quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Guardiola e os dois lados da moeda

Foto: A Football Archive
Guardiola se despediu pela primeira vez do Barcelona em 2001, quando saiu do clube para jogar no Brescia: Pep se emocionou e foi aplaudido por um jovem que seria seu legítimo substituto, Xavi. Só não poderia esperar o que viria depois.

No dia 24 de junho de 2001, Guardiola resolveu abandonar o seu status de lenda no Barcelona para continuar sua carreira na Itália. Como volante e cria de La Masia, Pep estava desde 1990 no time principal e ao longo de 11 anos, ganhou quase tudo que poderia: campeão da Europa em 1992, campeão da Taça das Taças UEFA em 97, seis vezes campeão espanhol e bicampeão da Copa do Rei, o meia já estava com 30 anos quando encarou uma grande mudança na sua vida.

Diante do Celta de Vigo, na semifinal da Copa do Rei, Guardiola recebeu pela última vez o carinho da torcida e dos colegas como atleta. Erguido no meio do campo, usando a faixa de capitão, deixou um lugar no time. Essa vaga seria ocupada com maestria por Xavi.

Quando esteve no auge e como líder natural do Barça no gramado, Pep era reconhecido por sua inteligência fora do comum, sua capacidade de ser o mentor de outros grandes craques com quem jogou nos anos dourados do Dream Team. Tinha uma tremenda força nos bastidores e na organização do time como um todo. No que tange o jogador, a consciência e uma capacidade ímpar de conduzir a bola, eram complementados com passes que muitos meias demorariam minutos para enxergar a condição perfeita.

Com uma trajetória bem sucedida e consolidada, Guardiola começou a sofrer uma série de lesões graves em 1997, inclusive ficando fora da Copa de 1998 na França e jogando apenas seis partidas na campanha do título espanhol em 1997-98. O inferno astral e a luta contra as contusões continuaram mesmo quando ele deixou o Camp Nou.

Baggio recebe de Guardiola a faixa de capitão no Brescia
Foto: Offside.si 
Novos ares na Itália
O Brescia o recebeu de braços abertos e fez dele um dos principais jogadores de um elenco recheado de futuros valores no futebol local. Bonera, Dainelli, Stankevicius e Toni, sem falar no capitão Roberto Baggio, já às vésperas de sua aposentadoria. Foram dois anos que Guardiola certamente gostaria de esquecer.

A forma física do meia era preocupante, o histórico de contusões falava alto, mas quem destruiu a estadia do espanhol na Itália foi um resultado positivo em doping por nandrolona, quando ele defendia o Brescia em 2001. Banido por quatro meses e multado, Pep alegou inocência numa entrevista coletiva: "Meu nome é Josep Guardiola Sala, sou jogador de futebol. Uma máquina diz que eu tomei nandrolona. Ao lado desta máquina, está um homem que diz que isso não é verdade".

Ele lutou até o fim para tirar essa mancha de sua reputação, coisa que só conseguiu em 2009, depois do Comitê Olímpico Nacional Italiano ter reaberto o caso. O trauma foi superado e Guardiola ainda defendeu a Roma, o Al Ahli do Qatar e o Dorados de Sinaloa, onde encerrou definitivamente sua carreira em 2006.

Anos depois, voltaria ao Barcelona para ser treinador do time B e em 2008 assumiu a equipe profissional, revolucionando vários métodos e transformando os blaugrana num gigante, conquistando vários títulos logo na sua primeira temporada. Certamente uma forma justa de retomar os anos perdidos com o Barça e superar a fase negra que viveu na Itália.

Josep "Pep" Guardiola
Nascimento: 18/01/1971, em Santpedor - Espanha
Posição: Volante e meia
Clubes: 1990-2001 Barcelona, 2001-03 Brescia, 2002 Roma, 2003-05 Al Ahli, 2006 Dorados de Sinaloa
Títulos: Jogos Olímpicos 1992, Liga dos Campeões 1992, Taça das Taças UEFA 1997, La Liga 1991, 92, 93, 94, 98 e 99, Copa do Rei 1997 e 98.
Participações em Copas: 1994
Eurocopas: 2000



Felipe Portes é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol.

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic.

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