terça-feira, 26 de junho de 2012

Fomos campeões: Alemanha Ocidental 1972

Foto: Imortais do futebol
Felipe Portes, @portesovic
De Belgrado-SRB

Dois anos antes de se consagrar bicampeã mundial jogando em casa, a Alemanha Ocidental já roubava a cena do futebol europeu, durante a Eurocopa na Bélgica, em 1972. Com a base da valente seleção que conquistou a terceira colocação no México, em 70, os germânicos superaram a derrota na Copa e partiram com tudo para tentar sua primeira conquista continental.

O mesmo poder de marcação, a mesma técnica, precisão e disciplina estavam delineando as principais estrelas do grupo alemão. A defesa era estupenda, com o lendário Sepp Maier debaixo das traves, Hans-Georg Schwarzenbeck na zaga, Franz Beckenbauer como líbero, Paul Breitner como lateral, Uli Hoeness como meia armador, Günter Netzer como responsável pela ligação entre o meio e o ataque, e na frente, Jupp Heynckes e o célebre Gerd Müller. 

Estreando no certame, assim como os belgas, a National Mannschaft teve como primeiro rival a dona da casa, a sempre carismática Bélgica na primeira semifinal. No Bosuil Stadium, na Antuérpia, a sorte foi lançada. Bem, soa um tanto arrogante dizer que a sorte foi lançada quando todos sabem que o futebol tem onze de cada lado, com uma bola, um juiz, dois bandeirinhas e a Alemanha na final.

Müller faz dois e elimina Bélgica (Foto: UEFA)
Dito isso, era de se esperar que os visitantes aprontassem das suas na abertura do torneio. Não houve muitas chances para Maurice Martens e Paul Van Himst marcarem seu nome na história daquela edição da Euro. A grande atuação foi do letal Müller, que anotou dois (aos 24 e 71'), desmoronando com a esperança local de disputar a final. Não tivesse a vaca belga deitado sem cerimônias após o 2-0, talvez o gol de Odilon Poulleunis teria adiantado de algo. 

Enquanto isso, no Émile Versé, em Bruxelas, Hungria e URSS duelavam para ver quem enfrentaria Beckenbauer e cia ltda. Completamente diferentes do grupo que esteve na Itália quatro anos antes, os soviéticos sofreram para vazar a retranca húngara e Anatoliy Konkov fez o tento único, aos 53, despachando Lajos Kocsis (sem relação com AQUELE Kocsis, Sándor) e seu bando.

Importante lembrar que antes do término do embate, Sándor Zambó cometeu o crime e perdeu uma penalidade, defendida com serenidade pelo sucessor imediato de Lev Yashin, Evgeni Rudakov. Perfeitamente aceitável, já que nenhum outro atleta com nome terminado em bó jamais marcou gols numa Eurocopa. 

Estava definido então que na noite de 18 de junho de 1972, o Heysel, em Bruxelas, (arrepios) receberia a finalíssima. Novamente a URSS tentaria a sorte, sendo a maior concorrente ao título (vencedora em 1960, vice em 1964). O destino mostrou ser cruel com os então comunistas, que fraquejaram perante a sempre forte Alemanha Ocidental. 

Müller inferniza os soviéticos marcando dois novamente (Foto: UEFA)
A marca do goleador
O que poderia sair de um encontro envolvendo os evoluídos germânicos e os enfraquecidos soviéticos? A tarde de Bruxelas tratou de revelar o enredo, repleta de bandeiras alemãs, que tremularam durante toda a partida. Comandados pelo tiozão da boina, Helmut Schön, os tedescos impuseram bom ritmo e controlaram logo de cara o adversário, nitidamente intimidados.

A superioridade causou estrago numa troca de passes que caiu nos pés de Heynckes, que mandou uma bomba. Rudakov voou e espalmou, mas para o seu lamento, Müller estava logo adiante para aproveitar o rebote e abrir os trabalhos. Com Heynckes inspirado, mais uma iniciativa terminava na área da URSS. Coube a Herbert Wimmer, tímido meio campista carimbar. Um chute rasteiro no canto, que ainda resvalou nos braços do guarda metas russo antes de entrar. 2-0, e novamente a vaca deitouvski. 

Percebendo que a defesa rival estava desnorteada, Schön ordenou que os ataques continuassem. A Avenida Vladimir Kaplichny seguia movimentada quando um passe atravessou a extensão da área e alcançou Heynckes. Um passe lateral serviu para acionar Müller, que livre completou e jogou seus braços ao alto, como de costume. Alemanha campeã, para quem quisesse provar da técnica que virou marca registrada da equipe nos anos que se seguiram. 

Franz Blackpower Beckenbauer recebe o caneco das mãos de Gustav Wiederkehr,
então presidente da UEFA (Foto: Süd Deutsche)
Alemanha: Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Breitner, Höttges, Wimmer, Hoeness, Netzer, Heynckes, Müller e Kremers. Téc: Helmut Schön

URSS: Rudakov, Dzodzuashvili, Khuartsilava, Kaplichny, Istomin, Kolotov, Troshkin, Konkov, Baidachny, e Onischchenko. Téc: Aleksandr Ponomarev

Campanha: Dois jogos, duas vitórias. Cinco gols marcados, um sofrido.

Jogos:
Semifinal
Bélgica 1-2 Alemanha

Final - 18 de junho de 1972, Bruxelas - Heysel
Alemanha 3-0 URSS


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