segunda-feira, 25 de junho de 2012

Fomos campeões: Itália 1968

Foto: Museu virtual do futebol
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

No tempo em que o catenaccio ainda era tendência nas equipes europeias (vide Inter e Milan nos anos 1960), a Itália fez valer o domínio e o talento de uma era de ouro no seu futebol. Liderados pelo eterno capitão Giacinto Facchetti, os rapazes italianos ainda não eram o grupo consistente que disputaria a Copa de 1970, perdendo a final para o Brasil, mas ainda sim, souberam mostrar o seu valor diante de duros oponentes na Eurocopa 1968, disputada em seus domínios.

Pela primeira vez, Itália e Inglaterra participavam da competição, classificados para a fase final. As peculiaridades começaram logo na primeira partida entre os donos da casa e os soviéticos, presença constante e ameaçadora para seus adversários.

Grandes rivais, os homens de vermelho seguraram um empate com a Squadra Azzurra por 0-0. E acredite, a decisão foi para o cara ou coroa. Albert Shesternyov, capitão da URSS, perdeu a disputa e consequentemente a vaga na grande final. Sim, no cara ou coroa...

Inglaterra e Iugoslávia se digladiavam no Artemio Franchi na outra semifinal. O cotejo ficou marcado pela violência e pela expulsão de Alan Mullery. O inglês recebeu uma solada na canela e em certo lance e revidou um um chute na virilha. Recebeu o cartão vermelho e já esperava o pior, mas foi absolvido pelos companheiros e pelo treinador Alf Ramsey. 

"Cheguei ao vestiário e pedi desculpas aos meus colegas. Alf veio a mim com um semblante tranquilo e disse que estava contente que alguém havia retaliado aqueles bastardos", conta o próprio Mullery ao site da BBC. Apesar do ato de coragem e indisciplina, os eslavos venceram por 1-0, gol de Dragan Dzajic.

Foto: Football Archive
Novo empate e replay
A final teve o mesmo contorno de drama da fase anterior. Os italianos tinham todo um Olímpico para apoiar contra os iugoslavos, que oito anos antes ganharam a medalha de ouro nas Olimpíadas de Roma. O equilíbrio entre o futebol de força praticado pelos visitantes e pelo foco nos passes curtos por parte dos italianos refletiu no marcador. 

O mesmo Dzajic, que castigou os ingleses, agora entrava em cena contra a Itália. Aos 39 ele abriu o placar com certa facilidade. Dominou na área, levantou a bola e chutou. Antes de ser derrubado por Zoff, tocou de leve para inaugurar o marcador. 

Não era surpresa que a experiente formação eslava dominasse o talentoso futebol italiano. Por todos os 90 minutos iniciais, a Iugoslávia se colocou no ataque e forçou Zoff a praticar algumas grandes defesas, além dos zagueiros Ernesto Castano e Tarcisio Burgnich. 

Facchetti domina em primeiro jogo da decisão
Foto: O campo dos sonhos
Foi numa besteira de Blagoje Paunovic que a Itália conseguiu o empate. O beque subiu e cotovelou Giovanni Lodetti, volante milanista. Concedida a falta na marca de 22 metros, coube a Angelo Domenghini soltar o pé para deixar tudo igual, aos 80 minutos. O apito final soou como frustração aos italianos, que sentiam ter o poder de reagir. Tudo seria decidido dois dias depois, no mesmo estádio. Naquela edição, o regulamento não previa prorrogação ou penalidades, muito menos cara ou coroa na finalíssima.

Reforçada, a Squadra Azzurra voltou mais forte, com Roberto Rosato, Sandro Mazzola, Giancarlo De Sisti e Luigi Riva. Coube ao genial Riva receber passe e tocar com a perna esquerda para abrir o placar, aos 12 minutos. Para o treinador Ferruccio Valcareggi, a missão era resolver logo a situação, para não passar o mesmo aperto da primeira partida. A formação de 5-2-3 apresentava duas das principais armas daquele plantel: a solidez defensiva e a eficiência de Riva.

Quase vinte minutos depois, Pietro Anastasi levantou o passe de Domenghini e bateu com força. A bola percorreu o caminho com uma velocidade que nem de perto pode ser evitada pelo arqueiro Ilija Pantelic. 2-0, sem chance para mais um milagre por parte dos visitantes. Os fogos no céu de Roma contaram a quem não estava no Olímpico que a Itália era novamente campeã. 

Foto: Varienews.blogspot.com
Itália: Zoff, Burgnich, Rosato, Guarneri, Salvadore, Facchetti, De Sisti, Mazzola, Anastasi, Domenghini e Riva. Téc: Ferruccio Valcareggi

Iugoslávia: Pantelic, Fazlagic, Paunovic, Holcer, Damjanovic, Trivic, Pavlovic, Acimovic, Hosic, Musemic e Dzajic. Téc: Rajko Mitic

Campanha: Três jogos, uma vitória e dois empates. Três gols marcados, um sofrido.

Jogos:
Semifinal
Itália 0-0 URSS (Itália vence no cara ou coroa)

Final - 8 de junho de 1968, Roma - Olimpico
Itália 1-1 Iugoslávia

Replay - 10 de junho, Olimpico
Itália 2-0 Iugoslávia

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