quarta-feira, 6 de junho de 2012

TF História: A queda do Herói de Sevilla

Foto: Emaramures.ro
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP (Especial Romênia, parte 3)

Helmuth Duckadam foi o grande nome da conquista do Steaua na Liga dos Campeões, agarrando quatro cobranças do Barcelona, em 1986, no Ramón Sánchez Pizjuán. Por essa façanha, ficou conhecido pelos torcedores como "O Herói de Sevilla", alcunha que carrega até hoje. 

Em 1977 iniciou sua caminhada no Constructorul Arad, chamando atenção pelos seus reflexos e segurança dentro da grande área. Com 19 anos transferiu-se para o rival do Constructorul, o UTA Arad. Permaneceu quatro temporadas, inclusive colaborando com o acesso da pequena equipe alvirrubra à primeira divisão romena, até assinar com o Steaua, em 1982, ganhando projeção internacional.

Convocado duas vezes para a seleção nacional em 1982, viveu sempre à sombra de Silviu Lung, arqueiro do Universitatea Craiova, que foi dono da posição até a Copa de 1990. Mesmo se tornando referência debaixo das traves, não voltou a defender sua nação, com a titularidade nos ros-albastrii.

Duckadam nos anos que antecederam a glória no Steaua
Foto: You mago
Os quatro anos em Bucareste, encerrados com chave de ouro com a conquista da taça europeia contra o Barcelona em 1986, foram inesquecíveis para o cidadão de Semlac, distrito de Arad. Ao fim da temporada 1985-86, foi atormentado por dores no braço direito, mas escondeu o fato da equipe médica por medo de ser vetado na decisão continental.

Muitas histórias foram especuladas sobre a verdadeira razão do afastamento de Helmuth, nenhuma convincente o bastante. Na mais célebre delas, o presidente comunista Nicolae Ceausescu, que tinha uma relação com o Steaua bem parecida com a de Silvio Berlusconi com o Milan, teria mandado amputar as mãos de Duckadam, que ganhou imensa popularidade na Romênia após a memorável noite de 7 de maio de 1986.

Outras versões dão conta de que ele teria optado por se aposentar por encarar um veto de transferência para clubes maiores, já que era de interesse de agremiações italianas e espanholas. A verdade foi exposta pouco depois, pelo próprio guarda redes, revelando problemas de saúde.

Apresentando alguns sintomas de trombose, o goleiro não seguiu a carreira depois disso e aos 27 anos foi forçado a se retirar do esporte, no seu auge, como alguns outros atletas poderiam fazer afim de não macular uma história. Um tímido retorno no Vagonul Arad por dois anos, de 1989 a 1991 foi o último esforço de Helmuth dentro do futebol. 

Em 2010 foi eleito presidente do Steaua, cargo este que ocupa até hoje.

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