quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Greve, a quem interessa calar as vozes da arquibancada

Foto: Globo Esporte
Os jogadores de futebol vão parar neste final de semana. É a greve que anunciam desde o ano passado, quando surgiu o Bom Senso FC. A oportunidade da greve surgiu nos campeonatos estaduais, causando assim menor problema aos grevistas, já que o estopim da greve foi a invasão do CT do Corinthians por mais de 100 torcedores no dia 1 de fevereiro.

Mas porque não pararam  no final de semana seguinte? A explicação está na matéria do Estadão de ontem.


A intenção dos atletas do Corinthians era já não ter enfrentado a Ponte Preta no domingo, mas em nota eles anunciaram que só entraram em campo "por causa dos riscos contratuais do clube com os patrocinadores, com a Federação Paulista de Futebol e com a Rede Globo de Televisão".

Isso abre margem para entendermos que a tal greve não rolou no Campeonato Brasileiro do ano passado, pois ela precisa ser avalizada pela Globo, pelas entidades, pelos patrocinadores, ou seja, justamente contra quem se deve protestar.

Greve, pra mim, é o que trabalhadores fazem para exigir seus direitos, de forma extrema, mas na busca que suas reivindicações sejam atendidas, não se pede permissão ao patrão para fazer greve, apenas faz-se-á.

Greve foi o que Lech Walesa promoveu nos estaleiros de Gdansk na Polónia de 1980. Greve foi o que os mineiros britânicos organizaram na Inglaterra de Margaret Thatcher. 

Greve foi o que os metalúrgicos e milhões de trabalhadores fizeram no Brasil em 1979, onde um dia depois de deflagrada a greve dos metalúrgicos de São Paulo e Guarulhos (28 de outubro), a PM reprimiu com violência uma manifestação em Santo Amaro, matando o operário Santo Dias da Silva. No cortejo do enterro, 30 mil pessoas gritavam “o povo não tem medo, abaixo Figueiredo”, em referência ao General João Batista de Figueiredo que tinha acabado de assumir a presidência da República.

Greve é luta, por direitos e privilégios, onde todos em que qualquer pessoa sabia o que está em causa.

Na mesma matéria do Estadão não fica claro qual essa "lista de reivindicações":

Também foram enviados ofícios ao TJD (Tribunal de Justiça Desportiva), à Delegacia Regional do Trabalho e ao Ministério Público do Trabalho com a lista de reivindicações dos atletas.

Não sou contra o direito de fazer greve, mas a banalização da greve, assim como de outros movimentos populares, leva ao descrédito, nivela por baixo (pra usar um termo muito em voga, certo ou não, no campeonato brasileiro) movimentos legítimos.

Enfim, essa greve dos jogadores quer o que? Segurança? Com ela vai se impedir novas revoltas de torcedores? Duvido muito.

A segurança tem que ser dada pelo responsável por cada clube. Não estou querendo desmerecer a revolta dos jogadores do Corinthians, mas esse sofrimento (como muitos outros), não é exclusivo deles, e mesmo dos lados de cá, há de se cobrar atitudes dos responsáveis por protegê-los e punição aos infratores, vide casos como Vagner Love, João Vitor, Valdívia na Argentina, etc.

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