quinta-feira, 28 de junho de 2012

Fomos campeões: Alemanha Ocidental 1980

Foto: Mirror.co.uk
Felipe Portes, @portesovic
Com colaboração de João Paulo Barreto, @joaopaulo87_

A década de 1980 viu a Alemanha Ocidental se notabilizar como time de chegada, sempre envolvido nas grandes decisões, seja na Eurocopa ou na Copa do Mundo, com destaque para as derrotas de 1982 e 1986. Mas nem tudo foi lamento para os alemães. A conquista veio em nova edição realizada na Itália, agora com formato de dois grupos com quatro equipes.

Classificaram-se para o certame na Velha Bota a Alemanha, Tchecoslováquia, Holanda e Grécia no Grupo A, Itália, Bélgica, Inglaterra e Espanha no B. A caminhada dos germânicos se mostrou tranquila com duas vitórias e um empate (contra a Grécia, por 0-0). Conseguindo a chance de se vingar dos tchecos pela derrota quatro anos antes, a National Mannschaft venceu por 1-0, com gol de Karl-Heinz Rummenigge, aos 57. Importante observar que grande parte do elenco eslavo estava em campo na final de 76 também.

Tal como 2012, a segunda jornada reservou um duelo entre os tedescos e os holandeses, em transição da fase Cruyff e com formação bastante modificada. Capitaneada pelo clássico Ruud Krol, a ex-Laranja mecânica contava com nomes como Huub Stevens (hoje no comando do Schalke), Arie Haan, Johnny Rep, Dick Nanninga (autor de um dos gols na final da Copa de 1978) e os irmãos Rene e Willy van de Kerkhof. 

Executando uma estratégia simples e eficaz, os comandados de Jupp Derwall não abusavam da posse de bola. Os passes rápidos, com objetividade, além da exímia visão do posicionamento adversário, foram valores que facilitaram e muito a trajetória da seleção germânica na competição.

Allofs comemora seu terceiro tento contra a Holanda (Bundesliga fanatic)
Duro adversário para os alemães, os laranjas tiveram de lidar com atuação de gala e hat-trick do possante Klaus Allofs, até então no Fortuna Düsseldorf. A superioridade dos bicampeões do mundo perante a Oranje era avassaladora e apenas nos minutos finais houve um princípio de reação. Rep diminuiu numa penalidade aos 79 e van de Kerkhof (Willy) deu esperança aos 85. Mas era só isso, não seria dessa vez que Krol e sua turma realizariam uma proeza de tal magnitude.

Para encarar a Grécia, já eliminada e atropelada pelos tchecos na rodada anterior, poupou alguns atletas e entrou em piloto automático, administrando empate por 0-0, no Delle Alpi em Turim. O regulamento visava que o primeiro colocado de cada chave estava qualificado para a decisão. A Bélgica de Jan Ceulemans seria a outra finalista.

Disputando a terceira colocação, os donos da casa enfrentavam os então campeões, para ao menos deixar o certame com honra. Lotando o San Paolo, em Nápoles, a Squadra Azzurra penou para empatar com os eslavos por 1-1, após gol de Ladislav Jurkemik. Não fosse por Francesco Graziani, bomber do Torino (e até onde sabemos, sem nenhuma relação com o amigo Fernando Graziani, @fgraziani) a história seria outra. Persistindo a igualdade no tempo normal e prorrogação, foi preciso uma disputa de penalidades. A contagem já estava em 9-8, quando Fulvio Collovati desperdiçou seu chute e sacramentou a derrota.

Ceulemans carrega a bola pela Bélgica (Foto: UEFA.com)
Presença certa em decisões
Como faria durante os anos 80 e início dos 90, a Alemanha participou de três grandes finais consecutivas. A da Euro na Itália era a terceira após a vitória em 72 e a derrota de 76 para a Tchecoslováquia. Anos depois, em 1982, perderia a Copa do Mundo para a Itália, em 1986 para a Argentina e em 1990 finalmente venceria os argentinos, vingando quatro anos antes.

Por sorte, a decisão contra os belgas resultou na segunda taça europeia em menos de 10 anos (sem falar na Copa de 1974). O Olimpico de Roma recebeu os finalistas na noite de 22 de junho de 1980. O selecionado dos Países baixos começava a crescer no âmbito mundial com nomes como Jean Marie Pfaff, Eric Gerets, François Van der Elst, Julien Cools, René Vandereycken e o explosivo Ceulemans. 

A partida foi imediatamente controlada pelos alemães, especialmente por Bernd Schuster, que estava inspirado na meia cancha da Nationalelf. O então atleta do Colônia foi que iniciou a descida do primeiro gol. Controlando a bola no círculo central, Schuster carregou até a intermediária e rolou para Horst Hrubesch, que dominou no peito e fuzilou Pfaff para inaugurar o marcador.

Intrigado, o treinador belga Guy Thys conseguiu fechar o sistema defensivo e dar menos espaço ao talentoso esquete adversário. Esfriando os ânimos, talvez fosse possível buscar uma reação. Ao fim da segunda etapa, num contragolpe venenoso, Van der Elst disparou sozinho pelo meio e ia vencer Harald Schumacher quando Uli Stielike cometeu um pênalti. Vandereycken foi para a bola e empatou a peleja.

No soar do gongo, aos 88, desmontando qualquer esperança de prorrogação, Hrubesch novamente apareceu. A jogada foi originada num escanteio cobrado por Schuster, que percorreu toda a área e achou o atacante do Hamburgo, que testou forte no alto da meta de Pfaff, adiantado. Dois zagueiros ainda estavam em cima da linha para evitar o pior, mas lá estava: 2-1.

Acostumada a grandes decisões, a Alemanha Ocidental traçou seu caminho (inglório) em grande parte das competições importantes que vieram nos anos seguintes. O percentual de conquistas de fato ainda é baixo se comparado ao número de decisões disputadas. Entretanto, nunca se deve subestimar uma camisa que sempre chega longe e mostra um futebol acima de tudo competente, como os germânicos...

Foto: UEFA
Alemanha: Schumacher, Kaltz, Förster, Stielike, Dietz, Schuster, Briegel (Cullmann), Hansi Müller, Rummenigge, Hrubesch e Allofs. Téc: Jupp Derwall

Bélgica: Pfaff, Gerets, Millecamps, Meeuws, Renquin, Van Moer, Vandereycken, Cools, Mommens, Van der Elst e Ceulemans. Téc: Guy Thys

Campanha: Quatro jogos, três vitórias e um empate. Seis gols marcados, três sofridos.

Jogos:
Fase de grupos
Tchecoslováquia 0-1 Alemanha Ocidental
Alemanha Ocidental 3-2 Holanda 
Grécia 0-0 Alemanha Ocidental

Final - 22 de junho de 1980, Roma - Olimpico
Alemanha 2-1 Bélgica

Um comentário:

Anônimo disse...

Grande Alemanha! Sempre chegando, tri-campeã mundial, tri-campeã européia, medalhista de ouro nas Olimpíadas (gloriosa Alemanha Oriental) e maior finalista de Copas.