sexta-feira, 29 de junho de 2012

Fomos campeões: Holanda 1988

Foto: Futebol de camisas
Felipe Portes, @portesovic
De Berthierville-CAN 

Astros na década de 1970, os holandeses ganharam prestígio com a hegemonia europeia do Ajax de Johann Cruyff, vencendo três edições da Copa dos Campeões. Anos depois do auge de seus atletas, finalmente a Oranje atingiu o ponto máximo na Euro 1988, disputada na Alemanha. 

A base do elenco laranja era formada por quatro talentos inquestionáveis: Ronald Koeman, líbero/volante do PSV, Frank Rijkaard, o genial Ruud Gullit e o letal Marco Van Basten, sendo os três últimos do Milan. Sob o comando do saudoso Rinus Michels, uma vez mais o técnico conseguiu utilizar as suas táticas, famosas e reconhecidas mundialmente em forma daquela Laranja mecânica de Cruyff.

Mais decisivo e com a bagagem de duas finais de Copa perdidas, Michels soube adaptar cada peça no estilo de jogo e tirou o máximo do trio milanista para alçar um vôo mais alto na Alemanha. Tudo bem que na estreia as coisas não saíram como planejado, mas aquela Holanda soube recuperar o seu foco.

O debut no Grupo B foi contra a URSS de Rinat Dasayev, lenda debaixo das traves, que atravessava fase espetacular pela sua seleção e no Spartak Moscou. Com uma vitória simples, os soviéticos venceram com gol de Vasiliy Rats, preocupando a torcida laranja. Van Basten teve sua chance apenas em meados da segunda etapa, entrando na vaga de Gerald Vanenburg. Marco brilharia mesmo no segundo compromisso, contra a Inglaterra.

Marco e a centroavância moleque, de arte, chuto y me voy (abs, @achrispin)
Foto: UEFA
Em Dusseldorf, o Rheinstadion recebeu Inglaterra e Holanda para a segunda jornada e sediou um momento crucial naquela Euro. Peter Shilton, Tony Adams, Glenn Hoddle, John Barnes e Gary Lineker muito provavelmente ficaram se perguntando o que diabos aconteceu na tarde de 15 de junho. Todo o primeiro tempo transcorreu normalmente para o English Team, apesar da pressão laranja. 

Na penúltima volta dos ponteiros, aos 44, Van Basten fez o primeiro. Bryan Robson ainda empatou aos 53, mas o camisa 12 adversário ainda estava disposto a fazer mais estrago. Sedento por balançar as redes, o centroavante também marcou aos 71 e aos 75, eliminando os britânicos, que já haviam sido derrotados pela Irlanda. 3-0 e um amargo adeus para o lendário Bobby Robson, duramente criticado na imprensa ingkesa.

Afim de carimbar seu passaporte para as semifinais, os holandeses enfrentariam a força e a cadência dos irlandeses, em Gelsenkirschen, no já extinto Parkstadion, casa do Schalke. Com muito custo e graças a Wim Kieft, vitória por 1-0 sobre o esquete treinado por Jack Charlton. Pela outra chave, Alemanha Ocidental e Itália se classificaram. 

Jürgen Köhler, castigado pelo talento de Van Basten (Foto: UEFA)
Hora do troco
Relembrando 1974, a Oranje entrou em campo determinada a despachar a rival Alemanha. Em Hamburgo, os donos da casa encontraram um duro oponente em busca de mais uma participação na final. Equilibrado, o embate permaneceu em igualdade durante todo o primeiro tempo. Na volta do intervalo, quem marcou primeiro foram os germânicos, com o onipresente Lothar Matthäus, de pênalti, aos 55. 

Inconformada em estar atrás no placar e na iminência de perder mais um duelo para os tedescos, os onze laranjas ergueram a cabeça e reagiram. Novo pênalti, desta vez de Köhler em Van Basten, permitiu a Koeman ficar cara-a-cara com Eike Immel. Sem titubear, 1-1 e mais quinze minutos até o apito final.

Mais ofensiva do que nunca, a Laranja mecânica versão 2.0 de Michels foi à frente. Jan Wouters arriscou de longe e quase pegou Immel desprevenido. Minutos depois, o mesmo Wouters teve espaço e calma para lançar Van Basten, que deslizou para tocar de leve na bola e tirar Kohler e o arqueiro germânico do lance. 2-1, com 88 jogados. Só poderia ser a vitória. Quando o árbitro romeno Ioan Igna encerrou a partida, a euforia tomou conta da torcida visitante. Credenciada a disputar mais uma decisão, a Holanda sabia que não poderia mais deixar escapar o troféu, e agora o inimigo era o mesmo que os fez de vítima na primeira fase: a URSS.

Foto: AIC
Era hora de encontrar velhos fantasmas. Aqueles que assombravam pelas anteriores derrotas em finais e claro, o dos soviéticos que triunfaram por 1-0 lá na estreia do torneio. Para o capitão Gullit e seus colegas, a concentração era primordial na execução da vingança, que daria o tão esperado troféu Henry Delaunay aos herdeiros do futebol total.

Agressivos, os vermelhos abusaram das faltas na primeira etapa. Vagiz Khidiyatullin, Anatoliy Demianenko e Gennadiy Lytovchenko receberam cartões amarelos por entradas mais ríspidas nos holandeses. Aos 32, Erwin Koeman mandou um belo cruzamento para Van Basten, que tocou de cabeça para o meio da área, onde Gullit estava livre de marcação para fuzilar Dasayev. 

Tomando conta do ritmo determinando as ações, a Oranje seguiu com paciência o caminho até o segundo gol. Arnold Mühren dominou pela esquerda e enxergou boas condições para uma inversão. Com extrema felicidade, encontrou Van Basten para aquele que seria o seu gol mais célebre: pegou de primeira da ponta direita e encobriu Dasayev para sacramentar a conquista. 14 anos depois de perder sua primeira Copa, a Holanda entrava no seleto grupo de campeões europeus com uma geração tão brilhante quanto a que lhe tornou famosa na década de 1970.

Foto: UEFA
URSS: Dasayev, Khidiyatullin, Demianenko, Rats, Aleinikov, Lytovchenko, Zavarov, Protasov (Pasulko), Belanov, Mykhailychenko e Gotsmanov (Baltacha). Téc: Valeriy Lobanovskiy

Holanda: van Breukelen, van Tiggelen, Ronald Koeman, van Aerle, Vanenburg, Mühren, Gullit, Erwin Koeman, Rijkaard, Wouters e Van Basten. Téc: Rinus Michels

Campanha: Cinco jogos, quatro vitórias e uma derrota. Oito gols marcados, três sofridos.

Jogos
Fase de grupos
URSS 1-0 Holanda
Inglaterra 1-3 Holanda
Holanda 1-0 Irlanda

Semifinal
Alemanha 1-2 Holanda

Final - 25 de junho de 1988, Munique - Olympiastadion
URSS 0-2 Holanda


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