sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Conservadorismo e tristeza


Por Rodrigo "El" Salvador

O Cobrelapa não foi um time de um dia. É justo dizer que nenhum time foi, já que a II Copa Trifon Ivanov começou há tempos, e ainda não acabou. Mas quando a gente se dispõe a fazer qualquer coisa junto com gente que nunca viu na vida, a chance de dar miseravelmente errado existe. No Cobrelapa, tudo deu mecanicamente certo, fruto de uma sinergia rara. Assim, minha tarefa aqui é falar sobre um time que ainda existe e que tem torcida, ainda que nunca mais jogue junto. Uma seleção de caras fodas.

O cenário antes da Copa, desde o sorteio dos times, apontava o Cobrelapa (doravante denominado =(, como orgulhosamente ostentamos durante todo o mês de preparação pra Copa) como favorito. Só mais tarde entendi que qualquer time com Allan Amarelo ou Gui Rocha sempre será favorito, e nós tínhamos os dois. Mas ninguém levou em conta que nosso querido =( seria o primeiro time desfalcado, e logo do capitão. 

Mané Colomba abandonou a braçadeira pra se tornar o MILIONÁRIO RUSSO que comprou um time brasileiro pra gastar petrodólares. Pra piorar, a TRIFA prejudicou o time, deixando o capitão a 400km de distância do elenco. Mas se todo mundo achava que seríamos campeões, a ordem foi que déssemos ao povo o que ele queria. 

O time estava, nos emails e nos treinos, em uma sintonia incrível. Até hospedagem foi oferecida entre os ARTISTAS JOGADORES, sendo que fevereiro ainda não tinha os 8 dias necessários pra nos chamarmos de amigos. Mas tínhamos um problema: ninguém era atacante. O cara mais avançado se descrevia como "meia que ajuda a marcar". Se era assim, honraríamos Figueroa (não chora, Gui) entrando na Copa com uma retranca chilena buscando um gol por jogo. Danilo no gol, Caio, Gui, Amarelo, (um dos) Bonilha e eu na zaga. 5-0-0, pra humilhar Roth e Adilson juntos.

Na estreia contra o brioso Moocabi Haifa, vencemos com um gol oportunista, um bem construído e um de sorte. Mas perdemos todos os reservas. Era a oportunidade perfeita pra achar gente pra atacar. Maurício Svartman, um Muricy bem-humorado e educado, pendurou as chuteiras pra virar MANAGER do =(, e conseguiu Vinícius e Eduardo pro PLANTEL. Já no segundo jogo, contra o ótimo (ótimo MESMO) Aston Villa Mariana, 2x1 pra gente com dois gols dos estreantes, o segundo no último lance em que a bola deixaria de tocar o verde sintético. Pronto, não tinha como não ficar confiante depois disso. 

Começamos o mata-mata - sim, porque seríamos eliminados se perdêssemos - com 4x0 no Borussia Moemagladbach orquestrado pelo Gui Rocha, e manter o espírito Conservadorismo & Tristeza inerentes ao =( não foi fácil. Ainda mais com a marra em forma de gente vestindo a camisa 2 e atendendo por Eduardo, puta piá legal, ousado e alegre.

A essa altura, todos os clichês e lugares comuns sobre a beleza de se viver um dia de Trifonzão já eram nossa realidade. O campeonato não era prioridade, a prosa sim. Svartman arrumou protetor solar pra todo mundo (que ficou na minha mala, cara, desculpa), Gui era a simpatia encarnada como MENINO DA ÁGUA, Danilo mantendo a média de uma piada por assunto. Minha namorada e a do Amarelo por pouco não foram escaladas no =(, tamanha era a interação. Os papos em torno das quadras, inclusive com amigos-adversários, só dignificavam o dia. Rostos que não se reconhecia imediatamente, mas materializavam arrobas, avatares, trocas de mentions com piadas, discussões e ideias. O câmera da Globo, gente, que figuraça. E carne. E água. E mais água. E futebol.

Enfim, tal qual uma matéria do Globoesporte, não tem espaço aqui pra contar tudo. Mas algumas coisas merecem menção, como 100% do nosso elenco assistindo jogo do grupo A pra estudar adversário pras quartas, o que nos fez chegar pro jogo contra LaUgusta sem saber como jogavam (não era só tu que não sabia as regras, Ciro). Ganhamos esse jogo com dois gols do camisa 10 Amarelo (óbvio, porque sendo argentino, ou é camisa 10, ou doce de leite, ou frente fria): um sem querer e outro MUITO por querer, num chute de cobertura DA PRÓPRIA ÁREA, lance que deverá ser lembrado no mínimo até a LXXII Copa Trifon Ivanov. 

Na semifinal, o Ipirankt Pauli já tinha calado os críticos que o colocavam como potencial lanterna. E a gente sabia que não podia empatar o jogo, pra não precisar jogar mano a mano contra #JAIR. Vencemos, mas ninguém sabe como. Caio, único zorro do deserto que ainda não havia marcado seu tento no dia, meteu o pé do meio do campo, a bola desapareceu e se materializou no barbante segundos depois, um minuto antes do último trino do apito. Talvez o tapa que dei na bunda no Capitão Ganchomiate antes do jogo tenha desestabilizado os caras.

Depois de ficar quase oito horas debaixo um TIME de sóis (seis e dois reservas, pelo que pude contar), a TRIFA inflacionou o preço da final e quem veio assistir foi uma chuva coxinha gritando "seeeeeeeenta". Nos jogos da quadra 8, eu sempre tentei tirar o Danilo de perto da corneta atrás do gol. Na final, o único par ou ímpar que ganhei, eu consegui isso. Mas depois de meio segundo, lembrei que a final tinha dois tempos. Eu perdi o jogo ali, na escolha do campo. Depois perdi mais dois gols em um jogo pra lá de equilibrado. Quer dizer, equilibrado entre os 11 viventes que assitiram o MONÓLOGO do Flávio Bandeira. Nem adianta dizer que a gente não era as nega dele, porque era. Jogou tudo, fez gol, fez chover, unificou Impedcopa e Trifon, fez a gente parecer uma aranha debaixo de um chinelo.

Do nosso lado, o =( saiu frustrado com o resultado, é inegável. Particularmente o Gui e o Amarelo, bi vices. Demoramos pra aceitar que realmente foi um jogão, que demos trabalho e etc. Eu fui jogar uma pelada na segunda aqui em Curitiba, colete laranja pra nós, verde pra eles. Uma voz vinda direto do além (aka Bulgária) ecoou no meu ouvido, assumindo a autoria do bullying e tirando sarro do vice. Ah, mas eu joguei pra VINGAR a derrota, corri como se tivesse 18 anos, até gol de cabeça fiz. Enfim, não ganhamos a Trifon, mas ganhamos infinitas outras coisas. Nas palavras dos Cobrelapenses:

Gui Rocha: "Cobrelapa ensinou ao público da TRIFA o conceito de TIME DE FUTEBOL"
Danilo Xis: "Ganhei coisas mais importantes, como a felicidade de ter jogado em um dos times mais legais e entrosados que já vi (dentro e fora de campo)"
João Bonilha: "Nunca desistimos da vitória, sempre de uma maneira limpa, leal e no espírito de galhofa da Trifon Ivanov"
Eduardo Nunes: "Era notável o entrosamento e a vontade de vencer em cada jogo"
Allan Amarelo: "Um time tão bom, que todos eram coadjuvantes"
Caio Filócomo: "A espera do sábado foi recompensada com um grande de time com craques como pessoa"
Emanuel Colombari: "Ficaria orgulhoso como fiquei mesmo se fôssemos lanternas. Faria tudo de novo"
Maurício Svartman: "Nos vemos no STJD"
É COBRELAPA PORRA!! VAI COBRELAPA!!

Um comentário:

João Rafael Bonilha disse...

Falou tudo capitão e até a próxima copa!