segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O ano do se

Foto: Globoesporte.com
Todo ano, o brasileiro cai em vícios irritantes quando acompanha o Brasileirão. Os fatos nunca são suficientes, a gente sempre precisa criar hipóteses malucas ou que teoricamente pareceriam mais satisfatórias do que a realidade.

Se o campeonato acabasse hoje, fulano inesperado estaria na Libertadores. Outros grandes estariam rebaixados e nhénhénhé, tudo isso na quinta rodada. Todo ano é a mesma coisa. É o campeão que não quer ganhar, é o time que inexplicavelmente está no G4, é o grande que luta contra as mãos frias e esqueléticas do rebaixamento, coisa e tal. Entretanto, em 2013, como tudo fugiu aos padrões, tivemos ainda mais possibilidades discutidas.

E se o Walter tivesse 10 quilinhos a menos? O cara faz gol que nem o diabo, sempre participa com assistências e é extremamente decisivo. Dizem que ele é viciado em bolachas, dizem que a nutricionista dele faz uma marcação digna de Cannavaro, mas o cidadão continua lá, bonachão e fazendo seus gols. Será que Walter teria o mesmo carisma se fosse fininho? Acreditamos que não e nos rendemos ao poder da fórmula secreta da Trakinas.

E se o Corinthians tivesse voltado do Japão? Como será que o alvinegro campeão mundial se sairia com força total (ainda que sem Paulinho) neste campeonato? Já colocamos nas caixas de leite um pedido para que você, amigo leitor, mande informações sobre o paradeiro dos atletas do Timão, que definitivamente não entraram em campo ainda em 2013. Quem está com saudades?

E se o Atlético nãoparanãoparanãoparanãoparanaense tivesse jogado todo o Estadual e disputado ponto a ponto com o Coritiba? Como estaria a forma física do maior azarão (em termos de elenco, por favor) dos últimos anos? O segredo principal do Furacão para essa surpreendente participação em 2013 é certamente o preparo físico, já que o time titular não disputou o inchado estadual paranaense e não pegou a severa maratona de jogos no primeiro semestre. Será que Paulo Baier e seus garotos estariam com o mesmo pique? Passaram cerol na mão e estão ensinando o baile todo a martelar o martelão.

E se o Coritiba não tivesse tantos desfalques por lesão no primeiro turno? Será que o maestro Alex teria continuado a liderar o time na ponta com o plantel pouco afetado por entradas no departamento médico? O próprio camisa 10 ficou um tempo no estaleiro e acompanhou a decadência do Coxa no campeonato. Depois dele, mais jogadores foram para o DM, outros negociados, e bem, a culpa caiu nas costas de Marquinhos Santos. 

E se o Grêmio não tivesse começado a campanha com Wanderley Luxemburgo na casamata? E se o Fluminense jogasse pra fazer mais de um gol por jogo? E se outro jogador do São Paulo tivesse batido os últimos dois pênaltis que Rogério errou? E se o Náutico tivesse começado o campeonato com o elenco que está agora? E se o Barcelona jogasse o Brasileirão? E se caíssem seis times ao invés de quatro? E se Pelé jogasse nos dias de hoje? E se eu parasse de fazer perguntas irritantes e encerrasse logo essa coluna?

Não vamos apenas analisar a folgada liderança do Cruzeiro e cravar que esse foi um campeonato chato, sem grandes brigas. Quando chegar ao fim, creio que teremos sim saudades de tudo que esse 2013 no futebol nos trouxe. E se o Atlético Mineiro tivesse se concentrado no Brasileirão ao invés de focar na LibertaOK voltamos semana que vem.

Felipe Portes é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol.

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic.

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