quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Trifon, o lobo búlgaro

Foto: Dokupil.at
Trifon Marinov Ivanov é um nome tão marcante quanto os chamativos e longos mullets que o zagueirão búlgaro ostentou na década de 1990. Lembrado como brucutu dos campos e como aquela figurinha do álbum da Copa que você precisava ter de qualquer forma, Trifon é cultuado pelos mais diferentes cantos deste universo. 

Na iminência da segunda Copa Trifon Ivanov, muita gente ainda desconhece quem é o jogador que inspirou o nome da competição. Visando sanar essa dúvida e consolidar a idolatria geral pelo Lobo, um gênio do futebol alternativo e que não pode jamais ser esquecido, contamos melhor um pouco da sua carreira.

Truculento e pouco ágil na cobertura, o Lobo Búlgaro comandou a defesa de sua seleção por dez anos, de 1988 ao Mundial de 98 na França, na fraca campanha num grupo com Espanha, Paraguai e Nigéria. Capitão da Bulgária por muitos anos, Trifon foi o xerifão e também sabia chegar na área para cabecear ou pegar a sobra.

Deu seus primeiros pontapés (entenda como quiser) pelo Etar Tarnovo, de sua terra natal. Por lá ficou até 1988, quando encantou os dirigentes do CSKA Sofia. Demonstrando boa capacidade para chutes de longa distância, vez ou outra surpreendia os pobres goleiros com patadas do meio da rua. Foram oito gols em dois anos pela equipe da capital búlgara, até que os andaluzes do Bétis resolveram investir seus tostões na contratação do beque. 

Sem se adaptar como gostaria, Trifon fez 20 partidas antes de voltar às suas origens no Etar Tarnovo, entrando em campo em 12 oportunidades antes de OUTRA VEZ (pô, cara, se decide) vestir a camisa do CSKA. Como num déja-vù, o Lobo Búlgaro fazia suas malas mais uma vez rumo ao exterior. Mais uma passagem pelo Bétis. Quer dizer...

Foto: Old School Panini
Um ano de Espanha e viria a Copa de 1994, nos Estados Unidos. A Bulgária tirou a França na repescagem, com dois gols de Kostadinov. Ao embalo do forte sol norte-americano e as músicas de Jon Secada, a seleção fez excelente papel e tirou México e Alemanha nas fases do mata mata antes de cair perante a Itália na semifinal.

Em uma competição onde tivemos uma trave derrubada por Bernal, um gol contra que custou a vida de Escobar, a suspensão de Maradona com a bola rolando, a façanha dos balcânicos marcou época nos autos futebolísticos. Ivanov levou incríveis três cartões amarelos no decorrer do certame. Para quem é fã dos álbuns de figurinha das Copas, já em 94 Trifon chamava a atenção pela sua foto. Virou um ícone do futebol alternativo. 

Após chocar o mundo com seu visual de lobisomem, Trifon assinou com o Neuchâtel Xamax da Suíça, onde não ficaria por muito tempo. Míseras 25 partidas para não deixar saudade pelos lados de lá. Voltou ao seu namorico juvenil, o CSKA Sofia, como uma ex-namorada que sempre troca de caso mas acaba voltando para os braços do mesmo cara. 

Em 1995 mudou de ares e foi tentar a sorte no Rapid Viena, que estava à sua espera (valeu, Billy Joel). As duas temporadas no alviverde vienense foram talvez o maior momento de Trifon em clubes, já que ele conquistou a Copa da Áustria no mesmo ano, e a Bundesliga em 1996.

Foto: Old School Panini
Seu momento particular mais glorioso foi nas Eliminatórias para o Mundial na França, em 1997, contra a Rússia. O seu gol de cabeça valeu a vaga para a competição da FIFA, embora a atuação búlgara neste evento tenha sido um tanto quanto desastrosa. Que dirá os 6-1 levados contra a Espanha.

Encerrou sua carreira com uma heresia, ao trocar o Rapid pelo Austria Viena, mesmo que por um semestre. Incapaz de deixar A marca do ogro nos violetas vienenses, deixou o time austríaco para voltar ao amor da sua vida, CSKA Sofia, onde pendurou suas chuteiras e deixou saudades. 

Com 47 gols (seis pela seleção nacional da Bulgária) e eterno respeito em seu país, Trifon Ivanov foi uma lenda, ditando tendências defensivas (abaixo do pescoço é canela, porrada neles, vou entrar de sola e não tô nem aí) e sobretudo de aparência. Os fãs de futebol sempre se recordarão com apreço daquele camisa 3 que não dormia em serviço.

Hoje Trifon vive em sua cidade natal, Veliko Tarnovo, onde trabalha para a secretaria municipal de esportes. Alheio às redes sociais, não tem acesso a e-mails e não atende o celular quando não sabe quem está ligando. A parte boa é que o ídolo sabe que o homenageamos com o nome do torneio. Ele conheceu toda a mobilização em torno do evento graças ao contato do jornalista francês Alban Traquet, do L'equipe, que o entrevistou neste mês e mostrou este blog.

Pedimos a Traquet que nos colocasse em contato com Trifon, mas ele nos respondeu que é bem difícil conseguir chegar perto do ex-atleta. Recentemente, Ivanov protagonizou um comercial da cerveja Kamenitza. Isso é tudo que sabemos. Mas o sonho de vê-lo participar de qualquer forma na Copa Trifon Ivanov continua vivo. VEM COM A GENTE, TRIFA!



Felipe Portes é estudante de jornalismo, tem 23 anos e é o dono e criador da Total Football. Work-a-holic, come, bebe e respira futebol. 

"O futebol na minha vida é questão de fantasia, de imaginário. Fosse uma ciência exata, seria apenas praticado por robôs. Nunca fui bom em cálculos e fórmulas, o lado humano me fascina muito mais do que o favoritismo e as vitórias consideradas certas. Surpresas são mais saborosas do que hegemonias.

No twitter, @portesovic.

2 comentários:

Chico Luz disse...

bah, Portes, que afudê tudo isso aí. A história do Ivanov já é muito doida, e ele ter visto a Copa é ainda mais sensacional.

TRIFON IVANOV PLIS COME TO BRAZIIL

Rodrigo Mahs disse...

Se você reparar, em 1:06 no vídeo o cara fala "Triffon Ivanov, cara fenomenal no rolê"