quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A queda da última (grande) Iugoslávia

Foto: Jugo Sarajevo
A Iugoslávia foi extinta oficialmente em 2002, sendo sucedida por Sérvia e Montenegro. Entretanto, em Copas do Mundo, a sua última grande geração deu o ar de sua graça pela última vez em 90, ao perder para a Argentina. 

A última grande competição disputada pela Iugoslávia foi a Eurocopa em 2000, mas convenhamos, era um país perneta. Sem as forças croatas e bósnias, o time não era mais tão forte quanto o que cozinhou a Argentina até os pênaltis no Mundial da Itália, em 90. Ainda que em 98 a caminhada tenha sido até as oitavas, onde perderam para a Holanda por 2 a 1, fica o registro de que se algum time iugoslavo pudesse ir muito longe, esse era o de oito anos antes.

Naquela ocasião, todas as nações integraram a seleção que foi até as quartas de final. Na equipe titular que enfrentou a Argentina e foi até os pênaltis, tínhamos: Ivkovic (croata), Spasic (sérvio), Vulic (Croata), Hadzibegic (bósnio), Brnovic (montenegrino), Sabanadzovic (montenegrino), Jozic e Susic (bósnios), Stojkovic (sérvio), Prosinecki (croata) e Vujovic (bósnio). Ainda no banco, nomes como Katanec (esloveno), Jarni (croata), Savicevic (montenegrino), Pancev (macedônio) e a dupla croata Boksic e Suker. O treinador era Ivica Osim, um bósnio.

A primeira fase foi complicada no Grupo D. Alemanha, Iugoslávia e Colômbia disputavam os pontos quase que a tapas. Os alemães passaram em primeiro com 5 pontos, seguidos da Iugoslávia com 4 e a Colômbia pegou a vaguinha como um dos melhores terceiros colocados, somando 3. A julgar pela estreia, os eslavos iriam sofrer muito para avançar. A derrota por 4 a 1 diante da Alemanha foi um tremendo balde de água fria, mas que acordou o time para o que viria a seguir. Vencendo a Colômbia por 1 a 0 e descontando o placar inaugural nos Emirados Árabes Unidos, a seleção capitaneada por Vujovic pegou a Espanha nas oitavas.

Passar sufoco e vencer
O jogo foi duro. Vásquez estava inspirado e chegava com muito perigo dentro da área. A defesa iugoslava parecia não estar pronta para sofrer grande pressão. Num desses ataques, o goleiro Ivkovic defendeu com o rosto uma bola do espanhol, escapando com sorte. Quando tinha a bola, a Iugoslávia errava passes e dava contragolpes para a Fúria. Butragueño e seus colegas cansaram de perder gols, até que a ineficiência foi punida. 

Vujovic fez grande jogada pela esquerda e jogou pelo alto para Katanec, que escorou e achou Stojkovic. O camisa 10 dominou e cortou o zagueiro com classe, para bater no canto de Zubizarreta. Salinas empatou após um passe de Vásquez, quase dentro do gol. Na prorrogação, não demorou muito para que a Iugoslávia resolvesse a questão, apesar de não ter sido superior em quase nenhum momento. Numa falta aos dois minutos, Stojkovic acertou o canto de Zubizarreta com uma cobrança perfeita. 2 a 1, eslavos nas quartas.

Jogar melhor e perder
O fim daquela geração veio mesmo pelas mãos da Argentina. Estava um tremendo calor em Florença para o confronto que valia uma vaga para enfrentar a Itália, dona da casa. A Iugoslávia se portou bem diante dos perigos, apesar de abusar das faltas. Num desses safanões, Maradona apanhou de Sabanadzovic, que foi expulso. A melhor chance dos eslavos veio com Jozic, que pegou de primeira mandando por cima do gol. Muito amarrado, o duelo ficou num 0 a 0 insosso. Burruchaga tentou emular "La Mano de Dios", mas seu gol foi corretamente anulado na prorrogação. 

Nos penais, Stojkovic e Maradona perderam suas cobranças, e quem brilhou foi Goycochea, que salvou o derradeiro chute de Hadzibegic e garantiu a classificação argentina para a semifinal. E para quem não lembra, o arqueiro ainda brilhou novamente contra a Itália, em nova disputa de penalidades.

Iugoslávia 0-0 Argentina (2-3 nos pênaltis)
30 de junho de 1990, Comunale di Firenze, Florença - Itália
Quartas de final da Copa do Mundo
Iugoslávia: Ivkovic, Spasic, Vulic, Hadzibegic, Brnovic, Sabanadzovic, Jozic, Susic (Savicevic), Stojkovic, Prosinecki e Vujovic. Técnico: Ivica Osim
Argentina: Goycochea, Serrizuela, Ruggeri, Simon, Basualdo, Burruchaga, Maradona, Giusti, Olarticoechea (Troglio), Calderon (Dezotti) e Caniggia. Técnico: Carlos Bilardo



Felipe Portes é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol. 

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic.

Nenhum comentário: