terça-feira, 5 de junho de 2012

Craques: Dan Petrescu

Foto: Mircea 21
Felipe Portes, @portesovic
De Bucareste-ROM (Especial Romênia, parte 2)

Lateral direito mais bem sucedido da história do futebol romeno, Dan Petrescu dominou a posição tanto na seleção quanto nos clubes por onde passou. Extremamente técnico, excelente na cobertura e nos passes, participou diretamente dos anos dourados que o Steaua teve no fim da década de 1980/início dos anos 90. 

Assumindo a titularidade no setor em seu segundo ano como profissional (1986-87, temporada seguinte ao título europeu dos ros-albastrii), emprestado ao Olt Scornicesti entrando em campo em 24 oportunidades. Seu senso de posicionamento unido à audácia foram fundamentais para a sua consolidação como um dos pilares daquela geração. 

Com quatro campeonatos romenos no currículo, estreou em 1989 com a camisa da Romênia. O debut foi contra a Itália, num amistoso, em março daquele ano. Fora da lista dos convocados para o Mundial de 1990, em função de uma lesão ao fim de 89, Dan não se abateu com o revés e voltou mais forte. Em 1991, partiu para a Itália, depois de ver que o seu Steaua não iria manter o nível. A derrota na Copa dos Campeões de 1989 para o Milan (bicampeão) foi o primeiro sinal.

Foi em 1991-92 que mudou de ares e foi para o pequeno Foggia. Por duas épocas envergou o manto rossonero, que não tinha estrelas no elenco, exceto o próprio Petrescu e o atacante Giuseppe Signori, famoso anos depois na Lazio. Campanhas medianas (nono e 12o) não serviram muito para o clube, mas para o atleta, uma grande oportunidade de fazer o seu nome.

Recebendo um afago de Raducioiu, Petrescu brilha na Copa de 1994
Foto: Star times
De Foggia para Genoa, no último passo em busca de participar da sua primeira Copa do Mundo. A passos largos, virou incontestável na ala direita e alinhou em 11 partidas do grifoni em 1993-94. Mesmo em 11o na tabela com a equipe genovesa, Dan assegurou seu lugar entre os que foram aos Estados Unidos. Fazendo sua melhor participação na história e alimentando sonhos que a Romênia provavelmente desconhecia ter, os cárpatos foram longe, muito longe. 

O caminho traçado até as quartas de final contra a Suécia foi mais do que a nação poderia esperar. Deixando para trás a Argentina, que havia perdido Diego Maradona, Gheorghe Hagi e cia. limitada chegaram com moral ao duelo contra os escandinavos na fase seguinte. Foi preciso decidir nas penalidades o vencedor, num duelo que envolveu dois esquetes interessantíssimos. De um lado, Hagi, de outro Henrik Larsson. Nas trincheiras, Tomas BrolinFlorin Raducioiu, Hakan Mild, Dorinel Munteanu e grande elenco. Avançaram os suecos, que caíram diante do Brasil, com gol de Romário

Foto: Bleacher Report
De chegada no Hillsborough, lugar de péssima memória para o futebol inglês, Petrescu assinou com o Sheffield para 1994-95. Exuberante na sua tarefa, impressionou os locais e foi chamado para jogar no Chelsea, onde passaria cinco anos e integraria o grupo mais sólido dos blues antes da "Era do dinheiro fácil" de Roman Abramovich.

Peça fundamental no título da F.A Cup em 1996-97, o lateral estava em alta na Premier League. Prestigiado internacionalmente, também esteve no fiasco romeno na Eurocopa de 1996, quando os cárpatos saíram do certame com apenas um gol, prematuramente na primeira fase. 

Novas conquistas vieram ao Stamford Bridge, com a Taça da Liga inglesa e a Taça das Taças UEFA, em final contra o Stuttgart, em 1997-98, chegou com moral no Mundial de 1998, na França. Desta vez o ímpeto romeno parou nas oitavas, diante da não menos brilhante Croácia em sua mais impressionante formação. Fato engraçado daquela competição foi a aposta do grupo com o treinador Anghel Iordanescu: os atletas entraram em campo contra a Tunísia com os cabelos tingidos de loiro. Vai entender.

A nova loira do Tchan é linda, produção? (Bleacher Report)
Mais dois anos de Chelsea e um desentendimento com o treinador Gianluca Vialli bastaram para que Petrescu deixasse Londres. Recusando propostas de equipes maiores, foi para o Bradford City, onde teve passagem discreta e não demorou muito a assinar com o Southampton, treinado por Glenn Hoddle, em 2000-01.

Parte dos onze iniciais da Romênia na Euro 2000 em três dos quatro compromissos, Dan ficou fora das quartas de final contra a Itália, no qual a Squadra Azzurra venceu por 2-0. Pela Premier League, já não apresentava a mesma forma de outrora e foi relegado ao banco nos Saints. Lutando contra lesões e os efeitos da idade, às vésperas de completar 35 anos, voltou para a sua terra natal em 2002, pelo Progresul (antigo National Bucareste), rival local do seu antigo Steaua. 

Fez sua despedida do esporte na final da Copa da Romênia de 2003, quando o Progresul foi derrotado pelo Dinamo Bucareste. Sem sombra de dúvida, um final melancólico de um dos maiores heróis que já passaram pelo seu selecionado nacional. Hoje é treinador do Kuban Krasnodar, campeão da segunda divisão russa em 2010. Outro trabalho notável no banco foi no Unirea Urziceni, campeão romeno em 2008-09. Tal como nos seus tempos dentro das quatro linhas, tem futuro promissor no cargo.


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