quinta-feira, 5 de julho de 2012

Chão de estrelas

Foto: Fox Sports
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Calando muitos críticos e céticos a respeito de sua maior conquista, o Corinthians venceu (e convenceu) o -Boca Juniors -segundo maior campeão do continente- e ergueu a Taça Libertadores da América diante de um Pacaembu lotado e pintado de preto e branco, como só a Fiel poderia fazer. 

Cantaria Nelson Gonçalves (em composição de Silvio Caldas) que os alvinegros "andaram cantando sua fantasia entre as palmas febris dos corações". Por todas as semanas que antecederam o duelo emocionante contra o Santos e por fim o que marcou a glória frente o Boca, o que mais se viu foi o orgulho corintiano levado às ruas, cantado a todo pulmão para quem quisesse ouvir que chegava a hora, que chegava a hora e chegava a hora.

O grito começou a ecoar mais alto no 1-1 em Buenos Aires. "Ninguém joga a bola que jogamos lá, agora em São Paulo é só correr pro abraço", diz o torcedor, o que por si é uma grande verdade, já que os soldados de Tite cumpriram sua missão de parar o imponente esquete xeneize quando ele mais cresceu. Romarinho, moleque de cabeça fria, concentrado e sem pressão, entrou e empatou. 

Muitos diziam que os argentinos, apesar de trazer um experiente e seguro Schiavi e o sempre venenoso Riquelme, não eram mais os mesmos. "Chegaram só com a camisa até aqui, duvido fazerem um bom papel contra esse Corinthians", se precipitaram alguns ignorantes escribas da bola, bola que nunca devem ter visto, jogado ou chegado perto num evento que não fosse exposição. Julio Cesar Falcioni também soube tirar o máximo de um elenco bravo, que se reergueu de anos medíocres se comparados à história boquense.

Terminou a noite de quarta, com 2-0 para o Timão no placar, dois gols de Emerson. Enlouquecida, a massa corintiana ergueu suas camisas, qual bandeiras agitadas, parecia um estranho festival. Foi a festa dos trapos alvinegros. Lembrando aquele que foi um patriarca, o camisa 8, o líder de uma democracia, os discípulos de Doutor Sócrates mais uma vez gritaram o nome de um herói, morto no dia da última grande alegria da equipe de Parque São Jorge. Justo seria com Doutor estar ali perto para ver o seu legado.

Com os braços ao alto, a Fiel cantarola o hino e enche as ruas com a sua festa tão esperada, a mostrar que  nos morros mal vestidos é sempre feriado nacional. É pisando num chão de estrelas que acorda o corintiano, colhendo os frutos dessa batalha que parecia ser incessante, mas enfim foi vencida. Necessário completar que nunca precisaram dela para serem grandes. Já eram enormes sem a taça, o que dizer agora que estão em posse dela?

A alegria dessa vida deve ser a cabrocha, o luar, e o Timão...



Nenhum comentário: