quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Apenas um punhado de hobbits contra esse mundão todo

Neuchatel concentrado com seus anões
"Vocês organizaram isso pelo Twitter?" Sim, Márcio Canuto, foi tudo pelo Twitter. É, tem gente que nunca vimos na vida. E você acredita que vão viajar de outros estados? Exatamente, só para jogar. "Sensacional, e foi pelo Twitter?".

Mais difícil que convencer o mais intrépido repórter da Rede Globo de Televisão que organizamos a Copa Trifon Ivanov pelo Twitter foi enfrentar os times adversários com uma média de altura similar à de um time sub-13 com distúrbios de crescimento. 

Esse problema foi minimizado porque os seis hobbits eram defendidos por um Aragorn que gosta de acarajé e tinham a magia áerea de um Gandalf (GUMdalf) com apelido contraditório.

Bonsa marcando um dos gols contra o CPTM
Com essas armas, os menores craques da Pompeia impressionaram nos primeiros dois jogos com boas vitórias contra um time que tinha a defesa sólida que nem uma pedra e outro que era rápido como um trem. 

Os críticos da bola quadrada, os míopes cronistas esportivos, os comentaristas precipitados de boteco apontaram o Neuchatel Chavantes como um dos favoritos, mas ignoraram a dificuldade dos adversários que vinham pela frente e o notável equilíbrio de forças que apenas um torneio búlgaro-brasileiro pode proporcionar.

Isso ficou visível nos próximos jogos. Dois empates, contra uma equipe mezzo muçulmana, mezzo caiçara, e outra que tem como craque um Cristiano Ronaldo de araque, colocaram os pés sujos dos hobbits no chão.

As quartas de final foram o momento mais tenso. O capitão dos adversários ignorou as suas origens, colocou o anel no dedo, ficou malvado e distribuiu pontapés. E empurrões. E saiu derrotado.

Infelizmente, a jornada dos pequenos-gigantes parou por aí. O artilheiro do campeonato acertou uma falta certeira, inacreditável, improvável, daquelas que entra uma vez a cada dois mil anos, e demoliu o espírito dos hobbits, que viram o precioso troféu escapar pelos dedos e arder na lava quente do Playball mais famoso do mundo.


Um texto sobre pessoas (Por Felipe Paranhos)
1940 km e um medo absurdo de avião me separavam de São Paulo naquele 5 de outubro. Esse cagaço de voar, inclusive, quase me tirou do campeonato. Mas a chance de aproveitar a Copa Trifon Ivanov fez com que eu não desistisse de passar duas horas pensando no que seria publicado sobre a tragédia do voo 1161 da Gol, que partia de Salvador para São Paulo e matou mais de 100 passageiros. 

(Sim, quem tem fobia de voar não tem a menor racionalidade)

Bonilha perde um gol cara a cara
Depois de testemunhar todo a sessão de embelezamento de Marcus Lellis — o Cristiano Ronaldo da baixada —, que incluiu dedicadas aplicações de escova e secador no cabelo, fomos ao Playball Pompeia. Aliás, não sem antes encontrar parte do pessoal no terminal da Barra Funda. A maioria deles eu sequer reconheci. Monte de moleque feio, putaquepariu. 

Mas, 15 minutos depois, parecia que todo mundo se conhecia há um tempão. Amigos de infância, fomos falando besteira até o Playball. Lá, cada um tirou sua foto com o Canuto, cada um foi se entrosando entre os colegas de time, cada um foi se envolvendo no campeonato. Inclusive, as namoradas dos jogadores foram dando sua contribuição, ora com a mesa, ora com as fotos, ora com a corneta, deixando todo mundo tranquilo pra se preocupar apenas com o belíssimo futebol apresentado.

Falando nisso, não à toa, o campeonato foi ganhando tensão jogo a jogo. Quem se lembra que a primeira partida foi apitada pelo Leopoldo, quebrando o galho na ausência dos árbitros? Pois bem: no fim, teve até jogador — sempre ele, o aparecido Lellis — querendo bater no homem de preto patrocinado pelas Havaianas. E o próprio Leopoldo, outrora mediador, discutindo com todo mundo no campo. 

Até por isso, foi bom que o time do Portes tenha ido pra final. Assim, todo mundo pôde concentrar a corneta em um só tom. Mal ou bem, a putaria que se iniciou ainda na semifinal com os gritos de olé e a virada épica no melhor jogo da Copa (maldito Luccas Oliveira, maldito gigante que tapou minha visão, maldito gol de falta) ajudou a amenizar os poucos ânimos exaltados. 

No fim das contas, o resultado da Copa Trifon Ivanov não teve a menor importância (se fode aí, Portes). Sei que é piegas, mas minha sensação é a de que o campeonato foi um excelente pretexto pra fazer amigos. Que venha a segunda edição, com novas histórias e novos resultados irrelevantes — a menos que o meu time ganhe o título, claro.

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