quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Os homens de preto

Foto: Maurício Matsueda
Por Leopoldo Bitencourt

Os homens de preto, os homens de preto,
os homens de preto

Os homens de preto trazendo a boiada
Vêm rindo, cantando, dando gargalhada
Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez

Os homens de preto trazendo a boiada
Vêm rindo, cantando, dando gargalhada
E o bicho coitado não pensa em nada
Só vai pela estrada direto a charqueadas


Os homens de preto. O calor que se dane. Montamos um time com dois conhecidos. Tive a sorte de ter comigo de novo o Gabriel, nosso serelepe e valente avante. E ainda a sorte de ter o cara mais corneteiro dos times, o Gui Pinheiro. Isso aliviou nossa pressão inicial. 

Grupo difícil, do qual sabíamos que ao menos um finalista sairia. 

E foi o que aconteceu. No primeiro jogo pegamos o Aston Villa Mariana, time forte fisicamente e que tinha o Miúdo, bom meia. Logo no início soubemos que seria difícil, com o Carlos CESAROTTI Amarilla nos AFANANDO duas faltas quase em sequência, o que comprometeu o restante do jogo. Um chute no rosto do Gabriel, dentro da nossa área (o rapaz passou o dia com o lado esquerdo do rosto inchado) e outra falta no momento em que eu ia completar um chapéu no Pedro Cuenca. Acontece, sei que é feio levar chapéu. Mais feio é o adversário parar pra falta e o juiz mandar seguir. 

Perdemos, como seria de se esperar. Descansamos, fui pra churrasqueira, e lá sofri. Mais que tudo, é um prazer servir a galera que vai lá na Trifon. Mas 40 graus na cabeça e mais o calor da churrasqueira é de matar. (um adendo: Borgo, Chiorino, Tati, Flávio: muito valeu a ajuda de vocês. Sem vocês ajudando não teríamos carne)

Nosso segundo jogo, tratamos de nos tranquilizar, o adversário mais perigoso era o Chiorino, nosso Arjen Robben hétero. Tivemos um início avassalador, marcando em cima e fazendo 3 gols na sequência. Aí sofro uma falta (ó, milagre, irei a Aparecida, o juiz marcou). 3 na barreira, três metros do gol, Thiago me pede que toque na direita pra ele. A única coisa que vejo por cima dos ralos cabelos do Chiorino é o goleiro Charles um pouco adiantado. Por algum motivo ESPIRITUAL (coisa do nosso torcedor ilustre Arthur Chrispin) baixou um espírito NOVO ZICO em mim e consegui, na gaveta, por cobertura. Diria que a bola penteou os rapazes da barreira, mas seria maldade com os carecas. Conseguimos, enfim, uma vitória. Uma boa vitória. 

Os percalços, no entanto, nos seguiam. Estava já me sentindo um Grêmio de 2007, um Manchester de 1958, um Botafogo desde sempre. Terceiro e último jogo da primeira fase, enfrentamos o melhor time do grupo, Cobrelapa. Time forte, com o El Salvador na zaga e o sempre PELIGROSO argentino Amarello, além do único Bonilha hétero da família. E o juiz? Bem, o nosso velho conhecido, nosso CARLOS EUGÊNIO CESAROTTI SIMON, nosso AMARILLA, esse sem vergonha, salafrário. 

Saímos perdendo, fomos puxando contra-ataques até que começou. Pisão no Gui, nada de falta. Cadu se machucou sozinho, ficamos sem reserva. (Thiago estava escalado pra trabalhar). Bola bate na mão de jogador caído, juiz marca falta. Svartman me derruba, falta pra eles. Aos poucos fomos perdendo a cabeça e o controle. 

Guilherme não conseguia mais correr, Gabriel parecia um Stallone com aquele olho inchado e eu tava querendo matar (de fato) o Cesarotti. Perdemos três jogadores e a vaga na série A. Uns minutos se passaram e vi o resultado final: Guilherme com o dedo estourado, Gabriel com olho inchado, Cadu sem poder caminhar, Erick com bolhas nos pés por conta do calor da cancha. Resolvemos desistir, melhor cair em pé do que entrar com 3 jogadores em campo. Não havia motivo pra continuarmos. A Trifon é uma Copa de amigos, um encontro de almas em torno do futebol e da churrasqueira (e da sombra também). Certamente iríamos longe não fossem as lesões. Assim seguimos, os homens de preto, tocando a boiada. 

Voltaremo! (pra cancha, pra churrasqueira, pra querer matar esse maldito árbitro. Voltaremos)

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