sexta-feira, 13 de abril de 2012

Craques: Carlos "El Lobo" Diarte

Carlos "El Lobo" Diarte em seu início de carreira. 
Desde os 16 anos, brilhava com o Olimpia
Foto: ABC
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP

Carlos "El Lobo" Diarte pode ser considerado um dos maiores atacantes do futebol sul-americano. Contudo, poucos conhecem este verdadeiro mito, com exceção do povo paraguaio que o idolatra até hoje como um dos maiores do esporte local. Ídolo no Olimpia e com uma passagem de sucesso pelo futebol espanhol, o antigo goleador perdeu uma dura batalha contra o câncer e se foi no ano de 2011. Ainda sim, a lenda permanece intacta.

Logo com 16 anos, Diarte já recebeu uma oportunidade como profissional. No ano de 1971, a promessa estreava com a camisa do Olimpia, clube responsável por formar o atleta, e, na sua estreia, já mostrou que tinha faro de gol. Em um duelo contra o River Plate de Assunção marcou um dos gols da sua equipe e deixou todos em êxtase, já que era sabido que aquele jovem viria a ser um grande nome no futuro.

Na sua primeira temporada como profissional, já foi coroado com o título do Campeonato Paraguaio. De fato, era questão de tempo pro garoto se aventurar na Europa. Com sua grande velocidade e faro de gol cada vez mais apurado, assim que "El Lobo" completou 18 anos já rumou para a Espanha afim de defender as cores do Zaragoza, tudo isso no ano de 1973.

Com os Zaraguayos, El Lobo começou a brilhar no futebol espanhol
Foto: As
Pelo Zaragoza, o atacante se encontrou com a equipe que recebeu o apelido de Zaraguayos por contar com outros grandes jogadores paraguaios como Saturnino Arrua e Felipe Ocampos, El Lobo se aproveitava ainda mais do seu porte físico avantajado, usando-se muito bem do cabeceio, além, óbvio, da velocidade. Colecionando boas atuações e respondendo em campo ao investimento feito, Diarte passou bons tempos nos blanquillos, com destaque para o vice-campeonato espanhol conquistado na temporada 1974-75. O bom futebol rendeu novos olhares e no ano de 1976, o goleador paraguaio se transferiu para o Valencia.

No Valencia, o paraguaio compôs um inesquecível trio ofensivo 
ao lado de Kempes e Rep Foto: El Mundo
Chegando ao Mestalla para defender o Valencia, Carlos Diarte compôs um dos mais míticos trios ofensivos da história do futebol espanhol ao lado do artilheiro argentino Mario Kempes e do mito holandês Johnny Rep. Com tantas estrelas ao seu lado, o paraguaio não marcou gols na mesma proporção, mas nem por isso deixou de ser importante para o clube, mesmo que o tão estrelado plantel não tenha atendido todas as expectativas.

Como saldo da sua passagem pelo Mestalla, veio o título da Copa do Rei na temporada 1978-79. Talvez, se não tivesse sofrido as primeiras lesões um pouco mais sérias de sua carreira, é provável que a passagem do paraguaio por Los Che seria ainda mais arrasadora. E no ano em que ganhou seu último título com o Valencia, El Lobo buscou novos ares, ainda na Espanha, mas, deixou o time e foi defender o UD Salamanca.

No Salamanca, o paraguaio foi obrigado a conviver com contusões, o que o impediu de manter uma boa sequência de partidas. Entretanto, em algumas poucas participações que teve, já conseguiu certo destaque ao lado de Juanito, Corominas e D' Alessandro. Passou apenas uma temporada na equipe e no ano de 1980 acabou por se transferir para o Bétis, onde voltaria a ter grande destaque.

Defendendo os verdiblancos, El Lobo ainda era sentia alguns problemas físicos, mas voltou a marcar gols em maior proporção. Com dribles fabulosos e arrancadas sensacionais que lembravam os áureos tempos, logo caiu na graça da torcida do Bétis. Permaneceu por três temporadas e assim acabou por encerrar seu ciclo no futebol espanhol, já que em 1983 acabou por se arriscar no futebol francês defendendo o St. Etiénne.

Na França, ele conseguiu encaixar alguns bons jogos, mas, então com 33 anos, sentia que era a hora de voltar ao seu tão querido Paraguai afim de fazer sua última temporada pelo time que o revelou para o mundo e sua volta para o Olimpia para que fizesse sua última temporada foi decretada, isto no ano de 1987.

Em sua temporada final no mundo do futebol, El Lobo foi simplesmente sensacional e viu sua carreira ter o desfecho final que merecia. A idade pesava um pouco, mas o atacante ainda assim tratava bem a bola e até mesmo rascunhava algumas arrancadas, com isso tudo, veio o título paraguaio no ano de 1987, fechando com chave de ouro uma carreira tão brilhante.

Já aposentando, El Lobo investiu na carreira de técnico; 
Na foto, é apresentado na seleção de Guiné Equatorial Foto: EFE
Já aposentado, Diarte tentou a carreira de técnico. Treinou diversas equipes do futebol espanhol tais como o Valencia e o Salamanca, pelos quais brilhou como atleta. Em 2009, assumiu a seleção de Guiné Equatorial, mas, infelizmente, teve sua carreira de treinador interrompida. No dia 28 de junho de 2011, perdeu um desafio mais duro do que qualquer final de campeonato: a batalha contra o câncer.

Ao fim de um ciclo glorioso, fica o legado daquele que com dribles, arrancadas e gols maravilhosos foi um dos mais contundentes e estupendos camisa 9 não só do futebol paraguaio, como do sul-americano em geral.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Craques: Alexi Lalas

Foto: Who ate all the pies.tv
Cabeludo, xerife e precursor dos tempos de MLS nos Estados Unidos, Lalas foi sim um ícone norte-americano que fez seu país começar a ter gosto pelo soccer

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Desafortunados: Glenn Helder


Por: Felipe Ferreira (@felipepf13)
De Araçatuba-SP

Quando surgiu no futebol holandês, Glenn Helder era apontado como uma das maiores promessas da Laranja Mecânica, mas, bastou uma passagem sem sucesso pelo Arsenal para que sua carreira desandasse e seu psicológico fosse abalado, tanto que acabou na cadeia. Bem, realmente uma história com aperitivos diferentes do da maioria, contudo, Helder é mais um desafortunado clássico.

Nas categorias de base, passou três clubes da Holanda: os pequenos Orange Groen e UVS, além do grande Ajax. No entanto, sua carreira profissional se deu início em outro time: o Sparta Roterdã. No ano de 1989, então com 23 anos, o habilidoso ponta-esquerdo contou com uma boa sequência de jogos no clube da cidade portuária, passando quatro temporadas lá, ele buscou ares novos para sua carreira, se transferindo para o Vitesse, em 1993.


No Vitesse, Helder explodiu de vez e mostrou para a Europa a sua qualidade. Tornando-se um ponta-esquerda bastante explosivo e que aparecia muito bem no ataque, marcando vários gols, ele começou a despertar interesse de equipes maiores tanto da Holanda como de outros países. Os Vitas bem que resistiram em não negociar o seu talento, mas, passada uma temporada e meia, os diretores holandeses não tiveram como resistir e negociaram o jogador com o Arsenal, em 1995.

Em seus tempos de Highbury, o ponta bem que recebeu algumas oportunidades mas não conseguiu ter boas atuações e atender às expectativas. Como consequência disso tudo, não demorou para a torcida passar a odiar o jogador que chegara com pompa de uma nova estrela da escola holandesa. Com isso tudo, os diretores do Arsenal decidiram por emprestar Helder para o Benfica afim de que ele se reencontrasse com o bom futebol, em meados de 1996.


A tentativa de se recuperar foi em vão. O ponta não conseguiu se encontrar, muito menos manter uma sequência de jogos, sendo que atuou apenas em pouco mais de 10 partidas pelos Encarnados. Sem o mínimo interesse em renovar o empréstimo, os portugueses mandaram o holandês de volta para o Arsenal que por sua vez também queria se desfazer do traste. Glenn então voltou ao futebol de sua terra pelo NAC Breda, para a temporada de 1997-98.

Já na agremiação aurinegra, não fez nada de relevante e começou a sofrer por distúrbios psicológicos tanto que teria tentado cometer suicídio, de acordo com jornais locais. Ainda em busca da sua redenção no futebol, Helder começou a apostar na carreira no pôquer e representava a Holanda em torneios internacionais. Contudo, não conseguiu êxito com o carteado e seguia "brigando com a bola".

Depois do NAC Breda, o jogador foi para a China tentar a sorte no Dailan Wanda, em 1998, voltou para o NAC menos de seis meses depois. Não desistindo, tentou mais um trunfo pelo MTK Budapeste, em 1999, retornou à Holanda para defender os pequenos Roosendaal e TOP Oss, contudo, realmente, ele tinha desaprendido a jogar futebol e o sucesso foi nulo.

Largou o futebol profissional em 2003, com 35 anos, e partiu para o futebol amador, contudo, nesse tempo, seus distúrbios psicológicos só cresceram e Glenn veio a ser uma pessoa completamente transtornada. Antes de ser preso em 2007 por posse de arma, abuso e perseguição a uma ex-namorada, o flop voltou a aparecer na mídia um ano antes quando participou da despedida do mito Denis Bergkamp do Arsenal.

Aparentemente curado dos mais diversos problemas, o ex-ponta esquerda achou um meio em que vem conseguindo êxito: o da música. Hoje, o antigo talento brilha como percussionista na Holanda, onde toca nas mais diversas festas e boates.



terça-feira, 10 de abril de 2012

TF História: Por dentro da faixa de Gaza

A terra santa do futebol chileno, o Estádio Nacional. (O Gol) 
Bruno Núñez, @BrunoNunez

Cheguei a Santiago, capital do AR SECO, em um sábado com um clima DESÉRTICO e com o sol em grande fase, o uso de boné, boina ou quepe era OBRIGATÓRIO. Já tinha consciência do jogo que rolaria na tarde daquele sábado, em pleno Estádio Nacional, que outrora já fora palco de uma final de Copa do Mundo, hoje dava espaço para um duelo medieval entre ÁRABES e CRUZADOS, pela primeira rodada do Apertura chileno. Ambos em busca do HUEMUL DE PLATA, troféu dado ao campeão nacional.

Ludibriado pelo GOOGLE MAPS, achei que a estação de metrô estava ao lado do hotel onde me hospedei, mas me enganei e enfrentei uma caminhada de 10 minutos, que pareceram uma hora por causa do sol que mirava diretamente para o meu CUCURUTO. Chegando a estação Ñuble, a mais próxima do Estádio Nacional, fui novamente ludibriado pelo serviço de mapas online, que indicava o metrô bem próximo ao estádio, mas tive que fazer nova caminhada longa sobre o calor ESCALDANTE da cidade de Santiago. 

O estádio não aparecia nunca no meu campo de visão, achei que tinha pegado o caminho errado, mas percebi um grupo de NÓRDICOS que parecia ter o mesmo objetivo que o meu, e não deu outra, do nada, o Estádio Nacional EMERGIU na minha frente.

Estava atrasado, o jogo já havia começado, e isso se refletia nas ruas em torno do estádio, nenhuma alma viva próxima parecia respirar aquela partida, só chegando perto das bilheterias que percebi alguns HINCHAS do Palestino atrasados, comprando rapidamente seu ingresso para a batalha já em andamento. Eu estava indeciso para que torcida eu ia me bandear, e o bom senso falou mais alto: acabei comprando um ingresso para a GALERIA do Palestino, que no dia, jogava de local.

O Palestino de 1978, segunda e última vez que o time foi
 campeão chileno, Figueroa é o quarto da fileira de cima,
 da esquerda para a direita (Foto: Solo Fútbol)
Me perdi na área interna do estádio já que não tinha nenhuma sinalização mostrando que ali teriam ÁRABES vendo um jogo de futebol. De súbito percebi que tinha perdido um gol da Católica, enquanto LOS CRUZADOS saltavam e gritavam de felicidade, eu havia achado um senhor com uma bancada cheia de produtos do Palestino (chaveiros, flâmulas e vários outros tipos de PENDURICALHOS) que me indicou a entrada certa. Lá fui eu, subindo as escadas para finalmente ver o jogo, percebo ÊXTASE da torcida em que me aproximava, e sim, gol do Palestino e mais um gol perdido por mim.

Finalmente o jogo, haviam cerca de 100 pessoas (ou menos) na área destinada a torcida do Palestino, os CRUZADOS também decepcionaram e ocupavam pouquíssimos lugares, apesar disso, chego e me acomodo de pé ao lado de um senhor de baixa estatura, ele conversava com todos a sua volta, onde eu estava prestes a conhecer um EXPERT em Palestino e futebol em geral. Comecei a conversar com o senhor, perguntei quem tinha feito o gol e quem era o destaque do time, ele estranhou um pouco, logo me identifiquei como BRASILEÑO, e aí ele não parou de falar mais, ficou muito feliz que um estrangeiro tinha ido ver um jogo do Palestino.

Ele se apresentou como Francisco e depois me levou para a BARRA BRAVA (eram por volta de 10 pessoas). Logo começou a contar ANEDOTAS das canchas chilenas, entre elas a de grandes brasileiros (?) que passaram pelo futebol chileno: a história mais curiosa era a de BENEDITO PEREIRA, beque central que segundo Don Francisco veio ao Chile para ser jogador de basquete e acabou sendo um dos símbolos dos tempos AÚREOS do pequeno Independiente de Cauquenes, hoje na quinta divisão do país.

Don Francisco ENDEUSAVA Don Elías Figueroa, que estava presente no último CHILENÃO que o Palestino conquistou no ano de 1978, e bradava que DON ELÍAS tinha muita classe e foi o maior jogador na história daquele país. Do atual elenco ÁRABE ele admirava o capitão da equipe, Roberto Bishara, mais conhecido como El Jeque (O Sheikh) e que tem ascendência palestina e ainda por cima jogou pela SELEÇÃO PALESTINA, a capitania estava mais do que bem representada.

Roberto Bishara e Felipe Núñez, os ícones do time 
árabe na atualidade (El Gráfico) 
O jogo era bom, chances boas pra ambos os lados, ambos os arqueiros se destacaram, Toselli da Católica fez milagres, e FELIPÃO Núñez do Palestino (típico goleiro sul-americano, camisa colorida e cheia de Gustavo Cerati’s [vocalista do Soda Stereo, uma das maiores bandas de rock da América Latina], além de FELIPAO [sem til mesmo] nas mangas) parou quase tudo, menos um chute de Kevin Harbottle, indefensável.

A arbitragem ajudou um pouco a Universidad Católica, deixando os torcedores muito enfurecidos, principalmente com o bandeirinha, que era de origem judia, não preciso falar que ele era o mais hostilizado ali. A Católica venceu por 2 a 1, os poucos hinchas do clube estavam tristes porque o time mostrou empenho, mas a bandeira palestina que tremulava no CUME do Estadio Nacional mostrava que o sentimento estava mais vivo do que nunca.

Saindo do estádio, CRUZADOS e ÁRABES saíam pacificamente juntos do estádio, nada de GUERRA SANTA como no passado, o simpático senhor Francisco parou na bancada que vendia PENDURICALHOS do Palestino e me comprou um chaveiro, depois conversando com um amigo, me arranjou um CAMELO DE PLÁSTICO, falando que eram presentes para que eu nunca mais me esquecesse do Palestino, e realmente eu não iria. 

Voltei ao metrô conversando com Don Francisco, que seguia falando apaixonado de como o estádio era antigamente, quando se sentia o ALENTO e o CALOR do público. Hoje não, o Estádio Nacional perdeu todo seu charme com o PROCESSO DE EUROPEIZAÇÃO que  sofreu. Cheio de cadeiras, a cancha perdeu todo o ROMANTISMO que tinha por trás, um fato que destrói a mística do futebol sul-americano em geral.

O Estádio de La Cisterna, o habitat natural do Palestino. (Cada7)
Quando estávamos por nos despedir, ele me fez um convite, ir até o Estádio de La Cisterna (a casa do Palestino, segundo ele o MARACANÃ chileno, já que nunca fica cheio. (Sem sentido nenhum essa comparação, mas tudo bem). No outro sábado, me daria a camisa tricolor do time caso eu fosse, infelizmente não pude ir. Saí da cidade na sexta, creio que perdi uma grande história, mas ganhei um amigo de cancha e também um clube pra alentar, e como diz o único canto que a INTIFADA PALESTINA cantou durante o jogo, ‘’CHI CHI CHI, LE LE LE, PALESTINO DE CHILE’’, o clube árabe é um OASIS de histórias.


Os gols da partida, atentos para o gol de Peréz do Palestino, golaço (e eu não vi ao vivo)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Descraques: Mark Bosnich

A cara da desolação: Bosnich teve horrível estadia no Chelsea (Daily Mail)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Histórias de jogadores que se perdem no vórtex da fama e da perdição no futebol aparecem aos montes em jornais, revistas e sites. A lenda de Mark Bosnich, goleiro australiano que precedeu o ancião Mark Schwarzer, é intrigante. Talento da base do Sydney United, em 1989, logo aos 18 anos foi contratado pelo Manchester United, inicialmente nas categorias de base.

Estreou em 1990 pelos Red Devils, em partida contra o Wimbledon. Pouco trabalhou naquele ano, apenas três oportunidades. Retornou ao Sidney para mais um ano, ganharia experiência ao fim da temporada antes de retornar à Inglaterra. Em meados de 1992, aceitou oferta do Aston Villa, esperando ter boas chances de ser titular. Somente em 1993-94 ganhou o lugar de Michael Oakes. Foi numa decisão por pênaltis na Copa da Liga inglesa contra o Tranmere Rovers que alcançou a fama. Pegando três chutes, assegurou sua posição como macho alfa do gol dos Villans. 

O sucesso veio em 1994-95, quando ele finalmente figurava entre os mais prestigiados arqueiros no futebol inglês. Daí em diante ele era reconhecido como grande valor australiano, o mais célebre entre os que jogavam fora da terra dos cangurus. De presença regular à polêmico em 1996, se lesionou na primeira metade de 1997 e ficou no estaleiro até 1999, quando se transferiu para o Manchester United (disputou a final do Intercontinental contra o Palmeiras, substituindo Schmeichel).

HAHAHAH, daora essa taça, mano, daora (UOL)
Dois anos depois perderia a vaga para Fabien Barthez, lenda francesa debaixo das traves. Ameaçado e em decadência, foi para o Chelsea em 2001. Mais lesões crônicas e Mark já era um flop em Londres. Sete jogos realizados e em setembro de 2002 o famigerado anti-doping em que seria pego. Aí alcançou o seu pior momento, sendo até mandado embora do Stamford Bridge. Aposentado e falido, resolveu voltar ao esporte, jogando pelo Central Coast Mariners, em 2008. Sem sequência, teve passagem rápida pelo Sydney Olympic, por apenas oito aparições.

Vencedor de títulos como o da Premier League e Mundial Interclubes (Manchester em 1999-00), e duas Copas da Liga com o Villa (1993-94 e 1995-96), Bosnich não se arrepende de nada do que passou no esporte. Quando iniciou sua carreira, teve problemas com o visto de trabalho e retornou à Austrália. Em busca do sonho de fazer parte do futebol, serviu exército na Iugoslávia em 1991. Por alguns anos, teria enfrentado uma guerra civil. Poderia muito bem servir de lição para os mais jovens, os que se deslumbram com a fama e o dinheiro, o reconhecimento. Hoje é comentarista da FOX Sports, na Inglaterra.

Fanfarrão
Em 1996, foi repreendido pela diretoria do Aston Villa, após fazer uma saudação nazista para a torcida do Tottenham, que tem grande parcela judia. Em 2002, se envolveu com uma modelo inglesa, Sophie Anderton, com a qual teve uma série de entreveros, além de problemas com narcóticos. A moça já tinha histórico de maria chuteira, mas aparentemente nosso querido Bozza preferiu ignorar isso.



sexta-feira, 6 de abril de 2012

TF História: Quando os Milionários viraram galinhas

Foto: Futebol Portenho

Tiago de Melo Gomes, @melogtiago
De Recife-PE

Todos os clubes argentinos possuem ao menos uma alcunha, muitas das quais são bastante curiosas. Sediado na elegante zona norte portenha, o River Plate é historicamente conhecido como “Milionário”. No entanto, em 1966 surgiu uma segunda forma de se referir ao clube, a qual ainda provoca calafrios em seus torcedores: “galinhas”.

Naquele ano o clube fez uma grande campanha na Libertadores. Com jogadores como o histórico goleiro Carrizo, os uruguaios Matosas e Cubilla e os irmãos Onega, os comandados de Renato Cesarini chegaram como favoritos à grande decisão, mas perderam o título de forma surpreendente.

Naquele ano a Libertadores, até então um torneio curto, teve pela primeira vez uma fórmula mirabolante, inaugurando um período de muita desorganização que perduraria até a edição de 1971, quando finalmente a Conmebol conseguiria encontrar a fórmula que seria utilizada por quase duas décadas. Mas nos anos anteriores a tônica do maior campeonato continental interclubes foi a bagunça.

Naquele ano os milionários jogaram 16 vezes antes de chegar à final, em um torneio que tinha 17 clubes. Com as três partidas da decisão foram 19 jogos em 3 meses. Primeiro um grupo com o Boca Juniors, dois clubes do Peru (Alianza e Universitário) e dois da Venezuela (Deportivo Lara e Deportivo Itália). Com oito vitórias em dez jogos o River se classificou em primeiro lugar.

Na segunda fase um grupo duríssimo, que só classificaria uma equipe para a grande final: além do River lá estavam o Boca Juniors e o Independiente, vencedor das duas edições anteriores do torneio, além dos paraguaios do Guarani. Foi necessário um desempate com o Independiente, vencido pelos Milionários por 2 a 1. O River havia chegado à grande decisão.

O adversário era uma grande equipe do Peñarol, repleta de nomes históricos do clube. O treinador era ninguém menos do que Roque Máspoli, goleiro da seleção uruguaia na copa de 1950. Em campo havia grandes jogadores, três dos quais fizeram muito sucesso no Brasil: o grande goleiro Mazurkiewicz, o lateral Forlán e o genial Pedro Rocha. Uma equipe que poderia enfrentar qualquer outra do planeta, e que venceria as duas partidas da final intercontinental contra o Real Madrid.

A primeira partida foi no Centenário. Nela o River foi guerreiro, e segurou o empate por 75 minutos. Mas Abbadie e Joya marcaram os gols da vitória carbonera nos últimos minutos. Um empate daria ao Manya o terceiro título da Libertadores. Uma partida de tamanha importância entre duas equipes tão tradicionais e recheadas de grandes craques só poderia mesmo entrar para a história.

O Monumental de Nuñez estava abarrotado, incluindo torcedores à beira do campo, o que não era totalmente incomum na época. Pedro Rocha abriu o placar, mas Ermindo Onega empatou ainda no primeiro tempo. O equatoriano Spencer colocou novamente o Peñarol em vantagem logo no início do segundo tempo, mas Sarnari empatou logo depois, e Ermindo Onega marcou o terceiro gol, para delírio da torcida. Tudo seria decidido no jogo desempate, em Santiago do Chile.

No primeiro tempo o River Plate foi melhor, e desceu para o intervalo com dois a zero a favor, gols de Daniel Onega e Solari. A Libertadores de 1966 parecia definida. Logo no início do segundo tempo ocorreu o lance mítico que mudou a história da partida. Um simples momento que tem muitas versões, mas em geral inclui um chute de Spencer, defendido de forma humilhante por Amadeo Carrizo, que matou a bola no peito e saiu jogando.

Com os brios feridos os jogadores do Peñarol correram como nunca. Logo após os 20 minutos o mesmo Spencer aproveitou uma bola na área e fuzilou Carrizo. Mais cinco minutos e Abbadie chutou de fora da área, a bola desviou em Matosas e enganou o goleiro milionário. O Peñarol havia conseguido um empate que parecia impossível. E entrou na prorrogação com muito mais força que o rival.

Aos 12 minutos o equatoriano Spencer ensinou a Carrizo que com uruguaios não se brinca, subindo mais que toda a defesa inimiga para acertar uma cabeçada espetacular. Após 102 minutos de jogo o Manya tomava a frente do placar pela primeira vez. No segundo tempo Pedro Rocha concluiu um rápido contra-ataque com uma cabeçada muito bem colocada. O Peñarol havia feito história: era campeão da Libertadores de 1966 e em seguida seria campeão mundial.

O River Plate havia perdido a incrível oportunidade de conquistar seu primeiro título continental, exatamente quando a conquista parecia praticamente certa. O tipo de coisa que os rivais jamais perdoariam. Poucos dias depois o clube enfrentou o Banfield, pelo campeonato argentino daquele ano. Um hincha do Taladro entrou em campo com uma galinha, como referência à derrota, para delírio da torcida local.

A galhofa de um anônimo torcedor do Banfield entraria para a história. A partir daquele dia, ao menos para os rivais o River Plate deixaria de ser o “Milionário” e passaria a ser conhecido como “Galinha”. Algo que os torcedores do clube ainda sentem arrepios de ouvir. Tudo por conta de uma incrível vitória do Peñarol em 1966.

PEÑAROL: Mazurkiewicz, Lezcano, Diaz e Forlán; Gonçalvez e Caetano; Abbadie, Cortés, Spencer, Rocha e Joya.

RIVER PLATE: Carrizo, Matosas, Vieytez e Sainz; Sarnari e Grispo; Cubilla, Solari, Ermindo Onega, Daniel Onega e Más.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Desafortunados: Emmanuel Amunike

Foto: Solo fútbol
Bruno Núñez, @BrunoNunez
De São Paulo-SP

O perfil desse Desafortunado é o típico caso do jogador que BARBARIZA jogando pela seleção, mas que não tem a mesma fortuna jogando pelos grandes clubes, que clamaram por seus serviços graças as boas exibições pelo esquadrão de sua terra natal. Ainda houve o agravante da lesão, que acabou com a sua carreira e não rendeu aquilo que todos esperavam dele.

Emmanuel foi um dos símbolos dos tempos de glória das Super Águias, a seleção nigeriana que encantou os gramados na década de 1990, o ala-esquerdo Amunike (que virou seu nome, de tanto que erraram a pronúncia) era um talento promissor, estava em campo quando a Nigéria foi campeã da Copa Africana de Nações em 1994 (fazendo os dois gols na final, consagrando-se ídolo dos nigerianos) e também fez parte do grupo que participou da primeira Copa da história dos Águias verdes naquele mesmo ano.

O ponto máximo daquela geração nigeriana foi a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos, que além de Amunike, tinha jogadores da estirpe de Amokachi, Babayaro, Kanu, Babangida, Okocha e West (com seu cabelo [?] que ficará eternamente nas nossas memórias). A vitória sobre o Brasil nas semifinais já tinha deixado os espectadores perplexos, então veio o triunfo sobre os argentinos na final olímpica, foi ainda mais estonteante, com o nosso Desafortunado tendo grande participação na partida, mostrando que tinha mística de decisão, marcando o gol do triunfo histórico dos nigerianos no último minuto do segundo tempo.

Na sua carreira profissional, Amunike começou a impressionar no Julius Berger, clube do seu país natal, mas logo foi para um gigante africano, o Zamalek do Cairo, onde se consagrou como um ala ofensivo esquerdo. Conquistando o bicampeonato egípcio de 1992 e 1993, viveu quatro anos na beira do Rio Nilo. Seu futebol logo chamou atenção do mercado europeu, principalmente por suas atuações pelo selecionado nacional, que lhe renderam o prêmio de melhor jogador africano de 1994. O presidente do Sporting de Lisboa na época, Sousa Cintra, fez de tudo para ter o jovem jogando pelos leoninos, inclusive foi ao Egito acertar pessoalmente com atleta e clube, já que era iminente a sua ida para um desconhecido da Alemanha, a atitude do presidente sportinguista fez com que o destino de Amunike fosse diferente.

O desembarque na Europa foi o melhor possível, Amunike logo assumiu a titularidade no elenco leonino, mostrando que era rápido, técnico e tinha um excelente chute. Essas qualidades ajudaram a agremiação lisboeta na temporada de 1994-95, finalizando o Campeonato Português em segundo, enquanto ele encaixava 24 jogos/8 gols (inclusive o seu primeiro gol foi contra o rival Benfica) e se sagrando campeão da Taça de Portugal.

Os tempos dourados de Amunike em clubes vieram no Sporting
(Craques e flops leoninos)
Na temporada seguinte, Amunike novamente foi um dos destaques do Sporting, 34 jogos e 9 gols, com direito a uma Supertaça de Portugal no bolso. No fim da época, Amunike embarcou para Atlanta e deu no que deu, campeão olímpico com as Super Águias, sendo um dos destaques daquele time, o Sporting não poderia segurar mais o jogador. Ainda jogou parte da temporada 1996-97 pelo alviverde luso, mas no fim do ano foi embora.

Sir Bobby Robson viu aquele jovem de 25 anos encantando os torcedores nas Olímpiadas, e não titubeou em trazê-lo para a Catalunha. Para isso o Barcelona desembolsou 4 milhões de dólares dos seus cofres. Amunike chegava a um elenco muito forte, entre os novos companheiros da Pantera Nigeriana estavam Figo (que havia jogado com ele no Sporting), Ronaldo e Guardiola.

Amunike parecia que ia ajudar muito os blaugranas, teve oportunidades, mas começou a padecer de sucessivas lesões no joelho (já havia sofrido de algumas no fim de sua passagem pelo Sporting), que deixaram ele parado por muito tempo, e graças a elas, ele não foi para a Copa do Mundo de 1998. Suas lesões voltavam, ele perdia ritmo de jogo, e isso começou a comprometer na sua habilidade, não era o mesmo, estava em processo de Pedrinhozação descraquização. As únicas lembranças que deixou em Barcelona foram seus arremessos laterais, que eram potentes; (não chegava a ser um Delap, mas dava para o gasto) a outra, foi o canto que os madridistas fizeram para o meia Luís Enrique do Barça, que dizia ‘’Luis Enrique tu padre es Amunike’’, bom...não preciso explicar o sentido do canto.

Choro ou cansaço? Só o tempo irá dizer
(The offside)
Foram três temporadas no clube (''conquistou'' 2 Ligas, 2 Copa do Rei, 1 Recopa Europeia e 1 Supercopa da Europa) mas de fato só conseguiu jogar 1 temporada e meia, foram cerca de 20 jogos e 1 gol com a camisa do Barça.

A carreira de Amunike só decaía, chegou ao Albacete na temporada de 2000-01, após a passagem frustrada pelo Camp Nou. As lesões destruíram a carreira do winger nigeriano, já não tinha a velocidade de antes, nem a técnica, o velocista que passava e colocava os zagueiros para dançar agora era colocado na roda de bobinho, não tendo o mesmo folego de antes. Seu futebol nunca mais foi o mesmo, o Albacete foi mais uma passagem frustrada na sua carreira, foram duas épocas pouquíssimo aproveitadas pelo africano. Depois foi para a Jordânia, vestiu a camisa do Al-Wihdat (temporada 2003-04), mas quando viu que não estava bem nem em terras jordanianas, decidiu que era a hora de parar.

Apostou nos cargos técnicos para seguir no futebol, foi treinador adjunto na Arábia Saudita, e depois foi contratado pelo Manchester United como observador de jogadores africanos, principalmente na Copa da África de 2008. Dirigiu o Julius Berger e o Ocean Boys da sua terra natal, mas depois voltou a Espanha, onde participou de um anúncio publicitário que tirou onda de sua fracassada passagem pelo Barcelona. Amunike mostra no anúncio que está vendendo um VHS com a sua melhor jogada, que é o seu arremesso lateral, único lance mostrado em toda vídeo-aula fictícia, pobre Emmanuel.

Atualmente dirige uma escolinha de futebol na Nigéria, apesar de viver na Espanha esperando por uma oportunidade em alguma comissão técnica de algum clube espanhol, apostando que pode triunfar em terras hispanas, já que não pôde quando jogador espera ter melhor sorte como treinador. 




quarta-feira, 4 de abril de 2012

Craques: Julio Dely Valdés

Foto: Diálogo americas
Felipe Portes, @portesovic
De Brisbane-AUS

Aproveitando o fato que falamos do maior jogador costarriquenho da história, Paulo Wanchope, o gancho é bom para que o protagonista de hoje seja Julio Dely Valdés, o maior panamenho de todos que já caminharam por esta terra.

Goleador daqueles desesperados, um artilheiro nato, Dely Valdés marcou época no PSG, Oviedo e Málaga, também com boas passagens por Cagliari e Nacional do Uruguai. Começou sua carreira em 1987, no Deportivo Paraguayo, de divisões inferiores na Argentina. O talento para balançar as redes usando o bico da chuteira, a testa, a canela e até a cintura fizeram de Julio ídolo imediato na pequena agremiação de Buenos Aires. 

De lá, partiu para o Nacional, onde ganharia destaque internacional e suas primeiras chances na seleção panamenha, onde seria eterno camisa 9 e maior ícone. Reza a lenda que O Pelé da América Central marcou mais de 100 gols pelo Bolso. A mitificação de Dely era algo inevitável. De 1989 a 1993 torturou os goleiros e defesas adversárias no Uruguai até chamar a atenção do Cagliari. Foi campeão nacional em 1992 e no ano seguinte partiu para a equipe da Sardenha.

No Cagliari, ainda possuindo alguma quantidade de cabelos, Julio fez companhia de ataque ao não menos lendário e carismático Luis Oliveira (Oliveirrá, como diziam os belgas). A parceria não vingou como esperado e apenas uma décima posição na Serie A frustrou os ânimos dos dirigentes no Sant'Elia. Para a temporada seguinte, em 1994-95, contou com Roberto Muzzi e Massimiliano Allegri no elenco gialloblu, mas o resultado final também não empolgou. A nona posição foi a gota d'água para que o panamenho procurasse outro lugar para tentar corresponder às suas ambições como profissional.

Semi-voleio de Dely Valdés na final da Taça das Taças em 1996
O Paris Saint-Germain foi a escolha para o futuro. Já adotando o visual careca/Seal/Sebastian da C&A, Dely  já chegou com pompas e levantando o título da Taça das Taças UEFA em 1995-96. A vitória sobre o Rapid Viena, com gol de Bruno N'Gotty, foi o único troféu erguido pelo talentoso atacante, apesar da excelente média de gols (64 jogos e 24 gols). Em 1997 deixou o Parc des Princes e assinou com o Real Oviedo, onde seria rei. 

Eram tempos nebulosos para a simpática equipe das Astúrias. Três péssimas campanhas em La Liga, com ponto alto para os intermináveis gols de Julio contrastaram na história do clube. Ainda importantíssimo e herói no Oviedo, o atacante foi para o Málaga, em 2000-01 onde venceu a Copa Intertoto (2002) e se consagrou como um dos maiores artilheiros dos Boquerones. 


O reconhecido faro de gols continuava ali. Com o passar dos anos, Julio se transformou num centroavante mais de área, de conclusão, não um jogador de arrancada, explosão e velocidade como nas suas passagens por Cagliari, PSG e até mesmo Oviedo.


Veteraníssimo, aos 36, saiu do Málaga em 2003 e rumou ao Nacional, onde foi revelado para o futebol internacional. A idade foi uma barreira e ele disputou apenas 15 partidas antes de defender o Árabe Unido, do Panamá, onde encerraria sua carreira (vejam só como rimou com o começo da oração). É irmão gêmeo de Jorge Dely Valdés, que teve passos similares no que se diz início e fim da caminhada como jogador de futebol.



terça-feira, 3 de abril de 2012

Bugados: Mateja Kezman

Foi no Chelsea que iniciou a derrocada de Kezman no futebol (Postmatch playmaker)
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

102 gols em 105 jogos no PSV. Um recorde e meta de qualquer atacante que se preze, esse número conseguido por Mateja Kezman em quatro anos jogando em Eindhoven é uma proeza que muitos grandes nomes do esporte tentaram alcançar. O sérvio que já era bem conhecido nos seus anos de Partizan pela mesma perícia ao colocar a bola nas redes simplesmente teve seu brilho apagado assim que deixou a Holanda ao fim de 2004.

Era a segunda metade da década de 1990 na Sérvia. O futebol de lá não se deu muito bem no pós título do Estrela Vermelha em 1991. Nunca mais as equipes de Belgrado apareceram bem em cenário europeu. Nesse marasmo que estavam mergulhados os grandes rivais de lá, foi que surgiu um baixinho que conhecia muitos dos atalhos para o gol. 

No Radnicki Pirot (um dos 303 Radnickis espalhados pelo território sérvio), uma simples temporada (1996-97) foi suficiente para que a diretoria do Loznica, à época disputando a segundona local, contratasse os serviços do garoto. Um semestre depois, o Smederevo pediria um empréstimo para encerrar 1997-98 com um bom nome no ataque. Foi o último passo dado antes da tão sonhada chegada ao FK Partizana, separado por 800 metros de uma rivalidade que nunca cessou, entre os alvinegros e rubronegros que vivem em Belgrado.

Gol em dérbi contra o Estrela Vermelha: tudo estava
 indo bem, bem demais (Sportal.rs)
Artilheiro da temporada 1999-00, na qual o Partizan venceu o Servião, Mateja se identificou com a torcida grobari com seus muitos gols, (alguns importantes em clássicos) e claro, pelo fato de ser um torcedor do clube. O PSV então faria uma proposta tentadora para tirar o jovem e levá-lo para uma das cinco principais ligas europeias. 41 jogos e 35 tentos serviram de ótimo currículo.

Guarde este momento, amigo leitor. Será o ponto alto e o clímax deste texto. Em 2000-01, logo na sua chegada, se adaptou rápido e assumiu a titularidade, ao lado de Ruud Van Nistelrooy. Foram 31 gols em 49 jogos, média satisfatória para alguém que vinha de uma liga muito inferior, tecnicamente. A rotina de sempre ir às redes se repetiu até 2004, quando o emergente Chelsea, com impul$o de Roman Abramovich se interessou pelo futebol do sérvio. 

Kezman chegaria ao Stamford Bridge juntamente com Robben. Os dois já haviam feito parceria de sucesso no Philips Stadion. Dois títulos da Eredivisie depois, tentaria manter o sucesso na terra da Rainha. Com 102 tentos a mais na conta, já era presença constante na seleção da Sérvia e Montenegro.

E então, Batman (o técnico de som do estádio do PSV tocava o tema do Batman a cada gol de Mateja) e Robben reencenariam a dupla na Inglaterra, na difícil Premier League. Somando tudo o que o atacante fez na temporada, não deu nem o seu primeiro ano como profissional. Flop nos Blues, apesar do título nacional e a Copa da Liga em 2004-05, foi emprestado ao Atlético Madrid. Nova época em baixa no Vicente Calderón, foi muito inferior ao que poderia fazer. O único destaque fica por conta do gol de calcanhar contra o Real Madrid em La Liga.

Em 2006, no Fenerbahce, conseguiu retomar a moral. Mas os gols... (The offside)
Após o tenebroso Mundial pela Sérvia e Montenegro (Kezman foi expulso na estreia contra a Holanda), desembarcou em Istambul, no Fenerbahce. Sempre marcando, mas dessa vez bem menos do que costumava, ajudou o Fener a ser campeão turco em 2006-07, além da Supertaça turca em 2007. Duas temporadas ilusórias, que em nenhum momento viram o mesmo desempenho por parte do sérvio. A essa altura do campeonato, já era visto como fracasso, sombra do que era anos antes.

A franca decadência resultou numa transferência para o Paris Saint Germain, que atravessava péssima fase. Em nenhum momento pareceu boa ideia, para ambos os lados. O PSG não fazia boas campanhas na Ligue 1 e Kezman há tempos não era imponente como referência na área. Por incrível que pareça, a parceria rendeu uma Copa da França, em 2009-10. Em duas temporadas e meia no Parc des Princes (foi emprestado na metade de 2009 ao Zenit, desnecessário dizer que falhou) marcou apenas 10 gols.

Dragan Djuric, presidente do Partizan, e Kezman: negociação não vingou
por pouco, para a sorte da equipe sérvia (Partizan.rs)
Beirando os 30 anos, apostou no futebol chinês como seu último trunfo como profissional. Cada vez mais os gols iam deixando de acontecer e a aposentadoria mais próxima. Em 2011 negociou com o Partizan para um retorno. Jogando a Liga dos Campeões, o alvinegro sérvio acabou por não finalizar os termos, levando em conta a descente do atleta. Kezman então acertou com o BATE Borisov para a campanha seguinte na LC.

Sem um mínimo gol, retornou ao South China ao fim de 2011 e jogou apenas mais algumas vezes antes de se retirar definitivamente do futebol, em janeiro de 2012, passando longos 8 anos no ostracismo.

Joguetes em que brilhou
Até as versões 2011 de FIFA e Pro Evolution Soccer, Kezman era um nome excelente para o ataque. Fazedor de gols (os programadores nunca levaram muito em conta a maré negativa de Mateja na vida real), pode ser facilmente titular em qualquer equipe quatro estrelas que você possa escolher. Tem ótima finalização, mas peca na velocidade e tem péssimo preparo físico.




TF História: A taça sangrenta de Heysel

Platini nos instantes em que sucederam a batalha campal no Heysel
 Foto: Old school panini
Felipe Portes, @portesovic
De São Paulo-SP

Uma final europeia sempre é um grande espetáculo de futebol. Com raras exceções, o sonho embutido em 90 ou 180 minutos de jogo se torna um pesadelo. A história da final da Liga dos Campeões (ou Copa dos Campeões) de 1984-85 é um dos exemplos em que a alegria foi sumariamente substituída pela dor, angústia e o terror, sentimentos que nunca foram bem vindos dentro de um estádio.

Os principais ingredientes para a confusão foram reunidos no caldeirão de Heysel, em Bruxelas. Naquela noite de 29 de maio de 1985, em que o local estava praticamente lotado, o desastre se não estava previsto pelo lado da torcida inglesa, ficou facilitado pelo policiamento, não reforçado o suficiente para um evento de tal magnitude. Ainda sim, os 60.000 lugares foram ocupados cerca de duas horas antes do pontapé inicial. 

De forma repentina, os reds presentes nas bancadas partiram lentamente em direção aos juventinos. Ah, sim, por trás de todo o noticiário envolvendo este fatídico dia, deveria haver sim um duelo futebolístico. Liverpool e Juventus decidiram o título europeu naquela noite belga. Onde eu estava? Na parte da invasão britânica no setor destinado aos italianos? Sim. Alguns covardemente armados com barras de ferro (retiradas da estrutura do estádio) e outros covardes simplesmente pelo fato de estarem em maioria. Ainda restava uma hora para que a finalíssima tivesse início.

O ato inicial de selvageria foi um conflito físico. Os poucos policiais presentes não conseguiram impedir a ação dos hooligans do Liverpool. Toda a agitação e pancadaria fez com que uma das partes do muro da arquibancada, mais precisamente o setor Z, cedesse e fosse ao solo, soterrando uma grande parcela de espectadores que estavam do lado de fora (e claro os que estavam em cima do concreto), deu-se início um grande show de horrores. 

39 perderam a vida naquela ocasião, onde pedras foram lançadas e sinalizadores foram acesos instantes antes da violência romper a paz no recinto. Era o caos envenenando o clima que poderia ser de muita festa. O inquérito sobre o desastre apontou falta de policiamento, além de clara culpa dos reds ao avançarem a faixa que separava os grupos de fanáticos. Por consequência, equipes britânicas foram banidas por cinco anos de competições europeias. 

Torcedor ferido do Liverpool é levado pelos policiais: descontrole marcou
a noite em Bruxelas (Tifosi bianconeri)
Teimosia organizacional 
Uma hora depois do previsto, a bola de fato rolou no Heysel. Ainda sob atmosfera tensa e sombria, a partida aconteceu. Sem uma parte da arquibancada e com torcida praticamente neutra, novamente houve pressão inglesa, desta vez com a bola nos pés. O Liverpool esteve melhor na primeira etapa e forçou o arqueiro Stefano Tacconi a fazer grandes defesas. Kenny Dalglish e seus companheiros praticavam o melhor futebol da década, um esquadrão certamente inesquecível na história dos Reds. 

No entanto, se houvesse uma forma que minimamente honrasse os que perderam a vida horas antes, esse resultado seria uma vitória da Juventus. Se de um lado tínhamos o talentoso Dalglish e uma formação muito consistente, do outro havia a determinação e um Michel Platini inspirado, obstinado a vencer o jogo e a severa mágoa de ter de participar de uma partida manchada pela desordem. 

Não deveria haver um jogo naquelas condições. A decisão por parte da arbitragem foi de realizar o confronto para evitar novos e maiores entreveros. Dentro de campo, aos 56, o lado bianconero cresceu e num contragolpe rápido, Boniek caiu fora da área. O juiz suíço Andre Daina assinalou pênalti. Platini converteu e colocou os italianos na frente. A defesa, composta por Sergio Brio, Luciano Favero, Antonio Cabrini e Scirea fez o seu serviço com louvor e segurou o eficiente ataque vermelho, com dupla de Dalglish e Ian Rush.

Ao fim dos 90 minutos, o 1-0 persistiu e a Juve saiu de campo com o caneco. Não houve vencedores em Heysel. Nem em uma possível goleada haveria. Os danos causados por irresponsáveis e malfeitores jamais será desassociado àquela noite de 29 de maio de 1985, que dirá os que partiram. Como em poucas oportunidades, vale o clichê de que "o resultado pouco importou" nesta série de acontecimentos.


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Fomos campeões: Galatasaray 1999-2000

Jogadores do Galatasaray comemoram o título da Copa da UEFA (Getty Images)
Felipe Ferreira, @felipepf13
De Araçatuba-SP

O Galatasaray é muito mais do que um simples clube do futebol turco, é um dos grandes responsáveis a levar o futebol das terras do antigo Império Otomano a ser reconhecido na Europa. Na temporada 1988-89, o já havia conquistado um enorme feito para a sua história e do esporte de sua terra: chegou a semifinal da Liga dos Campeões. Contudo, foi em 1999-00 que veio a consagração do pessoal que traz consigo as cores do Mc Donald's: o título da Copa da UEFA.

Naquela época de 1998-99, os Leões acabaram por conquistar o Campeonato Turco e o direito de participar da LC. Porém, logo na 1ª fase de grupos, acabaram por ficar na terceira colocação em seu grupo. Concorrendo com Chelsea, Hertha Berlin e Milan, o esquadrão de Istambul ainda ficou na frente do tradicionalíssimo rubronegro italiano, ganhando como prêmio de consolação a vaga na Copa UEFA.

No plantel, nomes interessantes não faltavam. Responsável por fechar o gol, o já experiente e tetracampeão mundial Taffarel era titular absoluto do time. Na zaga aparecia Gheorge Popescu, xerifão não só apenas no Gala, como na seleção romena. O ataque, por sua vez, era liderado pelo turco Hakan Sükür, que em 2002 marcaria o gol mais rápido da história das Copas. Por último e não menos especial, Gheorghe Hagi, que mesmo fim de carreira, era o grande nome e maestro dessa equipe.

Mas bem, o Galatasaray por ter vindo do certame estrelado, entrou na Copa da UEFA logo na terceira fase e o seu primeiro adversário foi o Bologna. Na partida de ida, realizada na Itália, um gol de Sükür nos últimos minutos acabou por garantir um empate em 1-1. Pela segunda perna, o lado turco não deu chances aos rossoblu e com uma vitória de 2-1 garantiram vaga nas oitavas de final.

Era hora de passar pelas oitavas, o adversário seria mais difícil. Pela frente, os leões teriam o Borussia Dortmund. Já no primeiro jogo, Hagi e seus comparsas trataram de deixar a vaga bem encaminhada. Em pleno Westfalenstadion, o Maradona dos Cárpatos e Sükür marcaram, sacramentando uma brilhante vitória por 2-0. Mesmo jogando em casa na volta, o Galatasaray administrou a vantagem, segurando o 0-0 e carimbando o passaporte para o próximo round.

E quem diria que o confronto das quartas seria o menos complicado? Contra o Mallorca, os Leões deitaram e rolaram na partida na Espanha, venceram por 4-1 e garantiram tranquilidade total pro jogo da volta, realizado em seus domínios. No Ali Sami Yen veio uma vitória por 2-1 sem dificuldade e o Galatasaray teria de superar o Leeds nas semifinais.

Hagi disputa bola com Danny Mills do Leeds em jogo que valeu vaga na final (AFP)
Diante dos ingleses, os turcos ressaltaram bem sua força. Jogando em Istambul, Sükür e o zagueiro brasileiro Capone marcaram assegurando o 2-0. um jogo bastante equilibrado, diante de um Leeds disposto a tudo para ficar com a vitória no Elland Road, o Galatasaray buscou conter o ímpeto dos donos da casa logo no início. Hagi, de pênalti, abriu o placar. O gol de empate dos Whites marcado por Eirik Bakke reacendeu as esperanças, mas a noite era dos atrevidos visitantes. Sükür, sempre ele) fez 2-1 e ainda deu tempo para um empate, novamente com Bakke, mas a vaga na grande decisão era dos Leões.

Na outra chave de semifinal, o Arsenal de Henry, Kanu e trupe ilimitada venceu o Lens, se garantindo para enfrentar o Galatasaray na Dinamarca, mais precisadamente no Parken Stadium, localizado em Copenhague.

O capítulo final


Na finalíssima, o clima era de tensão e ansiedade, já que o duelo marcaria o encontro de dois atletas que viviam grande fase: Hagi pelo Galatasaray e Bergkamp pelo Arsenal. A imprensa europeia apontava os Gunners como grandes favoritos para o jogo, entretanto, a fanática torcida turca se mostrava esperançosa para o confronto, fato comprovado pelos 10 mil rubroamarelos estavam no estádio.

O primeiro tempo da decisão foi bastante tenso. Kormaz e Buruk demonstravam claro nervosismo e por entradas fortes levaram cartão amarelo logo na metade inicial da primeira etapa. Quanto ao Arsenal,  Patrick Vieira também optou por abrir a caixa de ferramentas logo cedo, enquanto isso, Tony Adams buscava desmoralizar os adversários declamando "belas" palavras ao pé do ouvido. Com clara angústia dos dois lados, faltaram jogadas de efeito nos 45 iniciais, salvo uma boa jogada de Hagi que culminou em finalização de Sükür nada demais aconteceu.

Logo nos primeiros minutos da volta do intervalo, os turcos já foram buscar a surpresa e Seaman fez bela defesa em chute de longa distância de Arif. Contudo, logo o Arsenal conseguiu encaixar um bom estilo de jogo que privilegiava a velocidade de Henry e Overmars nos contra-ataques. Taffarel começava a se consagrar fazendo grandes defesas e assegurando que a decisão fosse para a prorrogação.

No tempo extra, o Galatasaray se complicou no começo quando Hagi agrediu Tony Addams e foi expulso. Com um homem a mais, o Arsenal correu atrás do gol de ouro, com destaque maior para duas excelentes finalizações, uma de Henry e outra de Kanu, que novamente mostraram o potencial do goleiro tetracampeão mundial. Chegava a hora que se separaria os meninos dos homens, a decisão de pênaltis decidiria o campeão daquele ano.

Foto: Itusozluk
A agonia pela decisão de pênaltis seria menor pelo lado rubroamarelo. Taffarel voltaria a se consagrar e garantiu de vez o prêmio de melhor jogador da final. O guarda metas brasileiro foi responsável por defender a cobrança de Süker e contar com o erro de Vieira para garantir o inédito título do time turco, que acertou todas as cobranças com Penbe, Sükür, Davala e Popescu. Parlour ainda converteu sua cobrança a favor do Arsenal.

3ª fase
Bologna 1-1 Galatasaray
Galatasaray 2-1 Bologna

Oitavas de final
Dortmund 0-2 Galatasaray
Galatasaray 0-0 Dortmund

Quartas de final
Mallorca 1-4 Galatasaray
Galatasaray 2-1 Mallorca

Semifinal
Galatasaray 2-0 Leeds
Leeds 2-2 Galatasaray

Final, 17 de maio de 2000, Parken Stadion - Copenhague
Galatasaray 0-0 Arsenal (4-1 nos pênaltis)

domingo, 1 de abril de 2012

Desafortunados: Juan Esnáider

Esnaider está no top 5 do campeonato mundial de flops
do futebol europeu (Futebol daragon)
Felipe Portes, @portesovic
Do Charme da Paulista-SP

Atacante que não tinha lá muito o hábito de marcar gols, Juan Esnáider é um grande exemplo de flop persistente, aqueles que rodam pelo planeta sem completar um número convincente de partidas. Argentino nascido em Mar del Plata no inglório ano de 1973, começou sua carreira no Ferro Carril Oeste, em 1990. Revelado juntamente com Germán Burgos, o rapaz logo foi chamado ao Real Madrid B, que durante aquela década investia em jovens estrangeiros na sua base. 

Naquele tempo, Esteban Cambiasso, Dejan Petkovic, Iarley, César Prates e Rolando Zárate integravam as camadas juniores do Real, Juan foi traçando um caminho interessante na base merengue. Promovido à equipe principal, pouco contribuiu e foi banco durante a maior parte do tempo. Neste intervalo, venceu uma Copa do Rey, em 1993. Após três anos alternando entre os reservas e titulares, foi repassado ao Zaragoza ainda em 93, onde teria seu maior brilho na carreira.

Em La Romareda, levantou o caneco da Taça das Taças UEFA e da Copa do Rei em 1994 (é muita taça, cara). Seus números foram impressionantes: em 61 partidas anotou 29 tentos. Era o suficiente para credenciar o argentino como um dos nomes fortes no mercado europeu. Retornou ao Real Madrid em 1995, no entanto amargou nova fase como mero esquenta bancos. Um ano depois, foi para o rival madrilenho do Vicente Calderón. Queria retomar os bons tempos como a referência goleadora no recinto colchonero. 

Foto: El Cuadrilátero
Nova era para Esnáider no Atlético em 1996: entrou em campo 35 vezes, marcou 16 gols. Óh, ele é competente, óh, é o novo Batistuta, ah, terror, Esnáider matador, gritavam os fãs do rapaz que tinha a aparência daqueles atores mexicanos de cinema underground. Não deixaria Madrid antes de protagonizar uma pataquada que custaria caro. Contra o Ajax, nas quartas de final da Liga dos Campeões em 1997, errou um pênalti decisivo e no rebote deu um carrinho por trás em Richard Witschge. Por sorte, só levou amarelo, mas a vaga foi para os holandeses e não dificilmente isso pode ter resultado na decisão da diretoria rojiblanca em não renovar seu contrato de empréstimo.

Facilmente confundido com Lorenzo Lamas ou qualquer outro cara que tenha feito filme de porrada nos anos 90, Juan deixou o Calderón e partiu para o Espanyol, em 1997. Sua primeira temporada no clube periquito foi honrosa. A seguir, disputou apenas metade da temporada 1998-99 e foi para a Juventus, onde passaria vergonha. Envergando a camisa 9 bianconera, Esnáider jogou 26 vezes em quase três anos e foi às redes apenas em duas oportunidades. O fracasso vestindo o manto juventino fez com que ele acertasse o retorno ao Zaragoza, já em 2001. 
Ninguém lembra que ele esteve na Juve,
mas para todos os efeitos, eis uma prova
(Juventus Area)
Passado o tempo na Itália, nosso Desafortunado retornou ao lugar onde foi mais feliz. O Zaragoza voltou a vencer a Copa do Rei em 2001, com grande ajuda de Juan, que marcou 11 vezes em 17 oportunidades. Aí então pensou com seus botões: ora, por que não aceitar esta oferta interessante do Porto? Queria ser ídolo num dos grandes europeus, brigar por títulos nacionais, coisa que não conseguiu na Juventus. 

Disputou apenas três jogos pelo Porto e passou em branco por um semestre. Em 2002 recebeu um convite do River Plate para voltar à Argentina e somou nove aparições na campanha vitoriosa do Clausura daquele ano. Também deixou os Millonarios sem balançar as redes. Assinou com o Ajaccio em 2002/03 e ficou mais seis meses na França: nada. Foi no Real Múrcia que teve uma boa sequência, mas 17 atuações constrangedoras e um gol (solamente) serviram para adiantar sua aposentadoria. Fez 10 jogos pelo Newell´s Old Boys, um mísero gol e pendurou suas chuteiras.

Um indício sobre sua franca decadência como atleta é o fato de nas suas três últimas temporadas, marcou apenas dois gols. E assim se encerrou de forma melancólica a carreira do atacante Juan Esnáider, que teve seus quinze minutos de fama na Juventus, mas não aproveitou como poderia. Será sempre lembrado pelos torcedores do Zaragoza pelos seus imp... bem, talvez nem seja.