terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O bonde unido por chinelos

Foto: Mauricio Matsueda
Por Pedro Spiacci

Não era capitão, talvez nem fosse participar da Copa, pois duas lesões seguidas nos tornozelos me impediriam. Em pouco tempo, tudo mudou. O médico disse que seria possível, mas seria difícil, por isso, logo comecei a realizar seguidas sessões de fisioterapia e, sim, foi possível. No meio da minha maratona, fui conhecendo aos poucos os caras que iam jogar comigo e fui vendo como seria legal tê-los ao meu lado.

Os amigos recém-adquiridos foram o principal combustível da minha recuperação, sem eles não seria possível. Não fazer parte do Deportes Imigrantes seria uma dor maior do que um novo rompimento dos ligamentos dos tornozelos. Assim que foi ficando mais claro que poderia jogar, recebi um presente de Ciro Hamen, a faixa de capitão. A partir daí, não teria mais como, jogaria de qualquer forma. Depois, o nosso goleiro presenteou o time com o que nos diferenciaria de todos os outros, os chinelos personalizados. Isto nos transformou no bonde do Chinelão, que Boituva eternizou através de uma faixa, que nos acompanhou em todos os jogos. A entrada em campo com o nosso bandeirão e cantando: “O lê lê, o lá lá, o bonde vem aí e o chinelo vai andar” foi contribuição do vice-capitão, Gui Lopes, que foi o nosso representante na reunião pré-Copa.

Foto: Mauricio Matsueda
Finalmente chegou o dia, ainda longe do 100%, mas em condição de estar ao lado daqueles caras, que, quando conheci pessoalmente vi que eram ainda melhores do que já conhecia pelo twitter e pelo e-mail. O Boituva chegou com a faixa – que voltou comigo pra Londrina – e, Ciro, mesmo atrasado, encontrou a @drianasanttos e nos entregou os chinelos. O Bonde se materializava. Sem zagueiro de origem, todos nos sacrificamos. Coutinho ficou mais à frente; eu joguei mais atrás; o criativo Gui Lopes foi, muitas vezes, zagueiro e o trio de alas ofensivos, Rodrigo, Boituva e Vanzo, também ficou mais preocupado com a marcação.

Com o sacrifício de todos empatamos os dois primeiros jogos, quando jogamos melhor, mas faltou o gol. Aliás, fizemos um que veio após muita insistência de Gui e Coutinho. Para o terceiro jogo fomos à lista de espera e buscamos o melhor reforço do último minuto da janela de transferência, Lucas, que jogou com o meu short, com o meião do Gui, chuteira do Coutinho e com a camisa do ausente Pedro Canuto. Ganhamos um ótimo defensor, mas fomos eliminados com a derrota na última partida. Apesar da arbitragem discutível, a eliminação ficou na nossa conta.

Caímos para o troféu Fluminense e jogamos como se fosse série A. Seríamos eliminados pelo time do Portes, mas buscamos o resultado e conseguimos o empate no fim – eu também consegui uma caneta de letra no capitão adversário, que levou tudo na esportiva. Nos pênaltis, nada de chances para eles e fomos para a semifinal, quando sofremos muito, pois lesões aparecerem em Gui Lopes, Thiago Boituva e Lucas. Assim, não tivemos oportunidades e perdemos.


A última esperança de vencer algo era a disputa do terceiro lugar do troféu Fluminense. E fomos com tudo pra cima do Steaua ZL. Fizemos 3 a 1 e tive minha melhor exibição, marcando dois belos gols de destra e quase fazendo mais um, que seria de letra com a canhota. Não valia nada, né? Para nós, valia sim, foi a vitória para referendar a amizade criada pelo bonde e a comemoração pós-partida mostrou isso. Valeu ter feito parte do time mais carisma, obrigado, Deportes!

Fora de campo e longe da família Deportes, a Copa também foi sensacional. Ver pela primeira vez amigos de longa data na internet, como Murillo Moret (valeu pela carona para um lugar, com certeza, fora de mão pra ti), Matheus Rocha, Felipe Lobo, Felipe Portes e Luccas de Oliveira foi emocionante. Poder conhecer outras pessoas, também foi, Marcus Lellis, Thom (trabalhou demais no dia), El, Tomiate, Paneque, o londrinense Domingos JR (meu pai é bem conhecido do seu), Arthur Barcelos, Caio Filócomo, Raphael Harris, Leo Rossatto e outros - se esqueci de alguém, perdão.

Além disso, participei da corneta, dividi o espaço com o maior corneteiro da Copa, Victor Martins e muitos outros. Os melhores xingamentos: “sua mãe curte Evanescence, Vanzo” e “seu social mídia do Bruno Covas”. Eu simplifiquei, xinguei o Portes e o Paneque; ri do pênalti perdido por Moret; vi de perto a tremenda trombada entra Mayara e a menina Marsilac; vibrei com o times mais carisma feminino, o Deportivo Laparuña; acompanhei os três gols de falta da Maria Pirlo e não perdi um lance da final masculina, o recital de Flávio Bandeira frente ao Cobrelapa. Já estou inscrito para a próxima e serei mais uma vez campeão, afinal, todos somos campeões!

Valeu, Deportes! Valeu, Copa Trifon!

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