domingo, 8 de julho de 2012

Não convence?

Ramos e Puyol durante a derrota espanhola para os EUA na
Copa das Confederações em 2009 (Foto: Globoesporte.com)
Felipe Portes, @portesovic
De Subotica-SRB

O futebol apresentado pela Espanha desde o título da Copa de 2010 ainda gera discórdia nas mesas redondas e nas redes sociais. Grande parte acha que é melhor e mais eficiente estilo de todos (o que é a minha opinião, apesar de alguns jogos em que a Fúria não mostra as suas garras) e muito acima dos principais rivais, no caso Alemanha, Holanda, Uruguai, Argentina e Brasil (não necessariamente nesta ordem).

É engraçado reparar que a massa que não acompanha todos os jogos tende a somente elogiar ou constatar esse fato após um ou mais títulos. Durante a decisão da Euro 2008, diziam que sim, fez 90 minutos superiores aos germânicos. Imponente, o esquete espanhol foi disputar a Copa das Confederações na África do Sul em 2009 como apenas uma grande promessa, não o time a ser batido. Ao menos isso era o que os leigos imaginavam, enxergando que a maior força era o Brasil, futuro campeão do torneio.

Com nove pontos na fase de grupos, goleando a Nova Zelândia por 5-0, vencendo o Iraque de forma suada por 1-0 e por fim derrotando os donos da casa por 2-0, avançando para as semifinais contra os Estados Unidos. Parecia que a prova de fogo para os ibéricos era despachar os yankees e enfrentar o Brasil, arrogantemente apontado como favorito até para o Mundial que chegaria no ano seguinte.

Sem muito esforço, é possível lembrar que o rótulo de amarelona ainda era usado e abusado pela mídia pacheca, numa tentativa de tentar desmerecer o emergente selecionado espanhol. Na derrota para os americanos por 2-0, em atuação monstruosa de Dempsey, esse rótulo foi vendido para quem quisesse ver: a Espanha ainda precisa comer muito arroz e feijão para se tornar uma potência mundial. 

Escapando do duelo contra os canarinhos, Xavi, Iniesta, Torres e Casillas seguiam sendo subestimados pela crítica, enquanto a turma de Luís Fabiano, Júlio César, Dani Alves e Kaká levantava o caneco com uma admirável virada em cima dos EUA. Desnecessário comentar que o título fez muito mal aos brasileiros, que continuaram pensando que estavam por cima da carne seca.

Um ano depois, agora valendo algo relevante, a Copa do Mundo se desenrolou na terra dos Bafana Bafana. Todos voltaram novamente seus olhares ao time de Del Bosque, que enfrentou uma retranca medonha da Suíça de Ottmar Hitzfeld na estreia, perdendo por 1-0. Mesmo com um bombardeio no segundo tempo, o placar não saiu do prejuízo para a Fúria. Novamente, aquele papo de que "eles nunca estarão prontos para a Copa" transbordou a crítica e os céticos pintaram e bordaram.

Como todos sabem, a Espanha se reconstruiu e prevaleceu até a decisão contra a Holanda, vencendo com um gol de Iniesta no fim da prorrogação. Só a partir daí que a maioria passou a enxergar com outros olhos a dominação. Afinal, ninguém espera a inquisição espanhola. Dois anos depois, o papo é o mesmo. Será que eles são tudo isso mesmo?

Desta vez, diferentemente, o ponto de discórdia girou em torno da dedicação dos atletas ao jogo. É mais do que evidente que se trata do melhor grupo que o mundo pode ter atualmente, mas por alguma razão (já vou mais além) se segurava no ataque e quase não arriscava ao gol, teoria comprovada contra a Itália (primeira fase), Croácia, França e Portugal. O que não quer dizer que não tiveram posse de bola ou muito menos a chance de definir o placar. Agora o "defeito" da Espanha era passar demais perto da área e não finalizar.

A conduta de segurar demais a posse e não concluir irritou a quem queria um jogo mais franco e objetivo por parte de Xavi e seus comparsas. Uns dizem que é arrogância, outros dizem que a superioridade e a inteligência da seleção chegou a tal nível que já consegue avaliar com frieza o que é necessário para obter a vitória. Este que vos fala, no caso, tem a opinião que até a finalíssima contra a Itália, a Espanha executou o seu mínimo esforço, tendo sim condições de ao menos ter marcado três vezes em cada adversário.

Derrubando todos os prognósticos e voando para garantir o seu terceiro troféu da Euro, parece que agora, mais do que nunca, a parcela de pessoas que criticava e contestava o sucesso da Fúria, sossegou. Em quatro anos, duas conquistas europeias, uma Copa do Mundo e a certeza de que quase o mesmo elenco disputará o Mundial de 2014, no Brasil. Resta saber qual modalidade de corneta a Espanha irá enfrentar daqui em diante. 

Por fim: para este escriba, La Roja beira a perfeição. Seria ideal que entrassem em cada partida com 100% de seu potencial, vontade e poder de decisão, especialmente em torneios de tiro curto. Mas até aí, que campeão foi absoluto, incontestável e imaculado na história do futebol? Em diferentes patamares e formas, Espanha e Barcelona escrevem páginas fantásticas e gloriosas no esporte. Bobo é quem não se vê como privilegiado de poder acompanhar essa grandiosidade.




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