segunda-feira, 25 de junho de 2012

Fomos campeões: Espanha 1964

Foto: O campo dos sonhos
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Quatro anos depois de vencer a edição inaugural da Eurocopa, a União Soviética retornava com certo favoritismo para a disputa, que agora seria realizada na Espanha, em duas sedes. Como o formato havia mudado, e agora a competição tinha sua fase final consistindo apenas em semifinais/final, chegaram naquele verão espanhol a própria URSS, Dinamarca e Hungria, além dos donos da casa que boicotaram as quartas de final do certame anterior contra os soviéticos.

Treinados por Jose Villalonga Llorente, os espanhóis tinham em seu grupo o cerebral meia Luis Suarez, o mágico Amancio Amaro, o galopante Chus Pereda e o letal Marcelino. Com um plantel jovem, a Fúria era liderada em campo pelo já mundialmente reconhecido Suarez, que se encarregava de conduzir a batuta na meia cancha.

A URSS ainda contava com três dos astros presentes em 1960: Lev Yashin, Viktor Ponedelnik e Valentin Ivanov. A grande mudança nos convocados destruiu o entrosamento da equipe, que não teve boa atuação na final. 
Suarez: maestro no meio campo da Fúria
Foto: Quatro tiempos
Iniciada em Madrid, a fase final teve duelo inaugural entre Espanha x Hungria. Diante de um Santiago Bernabéu lotado, os mandantes sofreram para bater a forte seleção de Florian Álbert, Ferenc Bene e Lajos Tichy. O trabalho em equipe dos espanhóis foi crucial na batalha contra os húngaros. Pereda abriu o placar aos 35 iniciais, mas a Fúria se acomodou com a vitória parcial e concedeu espaço aos visitantes.

A pressão contra a defesa local surtiu efeito ao fim do segundo tempo, quando Bene estufou as redes e provocou o tempo extra para definir o primeiro finalista daquela edição da Euro. Tomando as rédeas do encontro, e empurrada pela torcida, a Espanha se lançou ao ataque. Amancio acabou com a agonia e desempatou, faltando cinco minutos para o apito final e as temidas penalidades.

Pela outra semifinal, os soviéticos faziam sua parte e atropelavam os daneses por 3-0, no Camp Nou. Voronin, Ponedelnik e Ivanov balançaram as redes e permitiram que a URSS disputasse sua segunda decisão seguida no certame.

Final entre Espanha e URSS seguiu o roteiro da semifinal
Foto: Forum biodiversity (???)
Mesmo roteiro, mesmo final
Em 21 de junho de 1964, diante de quase 80.000 pessoas no Santiago Bernabéu, a festa foi caseira. Novamente a determinação ibérica fez diferença no início. Pereda não demorou nem cinco minutos e castigou os oponentes com uma bomba, em grande iniciativa que saiu dos pés de Suarez. Duros na queda, os então comunistas ergueram a cabeça e não se entregaram logo na primeira dificuldade.

Galimzyan Khusainov deu números iguais ao marcador, num lance que puniu a frouxa marcação feita pela defesa espanhola. A tensão novamente predominou e o equilíbrio fez com que os rivais se recuassem, baseando a estratégia em passes curtos. Ligeiramente melhor na segunda etapa, a Fúria resolveu apostar nos seus jogadores de meio campo (que passaram os 45 minutos finais como homens de frente), mantendo a posse e acionando o mais avançado Marcelino, juntamente com os pontas Amancio e Lapetra.

A loucura ofensiva foi premiada aos 84 minutos, quando o impiedoso Marcelino completou de cabeça o cruzamento de Amancio. Lá atrás, Feliciano Rivilla recuperou a posse e lançou para Pereda, que levou para a ponta direita e cruzou. Tarde demais para mais uma reviravolta: Espanha campeã. E qualquer comparação desse selecionado atual com o de 1964 não é mera coincidência.

Foto: Dribles.com
Espanha: Iribar, Rivilla, Olivella, Calleja, Zoco, Fusté, Amancio, Pereda, Marcelino, Suarez e Lapetra. Téc: José Villalonga


URSS: Yashin, Voronin, Shesternyov, Mudrik, Shustikov, Ponedelnik, Chislenko, Ivanov, Anichkin, Korneev, Khusainov. Téc: Konstantin Beskov

Campanha: Dois jogos, duas vitórias. Quatro gols marcados, dois sofridos.

Jogos:
Semifinal
Hungria 1-2 Espanha

Final - 21 de junho de 1964, Madrid - Santiago Bernabéu
Espanha 2-1 URSS




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