domingo, 1 de julho de 2012

Fomos campeões: França 2000

Foto: Handsome Poi

Felipe Portes, @portesovic
De Berthierville-CAN


Campeã do mundo dois anos antes, em casa, a França desembarcou na Bélgica para as primeiras duas rodadas da Euro 2000 (em sede dividida com a Holanda) com a equipe mais temida do continente e apresentando grande futebol. Liderados por Zinedine Zidane em grande fase e agora bem auxiliado por Thierry Henry, David Trezeguet, Youri Djorkaeff e Patrick Vieira, Les Bleus alcançaram sua segunda conquista europeia, chegando tão ou mais longe quanto Michel Platini, em 1984.

A questão é que a França era muito favorita. Conseguindo um reinado que poucas seleções já exerceram, Zidane e seus companheiros estrearam contra a Dinamarca, no Jan Breydelstadion em Bruxelas, castigando os escandinavos com três gols a zero. Laurent Blanc, Henry e Sylvain Wiltord balançaram as redes de um rival órfão dos irmãos Laudrup, pela primeira vez em 16 anos. 

Contra os tchecos, mais experientes quatro anos depois da derrota na decisão em 1996, ofereceram um maior desafio aos franceses. Por mais que Henry tivesse inaugurado a contagem aos sete minutos, sacramentar mais um triunfo e a classificação saiu mais difícil do que o esperado. Aos 35, Karel Poborsky deu números iguais ao cotejo, de pênalti. 

Restou a Djorkaeff arrematar ao gol, e contando com a má sorte do guarda metas Pavel Srnicek, que espalmou e viu Tomas Repka desviar contra as próprias redes. 2-1, França nas quartas, República Tcheca fora. O jogo-chave seria mesmo contra os holandeses, que na posição de anfitriões, buscavam a primeira colocação no grupo D. 

Zenden, Kluivert e Overmars afundam França e tomam a ponta da chave D
 (Foto: UEFA)
Novamente a França deu o pulo do gato para abrir o placar no início. Dugarry emulou Henry e aos oito minutos bateu Sander Westerveld para fazer 1-0. Determinada, a Oranje equilibrou a peleja e antes de assumir o desespero, empataram com Patrick Kluivert. Desenhando um dramalhão no encerramento da fase de grupos, Les Bleus novamente ficaram em vantagem, com David Trezeguet. Logo após o intervalo, Frank De Boer estufou as redes de Bernard Lama para levantar a torcida presente na Amsterdam Arena. Foi Boudewijn Zenden quem resolveu de vez o duelo que lembrou os tempos de Velho Oeste. Holanda líder.

Voltando a Bruxelas, onde somou duas vitórias, os franceses teriam a Espanha pela frente. Zidane chamou a responsabilidade e conduziu com maestria sua seleção ao sucesso, mais uma vez. Aos 32, o carequinha inaugurou o marcador, encaminhando mais um triunfo. Vacilando de novo, a retaguarda azul cometeu pênalti e Gaizka Mendieta fez: 1-1. Terceiro compromisso consecutivo em que a França sofria gols oriundos de penalidade.

Pouco antes do intervalo, Djorkaeff deu um de seus chutes característicos e colocou Les Bleus nas semifinais. Sem reação, os espanhóis aceitaram a marcação e o ritmo imposto pelos franceses, superiores e já em passadas largas rumo ao segundo título. 

Zidane aparece bem e tira Portugal da disputa (Foto: UEFA)
Allez, Zizou
Portugal prometia dificultar a vida da França tanto quanto em 1984. Luís Figo, Rui Costa, Fernando Couto e Vítor Baía chegaram no Roi Baudouin para mais um embate duríssimo contra os velhos rivais. Nuno Gomes abriu o placar aos 19 e a esperança lusitana tomava forma. Com calma, a equipe comandada por Roger Lemerre não abaixou a cabeça e permaneceu ligada em campo.

Na volta do intervalo, Henry marcou. 1-1, e agora seria a valentia portuguesa versus a técnica francesa. Zidane, como referência na meia cancha azul, fazia da bola o que bem entendia. Parelha, a semifinal persistiu com o resultado e adentrou o tempo extra. Restando seis minutos para o apito final e consequentemente as penalidades, eis que a zaga portuguesa arruinou a coisa toda.

Trezeguet tentou o gol, foi bloqueado por Baía e Wiltord pegou o rebote. A finalização bateu no braço direito de Abel Xavier: pênalti marcado, sob várias reclamações de Fernando Couto e João Pinto. Zizou tratou de classificar sua nação para a grande final. 

Foto: Best soccer shop

Dois grandes oponentes e mais um gol de ouro
Roterdã recebeu a finalíssima entre França e Itália no dia 2 de julho de 2000. Amarrado, o confronto teve Henry e Albertini aparecendo bem para tentar o primeiro gol. Em lance de genialidade, Francesco Totti tocou de calcanhar e Gianluca Pessotto recebeu na direita. O cruzamento passou diante de três defensores azuis para encontrar Marco Delvecchio só completou: 1-0 Squadra Azzurra. 

Desesperada, a França apertou sem sucesso a defesa italiana em busca da igualdade. Já nos acréscimos, Barthez cobrou tiro de meta até o campo inimigo e o relógio contava 92:56. Trezeguet escorou perto da meia lua e tocou de cabeça para Wiltord, que desceu pela esquerda. Sabendo que poderia ser sua última chance, o atacante francês bateu forte e baixo. A bola passou debaixo dos braços de Francesco Toldo e foi parar nas redes. Por um minuto, a Itália deixou escapar o campeonato.

No transcorrer do primeiro tempo da prorrogação, nova iniciativa pela esquerda destruiu o sonho italiano. Robert Pirès roubou a posse na intermediária esquerda e driblou dois marcadores. Diante da linha de fundo, o meia do Arsenal preferiu o passe para o meio da área, onde Trezeguet estava bem posicionado para mandar de primeira no alto da meta de Toldo: 2-1, gol de ouro, gol da taça. Pela primeira vez na história, o campeão mundial repetiu a glória na Eurocopa seguinte...

Foto: UEFA
França: Barthez, Blanc, Thuram, Desailly, Lizarazu (Pirès), Djorkaeff (Trezeguet), Deschamps, Zidane, Henry e Dugarry (Wiltord). Téc: Roger Lemerre

Itália: Toldo, Nesta, Cannavaro, Maldini, Iuliano, Pessotto, Albertini, Di Biagio (Ambrosini), Fiore (Del Piero), Totti e Delvecchio. Téc: Dino Zoff

Campanha: Seis jogos, cinco vitórias e uma derrota. 13 gols marcados, sete sofridos.

Jogos
Fase de grupos
França 3-0 Dinamarca
República Tcheca 1-2 França
Holanda 2-1 França

Quartas de final
Espanha 1-2 França

Semifinal
França 2-1 Portugal (gol de ouro)

Final - 2 de julho de 2000, Roterdã - Feyenoord Stadion
França 2-1 Itália (gol de ouro)

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