo, escorou e empatou a partida. Ainda restavam dois minutos de jogo, quando a zaga do Bayern entrou em pânico e chutou novamente para o escanteio. Beckham dessa vez foi certeiro ao encontrar o grandão Sheringham, que escorou para Solskjaer marcar o gol do título. Os jogadores alemães caíram no chão de desgosto e precisaram ser reanimados pelo árbitro Pierluigi Collina, que ainda demorou alguns segundos para decretar o final de partida mais emocionante que conseguimos recordar.



Rafael Monteiro tem 22 anos, é estudante de jornalismo e trabalha no R7. Também é um dos colaboradores do Fuerte Bomba.

"Por alguma brecha, o futebol pode ser visto pelo olhar filosófico (que eu não tenho). Nelson Rodrigues dizia que o pior cego em futebol é o que vê só a bola. Ele, míope quase cego, via muito mais do que eu, que digo que feliz mesmo na vida é o sujeito que leva a bandeira do time para o caixão. E nós seguimos filosofando, pois é o que a sociedade faz quando não tem resposta. No fundo, você, eu e quem mais chegar na mesa sabemos que a única resposta válida no futebol é o gol". 

No twitter, @r_afaelmonteiro.

Nenhum comentário: