quinta-feira, 5 de julho de 2012

Uma final, dois alviverdes

Foto: Terra
Felipe Portes, @portesovic 
Palestra Itália-SP, Parte 1

Temos passado por anos difíceis. Os bons tempos, de riso fácil e taças aos montes ficaram para trás, com este mesmo senhor bigodudo e ranzinza no comando. Olhávamos para a meta até o fim de 2011 e lá estava um santo dos mais humanos, que de tão humano não conseguiu mais lutar contra as próprias dores, sejam elas físicas ou na alma. Nossas glórias viraram parte do passado, pois o presente é tortuoso. Até essa noite de quinta-feira.

O orgulho que tenho no Palmeiras vem muito mais da garra apresentada na Copa do Brasil do que no próprio elenco. É imensurável a surpresa que sinto ao ver esse time, que caiu perante o Guarani e formado por quase todas as mesmas peças do fracasso de 2011, ergueu a cabeça e entrou com fé nessa competição, que 14 anos atrás foi o primeiro passo para a nossa maior conquista. 

Veja bem, já são 12 anos sem chegar em uma grande final. Desde aquela noite contra o Boca, em que viramos porcus tristis não sabemos o que é chegar perto de um troféu relevante. O que não quer dizer que não tenhamos comemorado o Paulista de 2008, mas é outro espírito. Agora, caminhando entre a cautela e a esperança de libertar o grito que há tempos está entalado na garganta, entro no dia 5 de julho com o coração pesado, carregando um vagão de dúvidas sobre as nossas possibilidades.

São muitas deficiências, mas acima de tudo é preciso ressaltar o foco e a garra apresentadas nos duelos quase de velho oeste na competição. Contra o Atlético Paranaense, duas partidas de paciência, com um empate fora e a vitória demorada em Barueri. A vontade era de fazer uma série do Fomos campeões sobre a edição de 1998, mas era cedo.

Contra o Grêmio, a cartada inicial: Mazinho e Barcos derrubaram o tricolor em Porto Alegre e aquele sonho que estava perdido, aos poucos apareceu por detrás dos montes. Juro que foi a maior alegria no ano saber que no meio de tanto sofrimento acumulado, o meu time, sim, o meu time ainda me fazia sorrir, pular pela casa, gritar e encher o peito outra vez. Como disse, já faz tempo que não tenho essa sensação e gostaria muito de tê-la novamente.

Chego incrédulo para escrever as linhas finais de uma prévia da decisão mais importante na década. Para nós, alviverdes, o quase esteve sempre perto, risonho, fanfarrão e cruel. Mas se conheço nosso comandante, tenho certeza de que ele não admitirá nova derrota. Que despertou o brio em cada peça, em cada camisa, em cada um dos vinte que entrarão em campo na Arena Barueri para devolver o semblante feliz do palmeirense, que já não suporta a longa espera, que quer sair da fila e quer ser campeão.

Se por um lado os maiores rivais foram campeões com grande merecimento, que seja aplaudido o auge deles. A parcela verde de São Paulo jamais deverá lamentar por isso, e sim bater no peito e dizer que agora é nossa vez. Seja na Libertadores ou na Copa do Brasil: queremos ser campeões e não chegamos até aqui para sentar ao lado do fracasso outra vez.

Que vença o melhor entre os dois alviverdes. Se for possível, que esse melhor seja o alviverde de Barcos, Scolari, Mazinho e Valdívia. Pra que aquele 6-0 sirva não como trauma e sim como o primeiro passo para a redenção. E olha só, Palmeiras, daria a vida inteira pra ser campeão. 

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