quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A temporada de Muricy no Barcelona

Foto: Editoria de arte da TF (hahaha)
Muricy salva o São Paulo do rebaixamento, conquista o bi da Copa Sul-americana e se torna o substituto de Gerardo Martino no Barça: o argentino foi o escolhido para reconduzir a Albiceleste ao topo do mundo após a campanha sem sucesso na Copa de 2014. 

[Antes de mais nada, para os desavisados: esse post não é uma informação, não é uma previsão e muito menos um desejo de torcedor. É uma brincadeira e deve ser tratada como tal. Portanto, sem comentários xiitas.]

Foi um 2013 muito louco. Desprestigiado ao sair do Santos no meio do ano, Muricy virou o salvador do São Paulo na luta contra o rebaixamento. Aproveitando o embalo de apagar o incêndio no Morumbi, o técnico ainda foi fundamental na campanha do bi na Copa Sul-americana, vencida contra o Vélez. No Barcelona, Gerardo Martino pensava em quais seriam suas compras para o setor defensivo, tão criticado. O argentino fez o Barça voar em La Liga, mas caiu nas semifinais da Liga dos Campeões diante do Borussia Dortmund, com falhas de Piqué e Puyol. Poucos dias depois da Copa do Mundo, a Argentina trocava Alejandro Sabella por Tata, já que mais uma vez, Messi e seus companheiros falharam em conquistar a taça no Brasil.

Quis o destino que os ventos soprassem para levar o treinador do São Paulo ao Barça, ocupando a vaga deixada por Tata. E assim, Tata Martino daria lugar no banco a Tata, o Mário Felipe Perez. Muricy chegava com um discurso simples, dizendo que tudo o que fez no futebol o credenciou a estar ali, mas que foi uma surpresa receber esse convite em 2014.

Muricy e Neymar nos tempos de Santos:
parceria reeditada no Barça
O prodígio e os homens de confiança
Com seu ex-pupilo Neymar jogando ao lado de Messi no ataque, o técnico bancou algumas contratações para adaptar o time ao seu estilo de jogo. Dizia ter se cansado do tiki-taka, o mesmo estilo que o vitimou na final do Mundial de Clubes em 2011, quando o Santos foi atropelado por 4 a 0. Treinou por um mês um esquema com três zagueiros, composto por Piqué, Mascherano e Durval. Busquets virou o único volante, liberando Xavi e Iniesta na criação e deixando Dani Alves e Jordi Alba mais livres pela ala. O ataque, como citado, era Neymar e Messi. Para o banco, Muricy exigiu que Arouca e Ganso integrassem o elenco, como forma de estabelecer uma estrutura em que ele se sentisse confortável e em linha direta de comunicação com os jogadores.

Aqueles passes curtos intermináveis deram lugar a uma objetividade assustadora. O Barça precisou ser mais prático e menos cuidadoso. Com passes diretos e mais pressa para chegar ao gol, Xavi e Iniesta foram testados em condições mais exigentes. Lançamentos demais, cruzamentos e jogadas diagonais na área e claro, a presença de pelo menos dois zagueiros que chegassem bem de cabeça nos escanteios. 

Messi e Neymar estavam liberados para segurar a bola na frente quando o time estivesse vencendo. Caso isso não acontecesse, deveriam ser operários como o resto dos companheiros. Não que Messi precisasse de alguma instrução nesse sentido, mas para Neymar, voltar e marcar era uma tarefa difícil de assimilar. E assim o Barça somou nove vitórias nos dez primeiros jogos, empatando apenas com a Real Sociedad, fora de casa. Griezmann entortou Durval e Mascherano nos gols da equipe basca. Muricy seguiu bancando o seu xodó.

A imprensa catalã subiu nas tamancas. "Mataram nosso tiki-taka; este é o Barcelona mais pobre de todos os tempos; Durval é uma farsa, onde está Puyol?; Estamos engessados; Foi incinerada a herança de Pep no Barça", entre outras coisas catastróficas e apocalípticas. Muricy dava respostas secas e constantemente confrontava os repórteres audaciosos durante as coletivas. Nada que você já não conhecesse. A verdade é que Muricy não foi nem um pouco "populista" quando deu as caras ao ser entrevistado. Reconhecia que tinha de mudar esse estilo viciado de passe excessivo e que já estava manjado pelos adversários. Mas que não contava com a colaboração de ninguém para que o plano desse certo. 

Foto: Globoesporte.com
Ninguém quer perder um clássico
Acostumado a ter a bola, o Barcelona teve o grande desafio da temporada contra o Real Madrid. Sedento atrás de recuperar o título de campeão espanhol, o time de Cristiano Ronaldo e Bale entrou tão feroz quanto nos embates pela Copa do Rei em 2013. Com vinte minutos do primeiro tempo, no Camp Nou, o time da casa suava para manter a bola e não perdê-la perto da zaga, pois a marcação avançada do Real forçou Xavi e Iniesta a também se apresentarem para o combate. Neymar abriu o placar em jogada individual e o Barça conseguiu relaxar em campo. Só que relaxou demais e o Real encostou. Empatou. Virou. E venceu. Questionado se não precisava impor seu domínio dentro de casa com tudo jogando a favor, Muricy retrucou que só ele era pago para escalar como e quem entraria jogando pelos blaugrana, e que o papel da imprensa era apenas repercutir o que acontecia ali. 

Um boeing chamado Barcelona
Reconhecendo que a responsabilidade era só sua, o técnico foi forçado a ter uma resposta, sacando Busquets e bancando Arouca. Agora seria do seu jeito. Até o jogo do returno contra o Real Madrid, o Barça não perdeu mais. Empatou duas partidas (uma contra a Real Sociedad e outra diante do Valencia) e chegou motivado com a sequência de cinco vitórias por 1-0. "O futebol é muito emocional, emocional, emocional, a gente não pode condicionar só a isso, dá lincença (sic). Quem comanda tem que seguir em frente. Isso aqui é um boeing, meu, é muito grande, olha o time que a gente tem na mão, não dá pra vacilar não, meu filho", retrucou ao bater o Atlético de Madrid por 1-0 (gol de Piqué), duas rodadas antes do Superclássico contra o Real.

O troco do Barça seria crucial para garantir o título, e assim foi dentro do Santiago Bernabéu. Muricy ousou ao deslocar Iniesta para o ataque, deixando o meio-campo com quatro homens. E a zaga, bem, com os mesmos Piqué, Mascherano e Durval, que fez partida excelente diante do Osasuna antes do clássico. Motivado e tomando a iniciativa, o time de Muricy apertou durante todo o primeiro tempo e foi para o intervalo empatando em 0-0, mas com a vantagem na tabela. Dois pontos separavam os rivais. 

Aqui é trabalho, meu filho
Messi, sempre ele, colocou o Barça na frente aos 25 do segundo tempo. Cristiano Ronaldo deu xilique, chamou a responsabilidade e empatou de cabeça três minutos depois. O português correu como o diabo, mas não pôde evitar o passe brilhante de Xavi (quase do meio campo) para o gol de Neymar, que deixou Sergio Ramos na saudade e chutou no canto de Casillas. Barça vingado e campeão.

Na coletiva do título, consolidado diante do Málaga com um imponente 3-0, Muricy tirou o boné e atirou ao fundo da sala de imprensa. Recebeu o abraço de Durval e viu o trio de ouro Xavi, Iniesta e Messi despejar um balde de isotônico na sua cabeça enquanto se preparava para responder a uma pergunta fundamental: "Señor Ramalho, como você se sente sendo campeão com o Barcelona ganhando 12 partidas por 1-0?" Nunca saberemos a resposta.

Felipe Portes é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol.

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic.

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