sábado, 30 de junho de 2012

Fomos campeões: Alemanha 1996

Foto: View Images
Felipe Portesovic, @portesovic
De Smederevo-SRB

O velho ditado que o futebol é jogado com onze atletas, uma bola, um juiz, dois bandeirinhas e a Alemanha vence no final não poderia ser mais verdadeiro durante a Eurocopa de 1996, na Inglaterra. Somando o seu terceiro título europeu, a Nationalelf derrubou a República Tcheca, novamente surpreendendo a todos e indo longe.

Agora com 16 competidores, a Euro invadiu o território inglês e se mostrou ser uma das mais emocionantes que os fãs do futebol já viram. Composto por quatro grupos de quatro times, o certame viu a Alemanha ser cabeça de chave no C, disputando uma das vagas com os tchecos, a Itália e a Rússia.

Pragmática, a formação ensaiada por Berti Vogts estreou no torneio jogando contra a República Tcheca, no Old Trafford em Manchester. Uma vitória por 2-0 com gols de Christian Ziege e Andreas Möller, com meia hora do primeiro tempo. Parecia que os eslavos não seriam grandes adversários no futuro. Só parecia. Chamou atenção o número de cartões amarelos distribuídos pelo sr. David Elleray: 10 (seis para os germânicos e quatro para os tchecos).

A mamata seguiu e na segunda jornada, uma fraca Rússia alinhava do outro lado, já tendo em conta uma derrota para a Itália. Jürgen Klinsmann brilhou e fez dois (o segundo, uma pintura) para demolir os soviéticos. Matthias Sammer completou o atropelamento. 3-0, vaga garantida nas quartas de final.

Köpke pega pênalti italiano e segura o empate em 0-0 (Foto: UEFA)
Os rivais italianos encerrariam a participação tedesca na fase de grupos. Precisando da vitória para avançar, a Squadra Azzurra terminou a rodada com saldo idêntico ao dos eslavos, mas no confronto direto uma derrota por 2-1 estava minando as chances de prosseguir. Com a expulsão de Thomas Strunz aos 59, a Itália teve nos pés de Roberto Donadoni a oportunidade ideal. Todavia, Andreas Köpke estragou as ambições de Arrigo Sacchi e seus pupilos, garantindo a igualdade. Itália fora.

Grandes duelos marcaram as quartas de final da Euro 96. França x Holanda, Espanha x Inglaterra, República Tcheca x Portugal e por último, Alemanha x Croácia. A tarefa germânica foi das mais ingratas, ao bater os axadrezados. Vivendo seus melhores tempos, os ex-iugoslavos faziam valer da grande fase de Davor Suker para tentar a sorte grande frente os alemães. Klinsmann inaugurou a contagem aos 20, de pênalti e os croatas não abaixaram a guarda. Sem nada a perder, encararam de igual pra igual os tricampeões mundiais e buscaram a igualdade. 

Suker empatou aos 51 e manteve viva a esperança. Cinco minutos depois, Igor Stimac estragou tudo e foi expulso, abrindo espaço para o perigosíssimo ataque formado por Klinsmann e Dieter Eilts. O equívoco bastou para Sammer colocar a Nationalelf na frente outra vez, de forma definitiva. 2-1, e rumo às semifinais.

Foto: BBC.co.uk
Drama para os donos da casa
A geração de Alan Shearer, monstro inglês, foi a das mais cobradas e menos sucedidas. Jogando no Wembley, palco da histórica final da Copa de 66, trinta anos antes, o English Team chegava com moral e um bom plantel. Logo com três minutos, o gênio Shearer abriu a contagem. 

Tomando conta do cotejo, os ingleses, trajando um curioso uniforme cinza, tentaram de n formas garantir o triunfo, mas não esperavam a aparição de Stefan Kuntz para empatar aos 26. Até o apito final aconteceu de tudo. Voleio na trave, pressão em cima da defesa tedesca, Teddy Sheringham perdendo gol crucial e claro, nada de novos gols. 

Persistindo a igualdade na prorrogação, foram necessários os temidos penais para que o primeiro finalista fosse revelado. Gary Southgate errou o alvo e foi o bode expiatório de mais uma queda da Inglaterra, que desde 1868 perde disputas de pênalti, mundo afora.
Foto: Abendblatt.de
Bierhoff, o testa de ouro
Renovados depois da derrota na primeira fase, Pavel Nedved, Karel Poborsky e Patrik Berger acharam uma forma convincente e vistosa de jogar futebol, indo longe no certame. Contudo, para tentar o bicampeonato para os tchecos, a Alemanha estava outra vez no caminho. Derrotada quatro anos antes pela surpreendente Dinamarca, Vogts e seus comandados não queriam titubear novamente com o caneco. 

Ousados, os eslavos peitaram os oponentes e traziam perigo nas descidas. Sammer cometeu seu primeiro erro grosseiro e derrubou Poborsky, que vinha embalado e livre na direita. Pênalti para os tchecos, que Berger converteu. 1-0. 76 passou na cabeça dos germânicos. Até os 69 minutos o resultado ainda era favorável aos eslavos, que já viam a taça se aproximar. Mehmet Scholl deu lugar a Oliver Bierhoff, matador do Milan. 

Quatro minutos em campo bastaram ao camisa 20, que se antecipou aos marcadores e testou forte para empatar a peleja. Cercado de tensão e ansiedade, o duelo foi para o tempo extra, onde a nova e controversa regra do gol de ouro seria um critério de desempate. Eram jogados redondos cinco minutos quando o mesmo Bierhoff girou dentro da área e chutou meio sem jeito. A pelota foi nas mãos do desafortunado Petr Kouba, que soltou para trás e frangou, decretando numa grande infelicidade o terceiro título alemão na Eurocopa.

Foto: UEFA
República Tcheca: Kouba, Suchoparek, Kadlec, Nemec, Nedved, Bejbl, Kuka, Berger, Poborsky (Smicer), Hornak e Rada. Téc: Dusan Uhrin

Alemanha: Köpke, Helmer, Ziege, Babbel, Sammer, Schöll (Bierhoff), Hässler, Strunz, Eilts (Bode), Klinsmann. Téc: Berti Vogts

Campanha: Seis jogos, quatro vitórias, dois empates. 10 gols marcados, três sofridos.

Jogos
Fase de grupos
Alemanha 2-0 República Tcheca
Rússia 0-3 Alemanha
Itália 0-0 Alemanha

Quartas de final
Alemanha 2-1 Croácia

Semifinal
Inglaterra 1-1 Alemanha (5-6 nos pênaltis)

Final - 30 de junho de 1996, Londres - Wembley
República Tcheca 1-2 Alemanha (Gol de ouro)


2 comentários:

LuckyBastard disse...

Eu tava lá na Inglaterra e foi muito muito triste chorei muito o povo todo chorava e bebia eu nao tinha idade legal pra beber então só chorava mesmo mas é isso futebol é assim mesmo inglaterra nos penaltis sempre acaba se fodendo é uma coisa de louco mas enfim pelo menos o poborsky foi uma boa revelaçao e foi jogar no meu manchester united parabens pelo trabalho abraço chico de ctba

Futebol de Seleções disse...

Parabéns pelo material, Portes!!! A série toda foi muito bacana!!! Agora, o autor desse vídeo "Euro 96 Top 10 goals" cometeu a maior heresia do mundo ao ignorar o gol de Gascoigne contra a Escócia:

- http://www.youtube.com/watch?v=g0NT6aUwN8c

Pau a pau com esse do Poborsky que ficou no 1º lugar, não?!!

Grande abraço!!!