quinta-feira, 4 de julho de 2013

Almir, o infernal

Almir é segurado por companheiros na final do Carioca de 66
(Foto: UOL)
Almir Pernambuquinho protagonizou algumas brigas homéricas no seu tempo de atleta. Anos depois, morreria num bar durante grande confusão, não fugindo ao estilo que lhe marcou como jogador

Quando se pensa em jogadores violentos e brigões, qualquer fã de futebol tem uma lista pronta na cabeça. A maioria esmagadora dos quais atua na defesa. Não por acaso, nosso "Especial Hematoma" aqui na Total Football tem sido dominado por jogadores cujo papel primordial é impedir que gols sejam marcados. No entanto, há uma gigantesca exceção: Almir Pernambuquinho, atacante brasileiro, figura única em muitos sentidos, que protagonizou algumas das maiores confusões de seu tempo.

O pernambucano Almir chegou ao Vasco da Gama em 1957. Atacante talentoso, participou da conquista do carioca de 1958, e logo chegou à seleção brasileira, onde rapidamente seria protagonista de uma das maiores brigas registradas na história do futebol sul-americano, ocorrida na partida entre Brasil e Uruguai no Sul-Americano (como então se denominava a atual Copa América) de 1959.

Naquele dia, o Brasil precisava da vitória para chegar com chances de título na última rodada, quando enfrentaria a Argentina. Fora da disputa, o Uruguai entrou em campo pela honra. A canarinho, com uma equipe com muitos campeões no ano anterior na Suécia, tomou a iniciativa, enquanto a Celeste buscava o contra-ataque. E ainda no primeiro tempo aconteceu o lance que desencadeou toda a confusão.

O rococó pelo Brasil
Um cruzamento na área uruguaia terminou com o goleiro Leivas no chão, após levar um pisão na barriga, dado por Almir. O lance deu origem a uma briga generalizada, com participação destacada do massagista Mário Américo, que imobilizou o zagueiro Martinez, enquanto Pelé, Coronel e (claro) Almir o chutavam. O charrua jogou o resto da partida com a cabeça enfaixada. E com três gols de Paulinho Valentim o Brasil venceu por 3 a 1.

Outro momento memorável de Almir foi a final do mundial de 1963. O Santos havia perdido a primeira partida para o Milan fora de casa por 4 a 2, e devolveu o placar na segunda partida. O desempate, no Maracanã, resolveria a disputa. Dois brasileiros estavam na equipe milanista: Mazzola, campeão pelo Brasil em 1958, e Amarildo, campeão em 1962, quando substituiu o lesionado Pelé.

Um doping comum
A imprensa brasileira divulgou que Amarildo teria dito que era melhor que o Rei. Lesionado, Pelé não jogou, substituído por Almir, que resolveu se vingar da desfaçatez, real ou imaginária, do ex jogador do Botafogo. E bateu em Amarildo do início ao fim do jogo. Ao fim, um pênalti cobrado por Dalmo deu o título ao Peixe. Mais tarde, Almir contaria que atuou à base de estimulantes, sugerindo ainda que outros jogadores teriam feito o mesmo.

E por fim, vale lembrar o sururu mais célebre da carreira de Pernambuquinho: a final do campeonato carioca de 1966. Naquele tempo, o atacante defendia o Flamengo, que entrou naquela final precisando vencer o Bangu para levar o título. E as coisas correram muito mal para o rubro-negro: já no primeiro tempo Ocimar e Aladim abriram 2 a 0 para o clube suburbano, vantagem que se ampliou logo no início do segundo tempo com um gol de Paulo Borges.

A situação era irremediável. Então Almir resolveu agir, originando aquela que foi possivelmente a maior briga da história do Maracanã. Melhor que ler a história é ver a mesma contada pelos protagonistas e com imagens.

Almir morreria aos 35 anos, em 1973, em um bar de Copacabana, tentando defender travestis que estavam prestes a ser agredidos por homofóbicos. Um personagem único.




Tiago Melo, 40 anos, professor da UFRPE, escreve para o Futebol Portenho e fala sobre grandes histórias do futebol sul-americano aqui na Total Football. 

No twitter, @melogtiago.


2 comentários:

Gustavo disse...

Muito boa matéria.

Gustavo disse...

Muito boa matéria.