quarta-feira, 31 de julho de 2013

Um artilheiro inesperado na Copa dos Campeões

Pacult como treinador do Rapid Vienna (Foto: Kurier.at)
Peter Pacult conseguiu a artilharia da Copa dos Campeões em 1991 fazendo apenas quatro jogos pelo Tirol Innsbruck, eliminado na segunda eliminatória do torneio europeu pelo Real Madrid: foi a primeira Oleg Salenkada que se tem lembrança no futebol mundial.

Calma, Peter Pacult não é um soldado que esteve nos campos de batalha em alguma grande guerra ou enfrentou uma doença gravíssima só para retornar ao futebol e vencer. Atacante austríaco formado no Wiener SC em 1980, conseguiu uma façanha curiosa na Copa dos Campeões (antiga denominação da Liga dos Campeões) de 1990-91: foi o artilheiro do torneio, mesmo eliminado na segunda fase.

Naqueles tempos, a competição era só em formato de mata-mata. O sorteio privilegiou o Swarovski Tirol (hoje extinto e ex-Tirol Innsbruck e Wacker Innsbruck), campeão nacional de 1990, colocando os austríacos contra o Lahti logo na primeira eliminatória. E o placar agregado foi um banho para o Swarovski, que fez 5-0 em casa e 2-1 fora. 

Nesses dois jogos, Pacult anotou cinco gols, sendo três em Innsbruck e dois em Lahti. Os placares foram bem naturais para aquele estágio, já que vários campeões de países sem expressão enfrentam os vencedores das cinco principais ligas. Não raro naquela edição de 1991, a CC teve goleadas como 8-1 do Porto contra o Portadown, o 6-0 do Rangers contra o Valletta, e o 6-0 do Real Madrid contra o Odense. Entretanto, a maior lavada daquele torneio veio na fase seguinte.

O Swarovski do destemido Pacult enfrentaria o Real Madrid de Emilio Butragueño e Hugo Sánchez. E esse encontro arrasaria as terras austríacas. No Santiago Bernabéu, os madridistas aplicaram um sonoro 9-1 nos visitantes, conseguindo a maior goleada daquela Copa dos Campeões. Adivinha quem fez o gol de honra do Swarovski? Sim, ele mesmo, Pacult. A volta foi menos traumática para os austríacos, que conseguiram um empate em 2-2, mas Hörtnagel e Linzmeier fizeram os gols do Swarovski. 

Três fases depois, o Estrela Vermelha levou o caneco ao vencer o Marseille nas penalidades. Um empate de 0-0 impediu que Jean-Pierre Papin ultrapassasse a marca de Pacult, que no fim foi laureado como principal goleador da competição, apesar de ser jogador da equipe que concedeu o placar mais elástico. Um feito semelhante ao de Oleg Salenko, artilheiro russo da Copa de 94 que marcou cinco gols contra Camarões e um contra a Suécia, mas não chegou a disputar nem as oitavas de final.

Ao fim de sua carreira, Peter conseguiu dois títulos da Bundesliga austríaca, jogou pelo Wiener SC, Rapid Vienna, Stahl Linz e marcou mais de 100 gols com a camisa do Swarovski/Tirol/Wacker Innsbruck, em seis anos que defendeu o clube. Soma 24 convocações para a seleção nacional. Hoje é treinador do Dynamo Dresden, na segundona alemã.

Felipe Portes é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é redator na Trivela, além de ser o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol.

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic

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