terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O jogo que não acabou


Por Eric Franco

De maior máfia e panela do campeonato à descoberta de que tudo isso era uma farsa, minha participação na primeira Copa poderia acompanhar alguns adjetivos como risível ou decepcionante. Rancoroso e competitivo, entrei disposto a apagar completamente aquela participação da memória alheia e usar isso como incentivo pra ajudar meus companheiros de time a ter uma apresentação memorável dessa vez. Deu certo, mas não do jeito que eu tinha pensado...

Relativamente parecido com o ano passado, formei time com algumas pessoas que eu já conhecia, como o Julio “@oimperador” César, déspota romano recém convetido ao zen budismo e o Tonkiel Jardelão, o resto dos caras eram uma incógnita pra mim. No meio do caminho, ainda contamos com o reforço de Mario Brunotelli, mais marrento que o original carcamano.

A combinação já começava a ficar explosiva e só melhorava quando, chegando no Playball, reconheci o Rafael, com quem tive uma pequena cota de lances ríspidos no ano passado. Qué dizê, a promessa era de um time copero y peleador. Nos juntamos a Caíque, Corazza e Matheus e fizemos a preleção mais preguiçosa do torneio onde descobrimos que éramos 7 meias e um goleiro, uma combinação destinada a dar errado.

A estréia foi contra meus ex-companheiros caiçaras de Guarujasaray e não poderia ter sido melhor: um gol logo no começo pra tirar a zica, um escanteio milimétrico que fez o Rafael lembrar Romário em 94 se enfiando no meio dos grandalhões pra aumentar o placar. Eu ainda mandaria uma bola na trave no fim e pelo menos até o próximo jogo a corneta teve de ser guardada.

A partir daí minha curva descendente se confundiu com a do time e no segundo jogo levamos um vareio do Higienapoli. Apesar da derrota, ainda podíamos nos gabar da grande defesa do Corazza depois que o Moret DIBROU o time inteiro e do Caique Toleedorf, que mesmo jogando no sacrifício, ainda fez um PELANTI no Moret (o caboclo tava impossível) pra não deixar o resultado ser ainda mais feio. O jogo contra o Universidad podia carimbar nossa passagem pra próxima fase com um empate, mas tomamos outra sova e isso foi ótimo.

Se você está se perguntando porque foi ótimo ser eliminado e não ter mais chances de título, certamente não viu um jogo que poderia facilmente fazer parte da Copa Libertadores 2014, entre Moocabi Haifa e Ajaxanã, o jogo mais copeiro, brigado, discutido, roubado, comentado, premiado e memorável dessa edição da Copa.

Aparentemente aqueles que são oriundos do Jaçanã não se dão bem com o pessoal da Zona Leste. Se na primeira rodada, ganhamos no Steaua e na canção do nosso patrono, o puto do Arnesto fodeu com aquele samba no Brás, dessa vez foram os mooquenses que nos deixaram com uma baita duma reiva, afinal caímos na catimba do Alesqui, sofremos com o cai cai do Neymayuri, tomamos um baile do Chiorino, o Iniesta pocket, além da sermos claramente operados pela arbitragem. A conjunção de fatores desbloqueou o Imperador versão Calígula, tresloucado, gritando, nu, coberto de sangue e se o jogo tivesse mais cinco minutos provavelmente nomearia seu cavalo como zagueiro, apenas pra que o Yuri mandasse seu AIAIAI com motivo dessa vez.

Parece uma história ruim, cheia de de derrotas e percalços, mas não nos importa. Deixem o título com o Raja! Deixem a história de superação com o Ipirankt! Deixem os gols bonitos com o Chivas! Eu não troco o jogo mais carisma dessa Copa por nenhum outro, nem dessa e nem em outra edição.

AVANTE, AJAXANÃ.

Um comentário:

Tomiate disse...

De ZICO HÉTERO a INIESTA POCKET passando por uma noite dormida no sofá. Chiorino gigante.