quarta-feira, 11 de julho de 2012

Joga, Coritiba

Foto: Band
Ana Claudia Cichon, @anacichon

22 pares de pernas e uma bola. É só isso que os meus olhos vão enxergar a partir das 21h50 desta quarta-feira. Os meus e os dos mais de 30 mil coxas-brancas que estarão no Couto Pereira, plenos, idealizando o título que bateu na trave no ano passado.

Desde o fim do jogo contra o São Paulo, quando garantimos nossa vaga na final, eu fecho os olhos e só uma imagem vem a minha cabeça: Tcheco levantando a taça. É estranho até. Tcheco nunca foi ídolo pra mim. Na primeira passagem pelo Coxa era um jogador que eu admirava pelo toque de bola, pelo domínio, pela postura em campo, mas nada além disso. Quando voltou, em 2010, eu xinguei: “Não fez nada no Corinthians, tá velho...”. Queimei a língua. Tcheco voltou em grande estilo, trazendo inteligência para o nosso meio campo. E, de uma forma que eu realmente não sei explicar, hoje ele é a razão para eu acreditar que o Coxa merece esse título.

De uma amiga que esteve na coletiva do time ontem ouvi que o meia está confiante. Que com brilho nos olhos garantiu que vai dar tudo certo. “Juro”, ele falou.

Não precisas jurar não, Tcheco. Só olha no fundo dos olhos de cada um que entrar em campo hoje, com toda essa sua imponência de líder, e diz que dá. Que o Coritiba é grande, que eles podem e devem lutar. Com orgulho. Com força. Com raça. Com fé. Com a alma guerreira.

Um gol. Foi isso que faltou em 2011. E pode ser isso que falte hoje também. Foi dolorido perder sem ter realmente perdido. E hoje, talvez, seja dolorido ganhar sem ter realmente ganhado.

Joga, Coxa. Joga por e para sua torcida. Joga por aqueles que não te viram conquistar o Brasil em 1973 e 1985. Joga por quem não viu Fedato, Kruger, Jairo, Oberdan, Nilo, Lela e tantos outros. Joga por estes e por todos que foram e são ídolos eternos. Joga por uma vitória alegre, sem dor. Joga pra fazer a festa acontecer no gigante de concreto armado. Joga para o mundo inteiro ver o que eu vejo quando fecho os olhos. Joga pro Tcheco levantar a taça no lugar mais alto no nosso Alto de tantas Glórias. 

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